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Fauna Rodovia SP-613 já matou 22 onças pintadas no trecho que atravessa o Parque Estadual Morro do Diabo, prejudicando projeto de pesquisa pioneiro.
Das 6 onças que portavam colares com de rádio-transmissores, 4 já foram mortas.
Campinas, SP - Um projeto pioneiro, apontado como referência internacional para os estudos de ecologia de mamíferos, está sendo prejudicado por falta de onças. Elas estão morrendo atropeladas na Rodovia Arlindo Bétio (SP-613), que corta em dois o Parque Estadual Morro do Diabo, no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo. O projeto chama-se "Detetives Ecológicos" e é realizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) desde 1997. Consiste no rastreamento dos caminhos percorridos pelos grandes mamíferos, através de rádio-transmissores instalados em colares, para orientar a política de formação de corredores de fauna entre as unidades de conservação e os fragmentos florestais das vizinhanças. Os corredores são o conceito mais moderno de conservação de fauna, em ecossistemas muito fragmentados, como é caso da Mata Atlântica. Nestes 4 anos de projeto, pesquisadores do Ipê colocaram os colares em 2 onças pardas, 6 onças pintadas, 10 antas e 11 jaguatiricas e estão produzindo mapas de circulação, para orientar a formação dos corredores, tanto no estado de São Paulo, como no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Mas o número de mortes de onças começa a preocupar. Das 6 que portavam colar, 4 já foram mortas, sempre na mesma estrada e exclusivamente no trecho que atravessa o parque. No total, com e sem colar, 22 onças foram encontradas mortas por atropelamento nos últimos 7 anos, o que dá uma média de 3 por ano. "Se acrescentarmos ainda as mortes naturais e os felinos mortos, mas não localizados, temos um sério risco de extinção local", diz Laury Cullen Júnior, coordenador do projeto. Segundo ele, o Morro do Diabo tem capacidade de suporte para 40 onças pintadas, mas não existem nem 10 na área. Ao contrário do que normalmente se pensa, a extinção de predadores não é bem vinda, nem indiferente para o equilíbrio de um ecossistema. As onças, como os outros predadores, cumprem um papel importante como reguladoras das populações de suas presas. A extinção resultaria na quebra do equilíbrio natural, com o crescimento populacional desordenado dos animais por elas caçados como alimento (capivara, paca e tatu, entre outras). Desequilíbrios semelhantes já foram observados em algumas áreas do Pantanal, que amargaram explosões populacionais de capivaras e proliferação de doenças daí decorrentes. As medidas para reduzir os atropelamentos na SP-613 são simples: colocação de redutores (lombadas) nos pontos com maior índice de atropelamentos, aumento da sinalização para os motoristas e manutenção adequada dos túneis de passagem de fauna por baixo da estrada e dos alambrados, que forçam os animais a passar por ali. Tanto os túneis como os alambrados já existem, mas não são mantidos pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Os pesquisadores e promotores locais do Ministério Público entraram com uma representação contra o DNER e obtiveram sentença favorável há 8 meses, mas até agora a determinação da Justiça não foi cumprida e as onças continuam morrendo. Liana John Leia
mais: A RENCTAS é um projeto que interliga diversas organizações nacionais e internacionais através da Internet, buscando difundir informações e articular campanhas e atividades contra o tráfico de animais silvestres no Brasil. Qualquer pessoa ou instituição podem fazer parte da RENCTAS, basta preencher e enviar a ficha de inscrição. Ao se cadastrar todos receberão o material informativo e de divulgação da rede.
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