A FLORESTA e os ANIMAIS
parte 13

Publicado pela AFUBRA
Associação dos Fumicultores do Brasil

A interação entre as florestas e os animais

O elemento principal para a sobrevivência e reprodução dos animais é a disponibilidade e o suprimento alimentar. Outros fatores, como a duração do dia e a presença de luz, também podem ter influência na dinâmica populacional. No entanto, a alimentação é o fator definitivo para a manutenção do número de animais em qualquer ecossistema. Estudos concluídos nos Estados Unidos comprovaram que a disponibilidade de alimentos tem influência direta na reprodução dos animais silvestres. Observações realizadas no norte da Califórnia concluíram que nos anos de alta produção de sementes de coníferas e de carvalhos, a procriação dos animais chegava até o mês de dezembro, enquanto nos anos de pouca frutificação daquelas espécies a reprodução cessava no mês de junho, com uma marcante queda na população. Resultados semelhantes foram verificados com a população de camundongos (Apodemus sylvaticus) nas florestas mistas de carvalho e faia na França. Na Figura 19 pode-se observar o desempenho reprodutivo do cervo (Odocoileus hemionus) na região arbustiva com abundante alimentação e no chaparral onde a disponibilidade de alimentos é bem menor.

Figura 19. Densidade populacional do cervo durante o ano, em área de chaparral e zona arbustiva Fonte: Orr (1976).

Trabalhos efetuados no Canadá, com algumas aves, concluíram que a disponibilidade de alimentos aumentou o número de ovos por ninhada. Na Suécia, pesquisas desenvolvidas com o pássaro chamado quebra-nozes (Nucifraga caryocatactes) concluíram que, nos anos de abundante produção de nozes, a média por ninhada passou de três para quatro ovos. Normalmente as espécie que se alimentam de folhagens e ervas atingem sua máxima população até um ano antes daqueles que dependem ou alimentam-se de sementes, isso porque as folhas, além de disponibilizarem nutrientes mais cedo que as sementes, são perenes, enquanto que a frutificação das espécies é sazonal. A disponibilidade de alimentos fornecidos pela natureza, tais como folhas, ervas, sementes e frutos, garante a manutenção e o aumento populacional dos animais silvestres, os quais interagem com sua alimentação vegetal para produzir uma oscilação entre predador e presa. Assim, quando ocorre uma escassez de alimentos vegetais, diminui o número de animais e os predadores carnívoros ficam sem alimento, atacando outros elementos, normalmente não pertencentes à sua dieta alimentar, desequilibrando a cadeia trófica ou mesmo morrendo de fome. O mesmo ocorre com os peixes, anfíbios e répteis que também fazem parte da cadeia alimentar. Assim, as relações entre os ecossistemas aquáticos e terrestres são muito importantes, porque apresentam funções na dinâmica entre as matas, principalmente ciliares, e o ambiente aquático. As relações água x terra determinam a formação de habitats e abrigos específicos para uma determinada fauna aquática ou terrestre, constituindo-se em corredores ecológicos, áreas de reprodução e de estabilidade térmica. Regulam também a entrada e a saída de energia; fornecem matéria orgânica para os sistemas; evitam o desmoronamento das margens dos cursos d'água; diminuem o assoreamento; regulam a vazão e o fluxo d'água e ainda interagem com a quantidade de elementos químicos existente nas águas. A diminuição da disponibilidade de alimentos de qualquer natureza e, em qualquer ecossistema, sempre resulta no desequilíbrio e na alteração da harmonia ambiental em um determinado nicho ecológico. O desmatamento e a retirada da vegetação são a grande causa da diminuição de alimentos para a fauna e os responsáveis pela morte e extinção de muitas espécies de nossos animais silvestres, tendo como conseqüência a diminuição da regeneração das espécies florestais pelo baixo índice de dispersão das sementes e frutos.

A retirada da vegetação ao longo dos rios, além de favorecer o assoreamento devido à erosão, provoca as enxurradas que carregam em suspensão materiais variados como detritos animais e vegetais, inseticidas e outros defensivos agrícolas que poderão causar a morte dos peixes e influenciar a qualidade da água. Os rios que, ao longo de seu trajeto, passam pelo interior de florestas, nativas ou plantadas, conduzem uma água mais limpa; carregam uma menor quantidade de íons e de partículas sólidas; transportam grande quantidade de ácidos húmicos que conferem à água uma coloração mais escuras, constituindo ambientes mais propícios para a fauna aquática. As relações entre animais e plantas têm indiscutível valor ecológico. As plantas dependem dos animais para a transferência dos grãos de pólen de uma planta para a outra, de uma flor para a outra, auxiliando na polinização das flores. Também a fauna tem sua importância fundamental para a regeneração das espécies vegetais pela dispersão das sementes que realizam. Ao efetuarem essa importante tarefa de ajudar na multiplicação das espécies, os animais encontram nas flores pólen, óleo, néctar e, nas plantas, frutos com polpas suculentas e sementes nutritivas para sua alimentação, ocorrendo naturalmente uma relação mútua entre animais e vegetais que ajuda a natureza a se recompor e garantir a sobrevivência das espécies. A Figura 20 mostra a interação entre animais e plantas

Figura 20. Beija-flor alimentando-se do néctar da planta e colaborando na dispersão do pólen

CONTINUA


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