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A FLORESTA e os ANIMAIS Publicado pela AFUBRA Com o desequilíbrio verificado em um ecossistema florestal, os animais herbívoros são consumidos por um reduzido número de carnívoros de primeira ordem que foram diminuídos pelo ataque dos carnívoros de segunda ordem, os quais também entram em decadência por falta de condições ambientais, ocasionada pelas alterações ocorridas naquele meio, iniciando, assim, um processo de morte de alguns indivíduos ou extermínio de espécies, alterando totalmente a dinâmica da cadeia trófica da comunidade florestal. Na agricultura, um ataque de caturrita na lavoura de milho é o resultado de um grande desequilíbrio entre essa ave e seu predador, que pode estar em falta devido a alterações profundas em seu habitat natural. Exemplo: as plantações de eucalipto e os postes de iluminação no meio rural.
As relações das cadeias tróficas em um ecossistema florestal são muito complexas, pois dependem das interações de um número considerável de vegetais e animais em todos os níveis, que se controlam mutuamente, formando uma cadeia alimentar muito grande e complexa. Com a morte de produtores (vegetais) e de consumidores (vários animais), retorna ao solo razoável quantidade de matéria orgânica, formando uma camada de resíduos ou serapilheira. Essa alimenta uma grande quantidade de animais saprófagos, pois, na transição entre a serapilheira e o solo, existe uma infinidade de pequenos e microorganismos, como coleópteros, colêmbolos, miriápodes, ácaros, nematóides, fungos e bactérias, que abastecem as florestas através da sua participação no acelerado processo de decomposição dos resíduos produzidos pelas árvores, como folhas, casca, ramos e galhos, os quais se transformam, após a humificação e a mineralização, em fonte indispensável de nutrientes, a chamada ciclagem de nutrientes, que os vegetais irão converter em proteínas para alimentar a fauna herbívora. Conhecer o funcionamento, as interações e a complexidade dos ecossistemas florestais, bem como a maneira como as florestas se regeneram, é condição fundamental para o entendimento das relações que a floresta e os animais exercem reciprocamente. Acompanhando um processo de regeneração florestal, pode-se observar que, nos seus diferentes estágios, os vegetais se sucedem em espécies e associações, até chegarem ao estágio clímax da floresta, o qual requer grande espaço de tempo para ser atingido. No desenvolvimento natural das florestas, as quais irão determinar diversos habitats para abrigar a fauna, normalmente encontram-se três grupos ecológicos de espécies vegetais: As pioneiras: são as espécies que não toleram a sombra, desenvolvendo-se em áreas abertas, totalmente expostas ao sol, uma vez que suas sementes necessitam de plena luz para germinarem. Exemplos: bracatinga (Mimosa scabrella) e timbó (Ataleia glazioviana). A Figura 4 mostra esquematicamente características de associação de espécies pioneiras.
Figura 4. Esquema
caracterizando as espécies pioneiras As secundárias: espécies que crescem normalmente em clareiras existentes no meio da mata; são tolerantes à sombra durante sua fase juvenil; sobrevivem sob a floresta, crescendo vigorosamente após a retirada da cobertura que a sombreia. Exemplos: farinha seca (Albizia hasslerii), guabiroba-de-árvore (Campomanesia xanthocarpa), chá-de-bugre (Cordia sellowiana ) e pitanga (Eugenia uniflora). Vegetação clímax: as sementes destas espécies não necessitam de luz intensa para germinarem; crescem em matas em adiantado estágio de desenvolvimento; toleram a sombra na fase juvenil, podendo crescer por algum tempo sob o dossel de grandes florestas. Considerando a grande variação que ocorre durante o desenvolvimento dessas espécies, elas podem ser definidas como pioneiras em determinado estágio e secundárias em outro, embora mais recentemente as espécies florestais estejam sendo agrupadas em duas categorias: pioneiras e não pioneiras. Na vegetação clímax, a produção de sementes ocorre de maneira abundante e contínua, porém com pouca longevidade, ou, então, através de sementes com dormência e com expressiva longevidade natural. A canjarana (Cabralea canjerana) é um exemplo de espécie com sementes de pouca longevidade, enquanto o guapuruvu (Schizolobium parahyba) produz sementes dormentes de grande longevidade. Na Figura 5, representam-se, esquematicamente, características associadas das espécies que pertencem ao grupo ecológico clímax.
Figura 5. Esquema
caracterizando as espécies clímax CONTINUA |
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