A FLORESTA E O AR

Publicado pela AFUBRA
Associação dos Fumicultores do Brasil

As florestas e o clima

As florestas têm influência direta sobre o clima, provocando variações na temperatura do ar, atuando e definindo as médias, máximas e mínimas, as diferenças entre as temperaturas máximas e mínimas diárias, mensais e nos diferentes períodos do ano. Influencia diretamente na umidade relativa do ar e, principalmente, na transpiração e na evapotranspiração dos seres vivos. Reduzem a velocidade dos ventos, favorecendo a recreação ao ar livre e proporcionando um perfeito intercâmbio entre o ar puro e poluído, principalmente nas regiões metropolitanas (Figura 16).

Figura 16. As florestas interagindo com o meio urbano

Sendo a atmosfera o reservatório de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2 ), para as plantas e demais seres vivos é importante lembrar que, devido ao índice de poluição do ar, esses organismos vão se adaptando às variações climáticas que, muitas vezes, podem ser drásticas, até chegar a uma situação além da qual não têm mais condições de sobrevivência e acabam desaparecendo.

Nos ecossistemas florestais, as plantas crescem com as alternâncias climáticas que podem ser favoráveis ou desfavoráveis. Por isso, é importante conhecer as relações existentes entre as condições do clima e o crescimento das árvores, bem como o microclima dos habitats onde estão crescendo os vegetais.

A radiação solar nas florestas

Figura 17. Atenuação da radiação solar em uma floresta boreal

Fonte: LARCHER (1986).

A radiação solar interceptada pelas florestas pode ser absorvida, refletida ou ainda transmitida. Uma parte da energia transportada pela radiação é absorvida pelas árvores e pelo solo, e utilizada para evaporar água e para aquecer o solo e o ar, enquanto parte perde-se no espaço. A quantidade de energia recebida por um solo coberto por floresta varia de 5% a 20%, dependendo da densidade das copas (Figura 17).

Apenas pequena parte da radiação global é responsável pela temperatura na superfície terrestre. Essa energia é absorvida pela cobertura vegetal, pelo solo, pela água e pelo ar, sofrendo, nesses meios, transformações, transferência e condução. Esse tipo de energia é consumido por irradiação, reflexão, absorção e evaporação.

Assim, o movimento da energia na superfície da Terra, nos diferentes habitats e ecossistemas, bem como o aquecimento do ar nesses diversos locais, variam de acordo com vários fatores; entre eles:

- o movimento da terra;

- a altitude;

- a exposição e a inclinação;

- a época do ano;

- o efeito da atmosfera.

A influência das florestas na temperatura do ar

As informações climáticas obtidas no interior das florestas apontam que a temperatura do ar, diária ou mensal, é inferior àquela obtida fora do povoamento florestal. As diferenças maiores ocorrem durante os períodos mais quentes, e as temperaturas máximas são mais afetadas do que as mínimas, principalmente nas florestas caducifólias. Isso significa dizer que a amplitude de temperatura do ar é menor nas florestas do que nas áreas de campo aberto.

As temperaturas baixas no interior das florestas são as responsáveis pela umidade relativa do ar mais alta. Por isso, as florestas são mais úmidas mesmo que a temperatura do ponto de orvalho e a pressão do vapor d'água ambiental sejam aproximadamente iguais às da área externa.

A temperatura mais amena no interior das florestas pode ser explicada pelos seguintes fatores: a vegetação intercepta a radiação que entra e a radiação que sai da floresta, tendo um efeito marcante na temperatura; as folhas verdes não aquecem tanto quanto o solo e a camada de serapilheira e também porque as folhas trocam calor com o ar que está na sua volta (Figura 18).

Figura 18. Temperatura do ar nos diferentes estratos de uma floresta densa de abetos

Fonte: LARCHER (1986)

Por conseqüência, durante os períodos de radiação líquida positiva, a temperatura próxima ao solo da área com floresta é reduzida, enquanto à noite o ar junto ao solo é mais quente que acima das copas das árvores, onde a radiação líquida negativa é maior.

Quando a atmosfera está encoberta, a intensidade absoluta de luz no povoamento florestal é logicamente menor. No entanto, a diminuição relativa da intensidade é mais lenta, porque a luz difusa tem maior porcentagem de radiação global.

A copa das florestas densas formam uma superfície contínua, transformando-se na área de contato com o ar. Logo, as temperaturas são mais altas no topo do dossel, diminuindo gradativamente até o solo florestal, podendo atingir diferença de 18 a 20ºC em relação à temperatura da serapilheira, ocorrendo o inverso durante a noite.

A região das copas das árvores é muito ativa em relação aos aspectos climáticos, pois a radiação é recebida e emitida, ocorrendo uma relativa circulação do vento naquela área, o que causa um contraste entre o clima exterior e o interior da floresta, o qual é atenuado constantemente pela convecção forçada. Por isso que o microclima no interior das copas é muito instável, contrastando com o equilíbrio que ocorre na região do fuste.

No inverno, em florestas decíduas, a temperatura se mantém praticamente uniforme; já nas florestas fechadas, a diferença de temperatura da superfície do solo é marcante tanto no inverno como no verão.

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