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Ciências - Astronáutica - 21/02/2001

Redução de velocidade da Mir causaria volta à Terra
Folha de S.Paulo

Os russos ainda precisam provar que são capazes de terminar direito o que começaram. Mas de uma coisa poucos duvidam: que a Mir possa ser mantida no espaço por mais tempo. Ontem a estação completou 15 anos.

Manter a estação em órbita, funcionando bem, após 15 anos, é uma tarefa das mais complicadas e caras. Por sorte, derrubá-la no oceano não exige tanto quanto mantê-la em operação.

Apenas três sistemas essenciais dariam conta do recado: os responsáveis pela comunicação da estação a Terra, o mecanismo de controle de atitude (que determina a posição da estação no espaço) e o de propulsão para controle de órbita (fornecido principalmente pelo cargueiro Progress, que está acoplado à estação).

Embora os três sistemas estejam funcionando atualmente, vale lembrar que dois deles sofreram falhas temporárias nos últimos três meses. Em dezembro, um blecaute a bordo fez com que os controladores perdessem contato com a estação por 20 horas.

Em janeiro, uma falha com os giroscópios, equipamentos que controlam o alinhamento do complexo, causou um adiamento de uma semana no lançamento da nave Progress - veículo já acoplado à estação que irá dar à Mir seu beijo de morte.

"Acho que eles já estão no limite e não podem esperar mais tempo para executar a operação. Outras falhas em larga escala podem eventualmente vir a reduzir mais ainda a segurança do processo", diz Petrônio Noronha de Souza, engenheiro do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Para tirar a Mir de órbita, tudo que se precisa fazer é puxar o freio de mão. Quem fará isso é o Progress. Depois que a estação mudar sua posição para que ele aponte no sentido contrário ao do movimento do complexo, a equipe de controle dará a instrução para que ele dispare, queimando cinco toneladas de combustível e agindo como freio para a Mir.

Com a redução de velocidade, a estação passará a perder altitude rapidamente. Meia hora depois, o que sobrar do complexo cairá em área remota do Pacífico.

Salvador Nogueira

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