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Ciências - Cosmologia - 10/02/2001 Nasa tenta pouso inédito de sonda em asteróide Probabilidade de a Near chegar intacta ao solo de Eros estão na faixa de 1% Clique aqui para ver o gráfico LAUREL, EUA - Depois de passar um ano na órbita do asteróide Eros e realizar todos os seus objetivos científicos, a sonda Near Shoemaker concluirá sua missão hoje, informam cientistas. Mas não discretamente. "Podíamos deixar que a coisa acabasse tranqüilamente, ou apenas desligá-la", disse o diretor da missão, Robert W. Farquhar, sobre a nave que ele fez percorrer o espaço durante cinco anos. "Mas isso não seria correto." Cientistas do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que construíram a nave e dirigem a missão para a Nasa, planejam fazer a Near (abreviatura de Near Earth Asteroid Rendezvous, ou Encontro com um Asteróide Próximo da Terra) Shoemaker terminar sua vida útil em grande estilo - tentando o primeiro pouso num asteróide. O plano é ativar os foguetes da sonda várias vezes hoje para baixar a órbita da sonda, a 35 quilômetros a partir do centro do asteróide, para uma descida controlada na superfície de Eros, captando imagens em primeiro plano do corpo rochoso enquanto estiver descendo. Chance mínima - A nave foi projetada para ser especificamente um satélite em órbita e não possui trem de aterrissagem ou outros dispositivos para pouso em superfície, motivo pelo qual tem apenas 1% de chance de resistir à tentativa de pouso suave, mesmo na baixa velocidade que deverá estar desenvolvendo antes de tocar a superfície. Mas fotos tiradas durante a etapa final da descida devem ser de cinco a dez vezes melhores que quaisquer das que a sonda enviou até agora, disse Farquhar. A Near Shoemaker tornou-se a primeira nave a orbitar um asteróide em 14 de fevereiro do ano passado, quando chegou a Eros depois de uma jornada de quatro anos a partir da Terra. Munida de uma câmera e de outros cinco instrumentos para medir a massa, densidade, composição química e outras características de um asteróide, a Near Shoemaker coletou dez vezes mais dados do que o inicialmente planejado, observam os cientistas. E consagrou Eros como ponto de referência para orientar futuros estudos de asteróides e cometas. Com 33,6 quilômetros de comprimento, 12,8 quilômetros de largura e 12,8 quilômetros de espessura, Eros tem um formato por vezes descrito como o de uma batata ou de uma sapatilha de balé. A nave, com formato de barril, tem o tamanho de um carro médio. O conjunto de instrumentos ocupa uma extremidade e quatro painéis para geração de eletricidade com energia solar, formando uma cruz, estão na outra ponta. Sucesso - "A missão é um sucesso total", disse Edward Weiler, administrador-adjunto da Nasa para ciência espacial, durante uma entrevista coletiva em Washington. "Fez o trabalho científico que precisava fazer." Descrevendo seu preço como uma pechincha em termos de missão no espaço profundo, Weiler acrescentou: "Ela foi iniciada e concluída em 26 meses, custando ao todo US$ 223 milhões." Eros é o maior dos asteróides próximos da Terra, cujas órbitas os trazem muito perto da trajetória que o nosso planeta descreve em torno do Sol. Muitos cientistas acreditam que a colisão de um asteróide com a Terra, 65 milhões de anos atrás, levou à extinção dos dinossauros. Existe a remota possibilidade de Eros um dia chocar-se com a Terra, mas esse perigo não surgirá nos próximos 1,5 milhão de anos. De acordo com Andrew F. Cheng, cientista-chefe do projeto, a Near Shoemaker enviou à Terra tantas informações que só uma pequena parcela delas pôde ser analisada até agora. "Os cientistas vão examinar esses dados durante anos", previu. Corpo é mais velho do que a Terra LAUREL, EUA - A partir dos dados enviados pela sonda Near Shoemaker, os pesquisadores descobriram que Eros é um corpo sólido, de composição uniforme, com o interior fendido, informou Andrew F. Cheng, cientista-chefe do projeto. O asteróide é feito de material provavelmente mais velho que a Terra e está submetido a forças desconhecidas que continuam alterando sua superfície. Eros tem 100 mil crateras com mais de 80 metros de largura - indício de colisões passadas -, semelhantes às encontradas na Lua e em Mercúrio. Mas Cheng disse que, ao contrário da Lua, a superfície do asteróide está coberta por cerca de 1 milhão de blocos rochosos do tamanho de uma casa ou maiores, alguns dos quais parecem estar desintegrando-se em virtude de um processo desconhecido. Quando a sonda descer, deve enviar fotos mais nítidas. As últimas imagens mostrarão detalhes de até 10 centímetros. A nave vai pousar perto de uma depressão em forma de sela, uma baixada de 10 metros de largura com rochedos íngremes, blocos rochosos e áreas planas repletas de pedras soltas e poeira. A Near deve tocar o solo de Eros a uma velocidade entre 3 e 11 quilômetros horários - praticamente a mesma de uma pessoa caminhando. (W.E.L.) Sonda dos EUA tentará pouso em asteróide na
segunda-feira A sonda norte-americana NEAR Shoemaker tentará na próxima segunda-feira (12) um difícil pouso no 433 Eros, um pequeno asteróide perdido no espaço com área duas vezes superior a ilha de Manhattan (Estado de Nova York). Ao final de uma viagem de cinco anos, a NEAR deverá pousar neste asteróide em forma de batata com 33 km de comprimento por 13 km de diâmetro e que intriga os cientistas porque possui pequenas crateras, apresenta algumas rochas grandes e tem várias estrias. A NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous) já cumpriu com sucesso a sua missão no espaço, fornecendo aos cientistas dez vezes mais informações que o previsto, incluindo mais de 160 mil fotos e inúmeros dados. No 433 Eros, a NEAR já detectou a presença de magnésio, silício e alumínio, o que indica que este asteróide é um fragmento, que permaneceu inalterado, da formação do sistema solar a partir de gás e poeira celeste. A sonda mostrou ainda que o solo do asteróide tem pequenas crateras e grandes rochas, algumas com até 100 metros de altura. "Obtivemos respostas para todas as questões e sabemos agora que o Eros é um corpo sólido, de composição uniforme, composto por materiais sem dúvida mais antigos que a Terra", declarou Andrew Cheng, da Universidade Johns Hopkins de Laurel (Maryland). "Encontramos também muitas coisas que não esperávamos e que levantam agora novas questões que não encarávamos no início da missão". A proeza do pouso da NEAR no 433 Eros é ainda mais fantástica porque não estava prevista no plano de vôo inicial da sonda. Na descida, a sonda poderá tirar fotos do asteróide com extrema definição, antes de bater no solo a uma velocidade de um a três metros por segundo, afirmou o diretor do programa, Robert Farquhar, da Universidade Johns Hopkins. Nas últimas horas da aproximação, a NEAR acionará seus motores em seis oportunidades para reduzir a sua velocidade, em uma operação "jamais tentada devido ao evidente risco com tal conjunto complexo de manobras, o que só se justifica nesta altura da missão". O estudo do Eros, um asteróide do tipo "S", interessa muito aos astrônomos porque segundo algumas teorias, estes corpos celestes seriam parte de um planeta cuja formação foi interrompida há 4,6 bilhões de anos pela força da gravidade de Júpiter. |
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