Educação Ambiental

A FLORESTA e a ÁGUA

Conclusão

A natureza funciona como uma grande indústria que tem a responsabilidade de elaborar um determinado volume de produto de maneira permanente.

A atual atividade humana em todos seus âmbitos conduz sua produtividade de maneira diferente, ou seja, canaliza seus esforços na busca de um determinado produto sem observar as conseqüências que advêm da sua ação sobre o ambiente.

A atuação do homem sempre ocorreu de maneira linear, isto é, com uma visão direcionada para o ponto do produto final, deixando de lado grandes poluições pelas emissões aéreas, através das chaminés industriais e, por outro, da montanha de resíduos de toda a natureza que causa os mais variados tipos de poluição.

A natureza, porém, trabalha e produz na forma cíclica, mostrando o caminho para a atuação do homem.

Está bem claro a forma como a natureza trabalha, quando observa-se, por exemplo, o modelo como ocorre a ciclagem dos nutrientes que são a fonte básica de produção dos ecossistemas.
Através desse processo, as cadeias alimentares vão sendo abastecidas em todos os níveis, garantindo a vida dos seres vivos em todos os ecossistemas.

Para essa produção contínua e permanente que a natureza realiza, a água exerce função importantíssima uma vez que se transforma no meio de transporte único dos nutrientes dentro dos seres vivos em qualquer tipo de ecossistema.

É através das águas que as plantas absorvem os nutrientes da solução do solo e conduzem os mesmos até o alto das copas onde ocorre a transformação pela fotossíntese, sendo novamente distribuídos pela água os elementos, agora elaborados, por todas as partes das plantas. Esta mesma água potável é que garante a vida dos animais e, inclusive, do homem na Terra, pois com sua ausência jamais existiriam condições de sobrevivência de qualquer ser vivo.

Dessa maneira, pode-se considerar o planeta Terra como um gigantesco organismo vivo que se automantém pela sua capacidade de produzir, elaborar e distribuir esse produto para suprir todas suas necessidades.

Considerando que o homem é parte integrante e principal elemento atuante desse organismo, pela sua ação se transforma no ser vivo mais perigoso para a manutenção da vida na Terra. Por isso, é importante que se conscientize da necessidade de mudar seu comportamento sob pena de decretar seu desaparecimento que pode não estar num futuro muito distante.

Dentro da grande amplitude dos fatores que interagem para manter o equilíbrio ecológico da natureza, a água é um dos elementos vitais para que este processo ocorra.

A água é elemento importante, pois impulsiona os ciclos da produção de alimentos, sem os quais não existiria a vida. Daí a necessidade da séria consciência de preservação e manutenção de sua potabilidade.

Na atualidade, é mais evidente o mau uso dos recursos naturais, daí as necessidades básicas continuarem não sendo satisfeitas. Hoje um quarto da água doce existente é inaproveitável por causa da poluição provocada pelo próprio homem, pela falta de condições estruturais adequadas nos países em desenvolvimento; apenas 40% da população têm acesso à água limpa e saudável.

Toda essa realidade deve ser meditada e conduzida para decisões importantes no sentido de defender a manutenção da água, das nascentes e dos mananciais.

As propriedades rurais têm papel importante no que diz respeito à água, pois é nelas que estão as nascentes, riachos, rios e outros reservatórios deste líquido vital.

Ao proprietário cabe o direito de defender seu potencial hídrico e o dever de preservar suas nascentes e as vegetações que as protegem. É importante que cada produtor ou proprietário tenha a sensibilidade para administrar suas áreas de modo a manter o equilíbrio ecológico dentro de seus limites e, se possível, envolver os demais para, através de uma ação solidária, executar um trabalho de condução técnica em relação à manutenção da produtividade dos solos e à preservação ambiental das bacias hidrográficas, que é a unidade terrestre mais adequada para o controle de perdas da produtividade e da água.

No aspecto da produção de água potável, a floresta e a vegetação ribeirinha exercem papéis importantes na filtragem dos poluentes que se dirigem para os leitos dos rios e mesmo na retenção do excesso de água que irá resultar em grandes enchentes, caso não exista barreira para conter sua velocidade antes de atingir os mananciais.

Diante disso, o plantio de florestas e a administração das áreas florestadas nas propriedades passam a ser o elemento da manutenção de águas.

Deve-se lembrar, porém, que diante dessa situação de dificuldades de manejar os recursos naturais, existem a certeza e a convicção de que com competência é possível administrar os recursos, especialmente as florestas, para se atingir a recuperação desejada dos solos, rios e especialmente da água dos mananciais.

Pode parecer extraordinário defender o ambiente limpo e bonito para nossas propriedades rurais, onde a família possa sentir-se tranqüila e feliz. No entanto, a realização pessoal e familiar, além dos bons resultados de produtividade de seu trabalho, é o ambiente belo e agradável, onde a água seja pura, límpida, transparente e potável, e o ar seja puro e saudável. Somente assim haverá um relacionamento harmonioso com o ambiente.

Glossário

ACEIRO:Faixa livre de vegetação, para evitar a propagação de fogo dentro da floresta, dividindo-a em talhões.
AGRICULTURA MIGRATÓRIA: o mesmo que agricultura itinerante; tipo de sistema agrícola ("shifting cultivation", em inglês), primitivo, adotado historicamente nos ecossistemas de florestas tropicais, em que o ser humano derruba trecho da floresta, queimando-o como preparo da terra para cultivo de subsistência, obtendo durante poucos anos (4 a 6) alimento e, posteriormente, abandonando essa área que se tornou improdutiva. Passa então a ocupar novos trechos da floresta e assim por diante. A área inicial abandonada, onde se estabeleceu vegetação secundária, após cerca de vinte anos, poderá ser novamente utilizada para o cultivo. Na Amazônia, os indígenas ainda praticam a agricultura migratória, plantando milho, mandioca.
AQÜÍFERAS: denominam-se aqüíferas as rochas permeáveis à água, retendo-a ou permitindo sua passagem para o lençol freático. Também diz-se aqüíferas as rochas que contêm água.
ÁRVORES DOMINANTES: são árvores do extrato arbóreo superior, mais alto e melhor desenvolvido, que prepondera e exerce influência sobre os extratos inferiores de árvores e vegetação mais baixa.
ASSOREAMENTO: obstrução por areia ou por sedimentos quaisquer de um rio, canal ou estuário, geralmente em conseqüência de redução de correnteza. Deposição gramórfica nos sedimentos de rios, lagos, etc.
BACIAS HIDROGRÁFICAS: conjunto de vertentes que margeiam um rio ou mar interior.
BIOACUMULAÇÃO: é a acumulação de substâncias pelos seres vivos.
BIODIVERSIDADE: diferentes tipos de animais e vegetais que ocorrem num determinado ecossistema.
BOREAL: floresta com predominância de coníferas, que ocorre no hemisfério norte: Canadá, Escandinávia, Sibéria e norte da Rússia.
CARREADORES: espaço aberto para facilitar a extração de madeira.
COMPACTAÇÃO: redução dos espaços vazios do solo e que, como conseqüência, traz um aumento na densidade, resitência e estabilidade.
CORTE RASO: é uma forma de exploração florestal onde todas as árvores são abatidas, encerrando-se o ciclo de crescimento.
CORTE SELETIVO: é uma forma de exploração vegetal onde apenas algumas árvores são derrubadas e retiradas da floresta que se mantém com uma densidade menor.
DEFLÚVIO: refere-se ao escoamento de líquidos.
DEGELO: transformação da água do estado sólido para o estado líquido.
DENSIDADE DA FLORESTA: é o número de indivíduos de uma floresta por unidade de área.
DIVERSIDADE: refere-se à váriação nos tipos vegetais e animais que habitam as muitas e diferentes regiões edafoclimáticas do globo terrestre.
ECOSSISTEMA: o mesmo que biocenose. É toda e qualquer unidade (área) que envolva todos os organismos vivos (bióticos) que se encontram interagindo com o ambiente físico (abiótico) em que estes vivem, de tal forma que um fluxo de energia produza estruturas bióticas bem definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não vivas.
EFEITO ESPONJA: é o efeito causado pela serapilheira, a qual absorve a água, entumece e depois vai liberando lentamente.
EPÍFITAS: vegetais que vivem sobre os outros, sem retirar nutrientes, apenas fixando-se neles.
EQUILÍBRIO AMBIENTAL: é o equilíbrio que ocorre nas interações entre os organismos vivos (biótopo) e o meio físico de um determinado ecossistema, o qual permite a sobrevivência de maneira estável das espécies componentes deste ecossistema.
EROSÃO: remoção do solo, geralmente da superfície, por agentes climáticos (água da chuva, vento, etc.) ou geológicos.
ESCOAMENTO SUPERFICIAL: é o fenômeno que ocorre com a água quando essa não infiltra no solo ou quando a água não é consumida pela evapotranspiração das florestas. Na ausência das florestas em locais onde o solo está nu, o escoamento superficial é causador direto da erosão do solo.
ESPAÇOS CAPILARES: são os microespaços vazios existentes entre as partículas do solo.
ESTRUTURA DO SOLO: é o arranjo ou combinação das partículas primárias do solo.
EUTROFIZAÇÃO: é a fertilização das águas dos rios, lagos, represas ou mesmo do mar. Esta pode ser natural, quando a fertilização acontece lentamente, contribuindo para o equilíbrio ecológico do ambiente aquático; cultural, quando são arrastadas grandes quantidades de adubo, principalmente fósforo e nitrogênio. Essa acarreta um desenvolvimento anormal de certos organismos que acabam por consumir a maior parte do oxigênio da água.
EVAPOTRANSPIRAÇÃO: processo que sofre a água, podendo ser dividido em dois componentes principais: a) água que é evaporada diretamente da superfície do solo, b) água que vai para a atmosfera através da planta, principalmente pela transpiração vegetal e pela evaporação da água depositada, por irrigação, chuva ou orvalho, na superficie das folhas.
FITOPLÂNCTON: organismos vegetais produtores primários do plâncton.
FLORESTA DE CONÍFERAS: são florestas formadas por classe de plantas gimnospermas que produzem sementes não abrigadas em frutos, mas reunidas em estróbilos coniformes, como, por exemplo, floresta de Pinus e de Araucária.
FLORESTAS DE FOLHOSAS: são florestas formadas por classe de plantas angiospermas que produzem sememtes abrigadas por frutos. São exemplos as florestas Amazônica, Mata Atlântica, entre outras.
GELEIRAS: são grandes acúmulos naturais de gelo; também podem ser definidas como amontoamentos de gelo passíveis de deslocamento nas regiões em que a queda da neve ultrapassa o degelo.
HABITAT: espaço ou ambiente onde os fatores físicos e biológicos interagem, formando condições mínimas para a manutenção de um ou mais organismos.
HIDROFOBIA: Aversão à água.
HIDROLOGIA: é o estudo ou descrição das propriedades da água.
INSÍPIDA: refere-se à água que não possui sabor.
INTERCEPTAÇÃO: ato ou efeito de impedir a passagem de algo.
INUNDAÇÕES: significa alagamentos, enchentes, cheias.
LATITUDE: é o ângulo que à vertical, em um ponto da superfície da Terra, faz com o plano do Equador.
LENÇOL FREÁTICO: é o acúmulo de água abaixo do solo propriamente dito (parte desintegralizada) e geralmente sobre a camada de rocha subterrânea.
MANANCIAIS: referem-se à água (de rios, lagos, nascentes, lençol freático), utilizada para atividade humana.
MANTA HIDROFÓBICA: camada de material orgânico não- decomposto, que dificulta a infiltração de água para o interior do solo.
MATA CILIAR: é o mesmo que mata de galeria, mata ripária ou ribeirinha. Essa mata se encontra na margem dos rios, riachos ou córregos, beneficiando-se da disponibilidade de água e nutrientes que se acumulam nas margens.Da mesma forma, a mata ciliar beneficia o curso d'água que margeia, protegendo as margens contra a erosão, evitando assoreamento.
MICROORGANISMOS PATÓGENOS: são seres de dimensão minúscula, capazes de produzir doenças. Por exemplo: bactéria e vírus.
POLUIÇÃO: efeito acarretado pelo procedimento humano de lançar na natureza resíduos, dejetos e qualquer outro material que altere as condições naturais do ambiente, contaminando ou deteriorando nossa fonte natural de recursos do ar, terra ou água, sendo prejudicial ao próprio homem ou a qualquer ser vivo desejável.
POROSIDADE: porção de um volume de solo não ocupado por partículas sólidas (seja mineral ou orgânica). Em condições normais de campo, os espaços entre tais partículas são ocupados por ar e água: é esse o espaço disponível para a penetração das raízes no solo.
POTÁVEL: refere-se à água que apresenta condições de ser consumida pelo homem.
PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA: é o mesmo que chuva.
PROLIFERAÇÃO: aumento, crescimento em número, propagação, multiplicação.
RECICLADA: refere-se a uma substância qualquer (plástico, vidro, latas, papéis, água) que sofre um processo de renovação de suas propriedades para novamente ser utilizada.
RENOVÁVEL: diz respeito aos recursos naturais que podem ser renovados, reiniciados ou reparados.
RESÍDUOS: são materiais indesejáveis, descartados ou não sobre a forma livre de diversas atividades humanas, entre eles resíduos agrícolas, florestais, industriais, domésticos ou urbanos em geral.
RIBANCEIRA: margem elevada de um rio ou de um lago.
SEDIMENTO: substância depositada pela ação da gravidade na água ou no ar.
SILVICULTOR: pessoa que se dedica à silvicultura.
SILVICULTURA: estudo das florestas e exploração dos recursos florestais.
SUBSTÂNCIAS HIDROFÓBICAS: substâncias que não se dissolvem na água.
TEXTURA DO SOLO: é uma das mais importantes características examinadas num perfil do solo. Pode ser avaliada pelo tato, tomando-se uma pequena amostra úmida; a areia transmite a sensação de "atrito", o silte de serosidade e a argila de pegajosidade e "plasticidade".
TOLERAR: é o mesmo de consentir, aceitar, permitir.
TUNDRA: bioma ou ecossistema típico do círculo polar ártico caracterizado por vegetação rasteira, arbustos ("árvores atrofiadas"), líquens e musgos. A fauna é pobre com insetos "estacionais", aves e mamíferos migrantes.
VEGETAÇÃO DO SUB-BOSQUE: vegetação de pequeno a médio porte que se desenvolve sob o extrato superior das árvores maiores, em ambientes sombreados, com pouca incidência de raios solares.
VEGETAÇÃO SUCESSIVA: vegetação que surge nas diferentes fases de restabelecimento de uma floresta.

Bibliografia consultada

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Publicado pela AFUBRA
Associação dos Fumicultores do Brasil

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