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| A FLORESTA E O AR Publicado pela
AFUBRA A camada de ozônio O ozônio (O3) é um elemento químico gasoso, formado por três átomos de oxigênio, que se encontram puros e livres na atmosfera. Sua maior abrangência localiza-se na estratosfera, situado entre 16 e 50 km de altitude, com maior concentração ao redor dos 28 km de altura. A camada de ozônio é uma capa em constante renovação na atmosfera, com alta concentração desse elemento, o que protege a Terra de vários tipos de radiação. É uma camada benéfica que tem sido objeto de muitos esforços para sua preservação, devido a grandes ameaças de destruição. O ozônio evita a passagem de grande parte dos raios ultravioletas emitidos pelo sol, constituindo-se numa barreira contra a ação dessas radiações prejudiciais à vida. As radiações ultravioletas ultracurtas desmancham o oxigênio e formam o ozônio, que absorve os raios ultravioletas, não os deixando chegar à Terra. Quanto maior a concentração de ozônio, maior será a retenção dessas radiações, ou seja, menor a quantidade de radiações ultravioletas que chegam até nós. Os raios ultravioletas são os responsáveis pela cor morena que é conferida à pele branca quando exposta ao sol. Porém, exposições prolongadas e excessivas podem ser mortais. Toda a vida na Terra é especialmente sensível à radiação ultravioleta com comprimento de onda entre 290 a 320 nanômetros. Tão sensível, que essa radiação recebe um nome especial: UV-B, que significa "radiação biologicamente ativa". A maior parte da radiação UV-B é, pois, absorvida pela camada de ozônio, mas mesmo a pequena parte que chega até a superfície é perigosa para quem se expõe a ela por períodos mais prolongados. A UV-B provoca queimaduras solares e pode causar câncer de pele, inclusive o melanoma maligno, freqüentemente fatal. A Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental estima que 1% de redução da camada de ozônio provocaria um aumento de 5% no número de pessoas que contraem câncer de pele. Em setembro de 1994 foi divulgado um estudo realizado por médicos brasileiros e norte-americanos, em que se demonstrava que cada 1% de redução da camada de ozônio desencadeava um crescimento específico de 2,5% na incidência de melanomas. A incidência de melanoma, aliás, já está aumentando de forma bastante acelerada. Entre 1980 e 1989, o número de novos casos anuais nos Estados Unidos praticamente dobrou; segundo a Fundação de Câncer de Pele, enquanto em 1930 a probabilidade de as crianças americanas terem melanoma era de uma para 1.500, em 1988 essa chance era de uma para 135 (Figura 11).
Figura 11. Buraco na camada de ozônio (em violeta) Em 1995 já se observava um aumento nos casos de câncer de pele e catarata em regiões do hemisfério sul, como a Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Patagônia. Em Queensland, no nordeste da Austrália, mais de 75% dos cidadãos acima de 65 anos apresentam alguma forma de câncer de pele; a lei local obriga as crianças a usarem grandes chapéus e cachecóis quando vão à escola, para se protegerem das radiações ultravioletas. A Academia de Ciências dos Estados Unidos calcula que apenas naquele país estejam surgindo anualmente 10 mil casos de carcinoma de pele por causa da redução da camada de ozônio. O Ministério da Saúde do Chile informou que desde o aparecimento do buraco na camada de ozônio sobre o pólo Sul, os casos de câncer de pele no Chile cresceram 133%; atualmente o governo faz campanhas para a população utilizar cremes protetores para a pele e não ficar exposta ao sol durante as horas mais críticas do dia.
A molécula de oxigênio, a uma altura suficiente, na estratosfera, é dissociada pelos raios ultravioletas do sol, resultando em dois átomos de oxigênio atômico, (O + O), o que pode ser representado quimicamente por O2 + raio ultravioleta = O + O . Após, ocorre a produção de ozônio através da associação da molécula do oxigênio O2 com o átomo de oxigênio O, que pode ser representada quimicamente da seguinte maneira: O2 + O = O3. Ao processo de produção de ozônio seguem-se vários processos de perdas, ou seja, elementos que destroem a molécula de ozônio, inclusive sua dissociação, absorvendo a radiação ultravioleta. Do equilíbrio entre a perda e a produção depende a concentração de ozônio na atmosfera, em estado estacionário. A concentração do ozônio na atmosfera varia com as diferentes altitudes, sendo o próprio processo de produção de O3 o responsável pela atenuação da intensidade dos raios ultravioletas de cima para baixo, o que resulta na maior concentração numa altura em torno dos 28km, diminuindo bruscamente para cima e para baixo. A incidência direta dos raios ultravioletas sobre os mares afetaria diretamente as algas, que realizam a fotossíntese na superfície dos oceanos, o que resultaria na extinção de muitos animais que vivem nos ecossistemas marinhos. O ozônio, na sua fórmula química, é constituído por três moléculas de oxigênio com alto poder de filtragem dos raios ultravioletas, porém, na presença do CFC, desintegra-se, formando oxigênio (O2) sem poder de filtragem . Na Figura 12, observa-se o esquema da destruição do ozônio na estratosfera, através dos radicais de cloro.
Figura 12. Esquema da destruição do ozônio na estratosfera através dos radicais de cloroFonte: KRAPFENBAUER (1992). Estima-se que um átomo de cloro pode destruir até 100 mil moléculas de ozônio até retornar à Terra. A redução na camada de ozônio provocaria inibição da fotossíntese por parte de todas as espécies sensíveis, com gravíssimas conseqüências para a vida na Terra. À medida em que se amplia a consciência que o homem tem do universo, fica mais clara a noção de que o mar não apenas fornece certos meios para o nosso sustento, mas também assegura nossa própria existência. O que chamamos de vida surgiu no mar; foi aí que se originou a matéria básica de todos os seres vivos e o mar preside todo o sistema natural que constitui o meio ambiente do homem. São muito preocupantes os efeitos devastadores que as elevadas radiações ultravioletas podem provocar no mar, principalmente na inibição da fotossíntese por parte de espécies que apresentarem sensibilidade a esse tipo de poluição; além disso, um aumento da temperatura global causada pelo efeito estufa causará, também, a elevação dos níveis dos mares, resultado do degelo das calotas polares, o que acarretaria grandes inundações das partes baixas dos continentes e também alteraria a produtividade dos oceanos. |
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