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| A FLORESTA E O AR Publicado pela
AFUBRA O vapor de água e a Terra
Apesar de seu volume relativamente pequeno, esse gás é um dos mais importantes componentes do ar. Sem ele não existiriam os fenômenos meteorológicos, nem a vida na Terra, tal como a conhecemos. A superfície terrestre permaneceria sufocada sob densas nuvens de poeira revolvidas pelo vento e sofreria as mais extremas variações de temperatura, pois o deslocamento do vapor de água, nos sentidos vertical e horizontal, constitui um dos mais importantes mecanismos de intercâmbio térmico do planeta. Duas vezes por ano, por exemplo, 10 bilhões de toneladas de ar, carregados de vapor de água, cruzam o equador, passando do hemisfério em que é verão para o hemisfério em que é inverno. Esse processo contribui para moderar e equilibrar as diferenças de temperatura entre as regiões quentes e frias da Terra. E a capacidade que tem o vapor de água de absorver o calor proveniente da superfície terrestre desempenha um papel essencial na conservação do equilíbrio térmico, que possibilita a existência da vida na Terra. De todo o calor que deixa a superfície da Terra, apenas cerca de 15% se perde no espaço. O resto fica retido pela atmosfera, devido, principalmente, à presença do vapor. Nos dias claros e secos, o vapor de água permanece invisível. Às vezes, contudo, ele se revela, caindo sob forma de chuva, granizo ou neve. Essa chuva que cai nas florestas, bem como a evapotranspiração da cobertura vegetal, tem papel de destaque no ciclo da água e na manutenção da vida no planeta. É através das águas que as plantas absorvem os nutrientes da solução do solo e conduzem os mesmos até o alto das copas, onde ocorre a transformação pela fotossíntese, sendo novamente distribuídos pela água os elementos, agora elaborados, por todas as partes das plantas. Essa mesma água é que garante a vida dos animais e, inclusive, do homem na Terra, pois, com sua ausência, jamais existiriam condições de sobrevivência de qualquer ser vivo. Chuva ácida Este é um fenômeno que se agravou muito com o aumento da industrialização, principalmente pela queima do carvão nas indústrias. Tem uma relação direta com a poluição do ar, aparecendo em maior intensidade nos países com maior índice industrial. No Brasil, esse fenômeno ocorre com maior volume nas regiões onde estão estabelecidos complexos industriais que utilizam, para gerar energia, combustíveis fósseis ou madeira, sendo também muito expressivo nas grandes capitais, onde o número de veículos automotores é elevado.
A chuva ácida é resultante da reação química que ocorre entre os compostos de enxofre, nitrogênio e outros, liberados pela queima dos combustíveis fósseis e pelo vapor d'água da atmosfera, na presença da energia solar, resultando em ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3 ), que se precipitam em forma de partículas de chuva, e cuja acidez varia com a concentração e o local, sendo considerada ácida quando o pH for inferior a 5,0. Essa chuva, quando freqüente, é responsável pela corrosão de metais, alterações nas cores de pinturas de paredes de casas e edifícios, desgaste de pedras, estátuas, qualidade das águas, acidificação do solo, prejudicando também as plantas e animais, bem como a vida dos rios e florestas (Figura 10). Os efeitos deste tipo de fenômeno não ocorrem somente junto às áreas de emissões, mas também em locais distantes, uma vez que sua dispersão ocorre através dos ventos. Por isso, não pode ser considerada de maneira pontual, devendo ser estudada em grandes regiões, principalmente naquelas para onde as correntes de vento dominantes conduzem a chuva ácida. O consumo de água acidificada por longos períodos pode causar doenças como mal de Parkinson, mal de Alzheimer, hipertensão e problemas renais. Em crianças, existe grande possibilidade de atacar o sistema nervoso central.
Figura 10. Efeito da chuva ácida sobre o ecossistema aquático e florestal A solubilidade de metais potencialmente tóxicos como o alumínio, manganês e cádmio, é dependente do pH e aumenta rapidamente com a diminuição do pH da solução do solo. O alumínio é fitotóxico e causa prejuízos ao sistema radicular, diminuindo a habilidade das plantas para absorver os nutrientes e a água do solo, afetando o crescimento das sementes e a decomposição do folhedo, e, interagindo sinergisticamente com os ácidos, aumenta o prejuízo às plantas e aos ecossistemas aquáticos. Outro efeito sobre a vegetação é a redução no seu crescimento ou, no pior caso, a morte, devido não só à lixiviação dos nutrientes como o magnésio e o potássio, mas também por causas secundárias, afetando a planta enfraquecida. |
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