Ciências - Física - 13/02/2001

Inpe estuda bolhas de plasma que prejudicam sinais de satélite
VÂNIA CARVALHO - da Folha Vale

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, está desenvolvendo um estudo sobre as bolhas de plasma, um fenômeno ionosférico que compromete a captação de sinais de satélite e antenas parabólicas em países localizados na linha do Equador.

Segundo os pesquisadores do instituto, o fenômeno passa por um pico de agravamento neste ano. Os pesquisadores apontam que a cada 11 anos, devido às variações dos ciclos solares, o fenômeno fica mais crítico.

"A Europa, os Estados Unidos e o Japão não têm esse problema e empresas estrangeiras que se instalam aqui não levam esse item em conta e terminam tendo prejuízos", disse o pesquisador do Inpe Humberto Sobral, um dos descobridores das bolhas de plasma, há mais de 20 anos.

Ele disse que as bolhas de plasma ocorrem na faixa da ionosfera, acima de 200 km de altitude. As bolhas podem atingir mais de 2.000 km de altitude e se caracterizam pela rarefação do plasma (elétrons e íons livres) ionosférico. O fenômeno ocorre sempre no período da noite.

Entre os efeitos provocados pelo fenômeno estão as interferências em sinais de satélite e na transmissão de imagens por antenas parabólicas.

Em regiões de baixa latitude, como quase todo o território brasileiro, elas provocam degradações nas imagens de TV. Na tela, as interferências são percebidas como pontos brilhantes e negros, principalmente entre 20h e 22h30. Até hoje, as interferências são confundidas com defeitos nos equipamentos.

Descobertas sobre o território brasileiro em 1976, por pesquisadores do Inpe, as bolhas chamaram a atenção de operadores de satélites e da comunidade científica pelo fato de produzirem interferências em uma grande faixa de sinais do espectro eletromagnético. Principalmente nas transmissões de tevê, de rádio em ondas curtas e de amplitude modulada e também de radioamador.

O Inpe instalou há cerca de quatro anos, no Observatório Espacial de São Luís (MA), um radar ionosférico que captou as primeiras medidas das bolhas de plasma sobre o território brasileiro. Em dezembro, um segundo radar foi instalado no mesmo observatório para intensificar as pesquisas.

Esse equipamento, operado em baixa potência e com alta performance, foi desenvolvido com o apoio da Universidade de Clemson, da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, com financiamento de R$ 200 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

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