Arquivo de artigos - Folha do Paraná - 18/02/2001

 

Alerta: verde de Maringá corre perigo

 

Teresa Meneghel

 

Maringá (Sucursal) - Vista de cima, Maringá parece uma cidade perdida na floresta. Os prédios emergem da massa verde composta por quase 80 mil árvores plantadas em ruas e praças. Pelo menos metade desse arvoredo foi plantado por um único homem, o agrônomo Aníbal Bianchini da Rocha, 72 anos, conhecido como "o Jardineiro de Maringá".

Entre 1952 e 1965, Bianchini chefiou o departamento agronômico da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, empresa responsável pela colonização da região. Neste período, ele coordenou o plantio de cerca de 40 mil árvores nas recém-abertas avenidas projetadas pelo urbanista Jorge de Macedo Vieira.

Memória viva da história maringaense, o agrônomo lembra que o projeto urbanístico da cidade não incluía a arborização pública. O plantio das árvores começou por incentivo dos diretores da Cia Melhoramentos Hermann Morais de Barros, Gastão Mesquita Filho e Cássio Costa Vidigal. Eles trouxeram de São Paulo, em 1949, o paisagista Luiz Teixeira Mendes para "vestir" Maringá. Bianchini lembra: "Era uma cidade bonita, ampla, mas que precisava de uma vestimenta". "E este vestido seria feito de muitas árvores floridas."

Eterna primavera

As primeiras mudas de jacarandá mimoso foram plantadas na Rua Joubert de Carvalho, no centro. A partir daí, o plantio não parou. O primeiro viveiro de mudas foi o Horto Florestal. Ali eram cultivadas mudas nativas (primavera, alecrim, figueira branca, ipê-roxo) e exóticas, trazidas de outras regiões (jacarandá, sibipiruna, pata de vaca) e países (flamboiãs, espatódia, grevíleas, palmeiras).

Quando o paisagista Luiz Teixeira Mendes deixou Maringá, em 52, Bianchini, então um recém-formado agrônomo vindo de Santos (SP), assumiu a tarefa de "ajardinar" a cidade. O projeto priorizava o plantio de espécies floríferas, com o objetivo de ter ruas floridas o ano inteiro.

Hoje, quase meio século depois, a cidade exibe flores em todas as estações do ano, com destaque para os ipês roxos, flamboiãs, jacarandás e sibipirunas. No auge das floradas, as calçadas se cobrem de pétalas coloridas. "Me sinto feliz de ter ajudado a dar uma marca para Maringá", diz o agrônomo pioneiro.

Projeto abandonado

Somando a arborização de praças e reservas florestais - a cidade possui três, todas na área central - Maringá oferece 26 metros quadrados de área verde por habitante. Mas na avaliação do jardineiro de Maringá, este patrimônio corre o risco de minguar, se o poder público não der a devida atenção ao setor.

Sempre acompanhando de perto os serviços ambientais do município, Bianchini afirma que, nos últimos 15 anos, o projeto paisagístico original não vem sendo seguido, no processo de expansão urbana. "Há diversos bairros e loteamentos novos sem nenhuma árvore plantada", lamenta.

Outra preocupação é com a reposição de árvores mortas. O agrônomo calcula que cerca de 2,7 mil precisam ser replantadas. "Somente no Jardim Alvorada, constatamos que há quase mil espaços vazios, precisando de reposição de mudas."

Diante da constatação, Aníbal Bianchini faz um apelo: "É preciso dar tratamento adequado à conservação e à expansão do verde maringaense", diz. Ele lembra que uma árvore dura, em média, 50 anos e grande parte do arvoredo local beira esta idade. Se a reposição não for feita à risca, as falhas verdes logo começarão a ser percebidas. E se isso acontecer, chegará o dia em que o maringaense vai dizer: como era verde Maringá. 

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