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ÁGUA Mau cheiro faz venda de água explodir O Estado do Paraná 07/08/01 Joseane Martins As distribuidoras de água mineral da capital estão comemorando a ocorrência de uma situação atípica: o aumento de vendas dos produtos em pleno inverno, período em que a queda chega a 50%. O aquecimento das vendas em Curitiba é devido principalmente ao forte odor e ao sabor da água fornecida pela Sanepar, atribuídos à proliferação de algas na Represa do Iraí, reservatório que abastece 70% da população da Região Metropolitana e capital.
No último mês, a Distribuidora Maceratti percebeu um crescimento nas vendas de 35%. "Está como no verão. Nos meses de junho e julho a queda é de 25% a 30% e não sentimos isso", observa Antônio Sucodolski, gerente comercial da filial da empresa em Curitiba. Tanto que foi necessário adiar as férias dos funcionários. Ele acredita que o fato de não ter esfriado nos últimos dois meses também contribuiu para o aquecimento no setor, mas, sem dúvida, o forte cheiro da água foi determinante. Prova disso é que o incremento maior está sendo registrado em Curitiba e um pouco na Região Metropolitana. Em Ponta Grossa e litoral, o comportamento foi normal, ou seja, de queda devido ao inverno. "Agradecendo à Sanepar" Se por um lado a Sanepar tem muito a se preocupar, por outro as distribuidoras e pontos de revendas da água só têm a agradecer. Alguns empresários chegam a brincar que deveriam dar uma porcentagem do lucro para a empresa de saneamento. "Como o cheiro e o gosto estão insuportáveis, muitas pessoas estão começando a usar água mineral para tudo", observa o proprietário do ponto de revenda Água Viva, Edison Linhares. A gerente comercial da S&S Comércio de Acessórios para Água Ltda, Simone Grassi, não tem dúvida de que as algas da Barragem do Iraí estão contribuindo para venda. "É como se estivéssemos trabalhando em pleno janeiro", ressalta. Segundo ela, nos meses de frio a queda nas vendas de acessórios é de 30% e refrigerados (bebedouros) 50%. "Nada disso aconteceu. As pessoas que não tinham suporte estão adquirindo e quem tinha procura por modelos mais sofisticados". A demanda aumentou tanto, que antes da polêmica da água da Sanepar, a empresa recebia uma carga de acessórios a cada quinze dias. Agora, diz ela, chegam duas cargas por semana. "Foi uma explosão. Tem até fila de distribuidores esperando mercadoria". Estima-se um aumento de 40% na margem normal de vendas. Até os filtros de água, que de acordo com os próprios vendedores não dão conta de acabar com o cheiro e gosto ruim da água, estão sendo requisitados. Na Michigan Lake, o aumento na venda de acessórios de água foi percebido principalmente nos últimos dez dias. "Devido ao problema da água em Curitiba, nós tivemos que dobrar a produção de suportes e acessórios como raques (mesa de suporte), porta copos e até capas de garrafões", revela o proprietário da empresa, Flávio de Oliveira Camargo Pires. Pela primeira vez, a empresa teve que trabalhar no final de semana para dar conta dos pedidos feitos pelos clientes. "Acredito que teremos mais duas semanas de pico nas vendas de acessórios. Depois deve voltar ao normal", avalia. A única empresa que prefere não atribuir à Sanepar o aumento nas venda é Águas Ouro Fino. Segundo a diretora da empresa, Carla Mocellin, desde 1998 está sendo registrado um crescimento nas vendas de 20% a 30% ao ano. Porém, no último mês de julho foi possível observar um aumento de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado. "É em função do tempo seco, com sol e também da conscientização da população quanto à qualidade de vida", atribui. Em 1999, a Ouro Fino registrou a venda de 89 milhões de litros de água. Em 2000, este número saltou para 112 milhões de litros. E para este ano, a estimativa é aumentar em 25% as vendas.
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