|
|
|
A FLORESTA e os ANIMAIS Publicado pela AFUBRA Para que ocorra a interação positiva entre as espécies dos reinos animal e vegetal, o modo de dispersão das plantas e a relação entre seus frutos e os animais tem grande importância, uma vez que é necessário que ocorra uma identificação entre estes para que o fenômeno aconteça. No entanto, é importante compreender que os animais inicialmente alimentam-se da produção das árvores para depois realizar a dispersão. Os frutos e as sementes estão em condições de serem dispersados quando ocorre a frutificação, o que acontece através dos processos fisiológicos das plantas e compreende, desde a iniciação dos primórdios florais, a fecundação através da polinização, o crescimento, o amadurecimento dos frutos e a apresentação desses para os dispersores. Inicialmente ocorre, por parte dos animais, a predação ou pré-dispersão e essa pode ser causada tanto por alguns peixes, que também se alimentam de frutos, por anfíbios, répteis, insetos, aves e mamíferos que, após sua refeição, movimentam-se e carregam as sementes, distribuindo-as casualmente pela superfície. As principais características que as plantas apresentam para atrair os animais baseiam-se no acesso desses até os frutos. A cor, o peso, o tamanho, a palatabilidade e o conteúdo de nutrientes nos frutos são adaptações que as plantas possuem para determinar a escolha do tipo de frutos pelos animais. Os macacos frugívoros têm 90% de sua dieta alimentar baseada em frutos e sementes, triturando-os e dispersando-os ao longo do período em que as sementes estão maduras e encontram-se nas árvores. Na Figura 21 podem-se observar frutos de cor vistosa como atrativo aos insetos e aos animais frugívoros.
Figura 21. Frutos zoocóricos de pitanga Eugenia uniflora Os frutos imaturos não possuem sabor agradável devido à presença de compostos ainda não totalmente transformados, funcionando como protetor, e afastando os predadores e os dispersores até o momento em que as sementes estejam em condições de dispersão. Durante o processo de desenvolvimento dos frutos e sementes, as plantas produzem compostos secundários que funcionam como repelentes até a completa maturação. Durante a formação e desenvolvimento das sementes, as transformações químicas é que definem o índice bioquímico de maturação. Para a ecologia, o conteúdo bioquímico tem a função de perpetuar a sobrevivência das espécies, e o índice bioquímico com seus componentes é que vão definir a interação entre a planta e seu dispersor, através do paladar que confere aos frutos de cada espécie. Assim, os agentes dispersores são atraídos pelas características que os frutos e sementes apresentam, utilizando-os como fonte de alimentação.
Frutos grandes, pesados e ricos em polpas caem ao solo, sendo apreciados pelos roedores e outros animais que os transportam para grandes distâncias da planta mãe, propiciando a regeneração da espécie. Já os frutos pequenos, como os de pinheiro bravo Podocarpus lambertii, quando maduros são muito atrativos pelo arilo das sementes, sendo, por isso, transportados pelos seus dispersores. No estudo da dispersão de sementes e frutos, um aspecto importante a ser considerado é a fenologia, também conhecida como ritmo de frutificação das espécies. Em florestas tropicais e subtropicais, pode-se encontrar espécies frutificando durante o ano todo. Porém, existem diferenças nos meses dentro das estações e no número de espécies florescendo e frutificando. Esses fenômenos são causados pelos fatores ambientais, como precipitação, temperatura e luz, enquanto os fatores bióticos, como animais dispersores, predadores de frutos e sementes, também podem influenciar no ritmo de frutificação das espécies. De acordo com sua morfologia, os frutos são classificados em três categorias de dispersão: Frutos anemocóricos são aqueles que são dispersados pelo vento. Nesses, as sementes normalmente são aladas para serem melhor distribuídas pela ação do vento. Um exemplo é a semente do cedro, Cedrela físsilis, que não apresenta nenhum atrativo para os animais, sendo, por isso, sua dispersão de responsabilidade da própria natureza. Frutos zoocóricos - fazem parte do grande grupo de espécies, cuja dispersão é realizada pelos animais, como aves e mamíferos. Como exemplo desse grupo temos a pitanga-preta, Eugenia brasiliensis, e guabiju, Myrciantes pungens. Este tipo de dispersão, em muitos casos, é conhecido por endozoocórica, ou seja, o animal ingere o fruto e depois defeca as sementes que estão em condições de germinarem. Frutos autocóricos - são aqueles não adaptados para dispersão pelo vento ou pelos animais. Sua distribuição ocorre por gravidade, caso da Araucaria angustifolia, que embora seja dispersa pela gralha azul, apresenta regeneração natural à sombra da árvore-mãe. Nas florestas tropicais e subtropicais, a maioria das espécies são zoocóricas, variando de 60 a 90% da totalidade em relação a outras espécies com outros tipos de dispersão. Recentes estudos efetuados na bacia hidrográfica do rio Tibagi, no estado do Paraná, concluíram que, das 261 espécies estudadas, 67,8% apresentaram dispersão de suas sementes e frutos através dos animais. Por isso, grande número de insetos, coletando néctar, pólen, óleo, e substâncias odoríferas, e ainda de beija-flores ou morcegos, que também procuram néctar, são encontrados nessas florestas, auxiliando na polinização das flores. Depois, através da procura pelos frutos e sementes, colaboram também na dispersão das mesmas e na conseqüente regeneração natural das espécies.
CONTINUA |
|
|
|