Educação Ambiental

A FLORESTA e a ÁGUA

A floresta e a água subterrânea

Os solos sob florestas possuem boas condições de infiltração de água. Logo, as florestas podem ser consideradas como fontes importantes para o suprimento de água para os aqüíferos. Em habitats diferentes onde o lençol freático se encontra bem superficial, como áreas alagadiças e encostas de rios, sangas, lagos etc., a floresta, pela sua evapotranspiração, auxilia no rebaixamento do lençol freático. Alguns trabalhos têm apontado que, quando da remoção da floresta, o lençol freático tende a subir novamente. No caso de regiões semi-arídas, onde a água é um recurso de primeira necessidade, a presença de florestas ao longo dos cursos d'água podem representar um grande problema. Em regiões íngremes, a drenagem limita o armazenamento da água subterrânea. A presença da cobertura florestal irá proporcionar uma maior infiltração de água no solo, o que por sua vez irá resultar num maior abastecimento do lençol freático. Os efeitos da floresta sobre o rebaixamento do lençol freático dependem basicamente da espécie florestal, da sua densidade de plantio, da forma do seu sistema radicular, dos tratos e métodos silviculturais dispensados e da colheita da mesma. Mas nem sempre a floresta traz problemas para o lençol freático; existem casos, quando o lençol é muito superficial, em que a floresta não consegue se estabelecer. Nesta situação, normalmente, os silvicultores lançam mão de técnicas como a drenagem artificial, mediante a abertura de valas. Atualmente, muito se fala no efeito das florestas sobre o comportamento das nascentes. Nesse caso, não é somente a presença ou ausência da floresta que é a responsável pelas alterações das nascentes. São uma série de outros fatores que estão envolvidos na origem e na dinâmica de uma determinada nascente. Alguns estudos nos Estados Unidos mostraram que após a remoção de vegetação ocorreu um aumento imediato na vazão das nascentes; mas também observaram que estes aumentos foram passageiros, ou seja, as nascentes rapidamente voltavam ao regime anterior ao corte (figura 34).


Figura 34. Aspectos de uma nascente.

O manejo da vegetação, visando modificar a dinâmica das nascentes, pode ser resumido conforme os seguintes princípios:

#Realização de troca de espécies vegetais que possuem o sistema radicular profundo por espécies com raízes superficiais. Isto implicaria na liberação da água das camadas do âmbito do sistema radicular para a alimentação das nascentes;

  • Remoção da vegetação onde as raízes atingem normalmente o lençol freático, resultando em aumento imediato na vazão das nascentes;

  • Utilização de práticas que levam à diminuição da infiltração da água no solo, o que tende a aumentar a formação de enxurradas, podendo diminuir a vazão das nascentes ou até mesmo comprometer a existência das mesmas.

Avaliar os benefícios de proteção que as florestas oferecem aos mananciais hídricos para a captação de água com vistas ao abastecimento urbano ou ao uso geral no meio rural é de grande importância, pois estes benefícios devem determinar o comportamento dos poderes públicos e dos proprietários rurais no sentido de manter as matas e vegetação para proteção e manutenção de fornecimento de água. A floresta nativa, inclusive a mata ciliar, se constitui no tipo de vegetação que mais filtra a água, diminuindo consideravelmente a turbidez da mesma e propiciando condições ótimas de luz para o processo fotossintetizante das algas produtoras de oxigênio, homogeneizando também as temperaturas, evitando variações bruscas que poderá acarretar a morte da flora e fauna aquáticas. Por outro lado, a turbidez de um curso de água está altamente relacionada com a natureza da bacia hidrogáfica ou de captação. A água é turva quando apresenta, na sua constituição, grande quantidade de pequenas partículas em suspensão de argila, ou ainda microorganismos que conferem à água aspecto lamacento (Figura 35).


Figura 35. Aspectos de um rio turvo.

Na Região Sul do Brasil, a evolução do sistema de produção agropecuária foi sempre imediatista, sem considerar os efeitos e as conseqüências nos ecossistemas, ocasionando um grande desequilíbrio na natureza e, como resultado, têm-se hoje os rios poluídos, assoreados e com uma grande fragilidade em relação às enchentes. O uso inadequado dos solos nas propriedades rurais, o desmatamento irracional, o uso indiscriminado de fertilizantes, corretivos e agrotóxicos, estabelecem situações graves para os recursos hídricos disponíveis, pois, periodicamente, ouvem-se informações de rios poluídos, mortalidade de peixes, falta de água nas cidades, o que causa sérios transtornos para os consumidores. Assim, as florestas nativas de uma bacia hidrográfica atuam como controlador hidrológico, regulando o fluxo de água, de sedimentos nutrientes entre as áreas mais altas e mais baixas da bacia.

Publicado pela AFUBRA
Associação dos Fumicultores do Brasil

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