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Arquivo de artigos - 18/02/2001
CIÊNCIA: ALIMENTOS Homem produz mais e reproduz menos
Apoiado em ações de entidades intergovernamentais, instituições privadas de pesquisas e técnicos de mais de 25 países, o trabalho apresenta um quadro atual de como, onde e em que volumes o homem interfere nos ecossistemas. Os autores mostram que o aumento da produção de alimentos supera a expansão demográfica, alertam sobre o mau uso da água e pedem aos governos que criem políticas de preservação ambiental. O relatório está na internet (http://www.wri.org/wr2000 ou http://www.ifpri.org ). A produção de alimentos tem acompanhado e até superado o crescimento da população mundial. Em média, o fornecimento de alimentos per capita é 24% maior do que em 1961. Mas a produtividade no longo prazo é ameaçada pela crescente escassez de água e pela degradação do solo, que já causaram a redução de 16% na área cultivável, especialmente na África e na América Central.
Água no fim O uso indiscriminado de pesticidas levou ao surgimento de muitas pragas resistentes e a pecuária intensiva criou problemas de disposição final de detritos e de poluição das águas. A produção de peixes aumentou seis vezes desde 1950, mas a taxa de crescimento da pesca industrial caiu dramaticamente, por causa da exploração excessiva. A pesca nas proximidades das costas está ameaçada pela poluição e pela degradação dos corais e manguezais. A aqüicultura poderá ser o caminho para o aumento da produção. As águas de superfície e subterrâneas, em muitas partes da Ásia, norte da África e América do Norte, estão no limite de extração. A ineficiência dos sistemas de irrigação é tamanha que, em média, menos da metade de toda a água retirada do solo ou da superfície chega às colheitas. A produção de alimentos pelos agroecossistemas é avaliada em US$ 1,3 trilhão (dado de 1997) e fornece 94% das proteínas e 99% das calorias consumidas pelo homem. O processo produtivo emprega 1,3 bilhão de pessoas.
Revolução Os novos processos de produção, os sistemas de irrigação, o surgimento de pesticidas e herbicidas mais eficientes fizeram a produção agrícola crescer muito. Os preços caíram. Em média, os preços reais dos produtos agrícolas são 40% mais baixos do que há 40 anos, período em que a população mundial dobrou para 6 bilhões de pessoas. Aproximadamente 790 milhões de pessoas do mundo em desenvolvimento ainda são cronicamente subnutridas, e quase 2/3 delas moram na Ásia e no Pacífico. A maior parte da agricultura mundial (59%) é dedicada à produção de cereais. Nos últimos 30 anos, o número de animais criados pelo homem praticamente triplicou, enquanto a produção agrícola dobrou. A crescente demanda por carnes deverá prosseguir, na medida em que o padrão de vida e a renda média continuam a crescer globalmente. Cerca de 40% da área agrícola explorada apresentam modestas degradações, e 9% dela têm pontos degradados. Nestes casos, a recuperação do solo ou é cara ou quase impossível.
Uso de fertilizantes cai São Paulo - O consumo global de fertilizantes situa-se em torno de 128 milhões de toneladas por ano (dado de 1997) e tem caído, de modo geral, desde 1989, embora a expansão na produção de cereais entre 1995 e 1997 tenha revertido essa tendência de queda ao menos temporariamente. Calcula-se que 55% dos fertilizantes são aplicados nas culturas de cereais, 12% no plantio de oleaginosas, 11% nas pastagens e capins, 6% nas raízes e tubérculos e 5% nas frutas e vegetais. Calcula-se também que aproximadamente mil pragas agrícolas (incluindo ervas daninhas) adquiriram imunidade aos pesticidas. Só nos Estados Unidos há 394 insetos não atingidos por esses produtos. Apesar de o volume aplicado e a toxicidade dos pesticidas terem aumentado dez vezes nos Estados Unidos entre 1940 e 1990, a proporção de cultivos eliminados pelas pestes aumentou de 30% para 37% no período. Pesquisas indicam que muitos fazendeiros preferem aplicar doses de pesticidas acima das prescritas pelos fabricantes, para evitar o risco de perdas, já que o custo desse insumo é relativamente pequeno no custo total da produção. Isso causa terríveis impactos ambientais. O controle biológico das pragas tem representado uma interessante alternativa para o uso dos produtos químicos. A China tem obtido sucesso no controle das pragas do arroz, assim como a Indonésia. No Vietnã, o controle biológico vem substituindo os pesticidas no Delta do Mekong.
Países pobres estão comendo mais carnes São Paulo (AE) - Há fortes evidências de que uma importante revolução pecuária está ocorrendo, principalmente no mundo em desenvolvimento. Ela é impulsionada pelo significativo aumento na demanda por carne e leite, o que se reflete numa crescente demanda por cereais e rações ricas. Essa rápida expansão pode representar maiores oportunidades de aumento de renda e melhor nutrição para os pobres, mas provavelmente terá também um impacto sobre o meio ambiente e a saúde humana. Entre 1982 e 1994, a demanda global por carnes cresceu 2 9% ao ano sendo 1% nos países desenvolvidos e 5,4% nos países em desenvolvimento. Em algumas categorias, estes últimos países apresentaram taxas de crescimento ainda maiores o consumo de carne suína cresceu 6,2% ao ano, o de frango 7,6% e o de leite, 3,1%. Em 1993, havia aproximadamente 878 milhões de cabeças de suínos e 13 bilhões de frangos no mundo. Cerca de 36% dos suínos estavam nos países ricos. A China sozinha tinha 44% da população de suínos e a América Latina, 9%. A expansão do consumo de carnes implica uma demanda adicional de cereais para rações. Técnicos afirmam que, num cenário pessimista, a demanda por cereais poderia elevar o preço real do milho em 20% no ano 2020, fazendo-o retornar aos níveis do início da década de 80. Os técnicos envolvidos nesse trabalho insistem em que a pecuária de subsistência pode ser uma excelente oportunidade para as populações pobres dos países em desenvolvimento melhorarem sua dieta e até mesmo criarem um meio de vida, dentro de certas limitações. |
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