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CIÊNCIA: VIAGEM À MARTE

07/03/2001 - 07h48
Pesquisa tenta encurtar viagem a Marte
RAPHAEL GOMIDE
da Folha de S.Paulo

Um motor especial que usa como combustível o plasma, uma espécie de "quarto estado" da matéria  - os outros são o sólido, o líquido e o gasoso - , pode reduzir a um quinto o tempo de viagem do planeta Terra até Marte.

A distância mínima entre os dois planetas, que estão em constante movimento, é de cerca de 80 milhões de quilômetros.

Usando o plasma, uma nave espacial poderia chegar a Marte em dois meses. Com a tecnologia atual, que usa hidrogênio e oxigênio como combustíveis, a travessia duraria de seis a dez meses.

O astronauta costarriquenho naturalizado americano Franklin Chang-Díaz é coordenador do projeto da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) que desenvolve o uso do plasma como combustível alternativo para naves espaciais. O custo do projeto é "impossível de ser calculado", disse ele, em entrevista no Rio.

Chang-Díaz, engenheiro com doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), esteve em Niterói (a 15 km do Rio) para uma série de palestras e conferências sobre a pesquisa que desenvolve. Ele participou de cinco missões no espaço pela Nasa, sendo uma delas o último vôo de acoplamento com a estação Mir.

O plasma é uma espécie de gás extremamente quente, cuja temperatura chega à casa 1 milhão de graus Celsius. De tão quente, o único meio de conservá-lo é dentro de um campo magnético, que funciona como "invólucro".

O motor especial é "completamente diferente dos usados hoje e relativamente pequeno", disse o físico. O aparato mede dois metros por meio metro de largura. "A maior parte do motor é de bobinas magnéticas supercondutoras", explicou Chang-Díaz.

Primeiro teste

O primeiro teste do projeto será feito em 2003, quando uma nave-robô será enviada até a Estação Espacial Internacional. O segundo será feito dois anos depois. Chang-Díaz projeta para 2018 a viagem a Marte. "Mas não temos uma garantia disso", disse.

A temperatura média de Marte é de aproximadamente 50ºC negativos. A rarefeita atmosfera do planeta, composta de gás carbônico, não é respirável. Para solucionar esse problema, uma equipe de quatro a seis astronautas montaria uma estufa, onde seriam cultivadas plantas híbridas tropicais para produzir oxigênio.

Os astronautas ficariam na estufa, em ambientes artificialmente criados para abrigá-los. Esses locais "teriam o tamanho de quadras de basquete", disse.

"Bombearíamos a baixa pressão da atmosfera de Marte dentro da estufa a pressões mais altas. As plantas utilizariam o gás carbônico e, com a fotossíntese, produziriam oxigênio para o uso dos astronautas", afirmou o cientista da Nasa à Folha.

Um estudo sobre as plantas ideais para a tarefa está sendo feito por uma escola agrícola da região tropical úmida da Costa Rica.

Nasa planeja viagem à Marte para 2018

O tempo de viagem, que hoje é de cerca de 10 meses, poderá ser encurtado em pelo menos dois meses.

Rio de Janeiro - A primeira viagem do homem à Marte está prevista para 2018. O tempo de travessia entre os dois planetas, que hoje é de cerca de 10 meses, poderá ser encurtado em pelo menos dois meses até lá. A previsão é do físico e astronauta da Nasa, a agência espacial norte-americana, Franklin Ramón Chang-Díaz, que está no Brasil a convite da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Abel, colégio católico pertencente à Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs.

Chang-Díaz participa do projeto de desenvolvimento de um motor de propulsão que tem por objetivo reduzir o tempo de viagem até Marte. Com seis missões espaciais no currículo, inclusive o vôo de acoplamento com a estação russa Mir, realizado em 1998, o astronauta, da Costa-Rica, é chefe do Laboratório de Propulsão da Nasa e coordenador do projeto de viagem à Marte.

"Pretendemos ir em 2018, mas tudo ainda está em estudo", lembra Chang-Diaz. Atualmente, ele está concentrado nas pesquisas sobre energias alternativas para viagens espaciais como o motor de propulsão, com tecnologia de magneto plasma, que é utilizada para a processar lixo.

Em palestra para estudantes realizada terça-feira, no Instituto Abel, em Niterói, no Grande Rio, o astronauta disse que o caminho para jovens cientistas brasileiros ingressarem na agência espacial norte-americana é procurar o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, a 90 quilômetros de São Paulo, que, segundo ele, faz um trabalho "muito bom" no País.

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