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| Petrobras e IAP garantem que 80% da mancha já está retida 19/Julho/2000 - Transcrito do original de Luigi Poniwass - Jornal O ESTADO DO PARANÁ
Um contingente de 815 homens da Petrobras e 109 da Defesa Civil, em conjunto com o Corpo de Bombeiros, ONGs como o Greenpeace, a Rede Verde e a Fundação SOS Mata Atlântica e voluntários, além do Instituto Ambiental do Paraná, estão concentrando esforços para estancar o óleo em Balsa Nova, considerada um ponto-chave para o sucesso da operação. "Se o óleo passar de Balsa Nova, a coisa complica", advertia na tarde de ontem Mário C. Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, após sobrevoar a área. Depois de Balsa Nova, começam as primeiras corredeiras do Iguaçu, e o aumento de volume provocado por outros afluentes, como o Rio Negro, dificultam muito o trabalho de contenção. A partir daí, o óleo pode colocar em risco o abastecimento de União da Vitória, 330km adiante, que capta água diretamente do Iguaçu. No meio da tarde, o capitão Fábio Mariano de Oliveira, representando o coordenador da Defesa Civil Estadual, dizia que há 90% de chances de que a mancha seja contida antes de União da Vitória. "Mas estamos preparados para ampliar as ações, caso o óleo ultrapasse as barreiras de Balsa Nova e Porto Amazonas", informa o capitão. Mantovani não é tão otimista: "A Petrobras teve cinco chances de conter o óleo e não conseguiu, por que vai conseguir agora?", questionou. O ambientalista sugeriu a colocação de uma nova barreira em Balsa Nova, e ressalta que se não forem adotadas medidas adicionais, União da Vitória será fatalmente atingida. "Temos muito trabalho pela frente, um trabalho de emergência, artesanal, que vai precisar da ajuda de muita gente", observou. 80% contido
No final da tarde de ontem, o IAP informou que 80% da mancha estaria retida na 5.ª base de contenção, na localidade de General Lúcio, a 7km de Balsa Nova, onde foram instaladas duas barreiras na parte da manhã. A expectativa do instituto é de que o óleo pare na sexta barreira, em Balsa Nova. "A mancha está se deslocando num ritmo muito mais lento", confirmou o presidente do IAP, José Antônio Andreguetto. Por via das dúvidas, o governador Jaime Lerner determinou que a Sanepar elabore um plano de emergência para garantir o abastecimento de União da Vitória, caso a mancha atinja a cidade. De acordo com informações da refinaria, dos 4 mi-lhões de litros que vazaram, dois milhões e meio ficaram retidos no Rio Barigüi. Os 1,5 milhão de litros restantes se espalharam numa extensão de 30 quilômetros próxima à cabeceira do Rio Iguaçu. Até o início da noite de ontem, 341 mil litros de óleo haviam sido retirados do local. Quase incidente diplomático
Foz do Iguaçu (Sucursal) - O desastre ecológico provocado pela refinaria da Petrobras em Araucária poderia se transformar num grave incidente diplomático entre Brasil, Paraguai e Argentina caso a estatal não conseguisse drenar a mancha de óleo antes da foz do Rio Iguaçu, região onde os três países formam fronteira mútua. O Iguaçu deságua no Rio Paraná, que separa os países vizinhos até desembocar no Estuário do Prata, em cujas margens está localizada Buenos Aires. Os argentinos temiam uma possível catástrofe ecológica no país provocada pelo derrame de óleo. O Meio Ambiente da província (Estado) de Missiones, onde está localizada a cidade fronteiriça de Puerto Iguazú, entrou ontem em contato com o Ibama, em Curitiba, para saber informações sobre o iminente risco de contaminação dos rios da região por causa do vazamento. Segundo análises do Ibama e da Petrobras, essa possibilidade é remota. Mesmo assim, a Capitania dos Portos do Rio Paraná, o próprio Ibama em Foz e a diretora do lado argentino do Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu, estão acompanhando a situação. A mancha de óleo poderia comprometer toda a fauna aquática da região, causando perdas irreparáveis ao meio ambiente. Além do prejuízo à natureza, o vazamento causaria sérios danos ao turismo local. Uma das primeiras medidas seria a interdição do Parque Nacional do Iguaçu, tombado pela Unesco em 1986 como Patrimônio Natural da Humanidade. O Iguaçu é uma das maiores atrações turísticas do Estado. Considerada por ecologistas como a única área expressiva a proteger o ecossistema de mata subtropical no Sudoeste do País, a reserva apresenta um dos maiores índices de visitação de parques nacionais brasileiros, recebendo em média um milhão de visitantes por ano. O Iguaçu possui uma das maiores reservas florestais da América do Sul, com uma área de 185 hectares, dos quais 55 estão localizados no país vizinho. O Ibama em Foz já pediu ajuda da Itaipu para uma possível operação de contenção do derrame de óleo na região de Capanema, caso seja necessário. (Patrícia Iunovich)
Sanepar organizou plano A Sanepar está adotando um plano de emergência para garantir o abastecimento de água à população de União da Vitória, caso o óleo que vazou domingo da Refinaria da Petrobras em Araucária chegue até o município pelo Rio Iguaçu. Dependendo da intensidade da poluição, a Sanepar terá de interromper a captação do rio e fornecer água com caminhões-pipa. União da Vitória é a única cidade paranaense atendida pela Sanepar que capta água do Iguaçu. A previsão dos técnicos é de que a poluição chegue ao município no próximo domingo. Para diminuir os efeitos, a empresa está ajudando a instalar barreiras de proteção em diversos trechos no rio. Uma barreira maior vai ser montada em toda proximidade da estação de captação em União da Vitória. A estação local da Sanepar também atende o município vizinho de Porto União, em Santa Catarina. As análises que avaliam a qualidade da água captada na região estão sendo feitas a todo momento. Se for necessário utilizar caminhões-pipa, numa situação emergencial, a prioridade será dada a hospitais, escolas e creches.
Rio Iguaçu deixa rastro de
morte
"Encontramos essas aves, mais fáceis de localizar, porque os mamíferos e os pequenos roedores da região acabam morrendo no mato", observou o biólogo Luiz Carlos Cardoso de Lima, da Polícia Florestal. São os primeiros sinais da destruição provocada no ecossistema do Iguaçu, que segundo o biólogo é habitado também por capivaras, pacas, cotias, lontras e diversas espécies de aves e peixes. Os animais recolhidos vivos receberiam um banho com água morna e sabão, para depois ser enviados a um centro de triagem em Guajuvira. Parte deles também estão sendo enviados a zoológicos de Curitiba. Depois de recuperados, os animais serão devolvidos ao habitat natural, "num ponto do rio anterior ao vazamento", destacou Luiz Carlos. Uma coalisão de mais de 40 ONGs, organizada pelo deputado federal Luciano Pizzatto (PFL), também deve se associar a partir de hoje ao IAP nesse trabalho de minimização dos impactos ambientais. "A partir de amanhã (hoje) teremos a colaboração de um grupo de Porto Alegre, especializado no resgate de animais", adiantou Pizzatto. "Contaremos com uma equipe independente a cada 15km de rio, num total de 10 equipes cobrindo uma extensão de 150km, com material e infra-estrutura, para fazer o trabalho de resgate de animais e levantamento sócio-ambiental da área", acrescentou. Pizzatto contou que com esse levantamento, será feito um cadastro dos proprietários e da população comprovadamente atingida pelo acidente, para orientar possíveis ações de indenização. Passeio Público recebe aves Uma Narceja, duas Jaçanãs e um Martim-Pescador foram levados, ontem, ao Passeio Público para recuperação. As quatro aves são vítimas do desastre ecológico da Petrobras e foram apanhadas nas margens do Rio Iguaçu. Elas chegaram em péssimo estado e a expectativa de sucesso na recuperação é muito baixa. As quatro aves foram submetidas a um tratamento preliminar de eliminação parcial do óleo que impregnou o corpo e as penas, à medicação com aplicação de soro, corticóides e glicose, e a uma alimentação induzida. Segundo Rogério Lange, médico veterinário do Passeio Público e professor da UFPR, as aves foram encontradas quando a temperatura à margem do Iguaçu estava em -3ºC. Como toda a plumagem estava embebida em petróleo, as aves ficaram sem sua impermeabilização térmica e passaram a perder calor, deixando de se alimentar e consumindo o estoque de energia do corpo. "A queima de energia foi alta para manter a temperatura do corpo. Elas vieram em crise de hipotermia, quase em estado de choque", disse. Elas estão sendo mantidas em ambiente aquecido e aguarda-se a chegada de outras aves hoje. A área de ação do derrame de petróleo é cada vez maior, atingindo toda a flora e fauna ao longo do leito do Iguaçu, o número de vítimas do desastre não foi calculado até agora. Monitoramento Técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) estão fazendo o monitoramento da área atingida pelo vazamento em Curitiba. Ontem, a mancha de óleo que cobria os rios Barigüi e Iguaçu no município já havia diminuído, mas os danos ambientais ainda estão sendo apurados. "Além da deposição de sedimentos no fundo do rio, o óleo contém metais pesados que podem afetar animais aquáticos e terrestres, contaminar a vegetação ciliar e o solo em áreas próximas", explica a diretora de Pesquisa e Monitoramento da SMMA, Marilza de Oliveira Dias. Uma equipe do Zoológico também está de prontidão no local, em conjunto com o Ibama, para resgatar animais contaminados pelo óleo. Segundo estimativa do Ibama, cerca de 200 aves de espécies como o biguá e o martim-pescador já haviam sido resgatadas. (Jonas Bach Júnior) Para Gabeira, faltou preparo O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), integrante da Comissão Parlamentar de Meio Ambiente, que esteve ontem acompanhando de perto os estragos provocados pelo vazamento de óleo da Repar, em Araucária, criticou a maneira como a refinaria enfrentou o problema.
"Apesar da retórica da Petrobras, ficou evidente que faltou equipamento, planejamento e treinamento de equipe para cuidar do caso", disparou. Uma amostra desse despreparo apontado pelo deputado foram as bóias utilizadas nas bases de contenção: "Estão usando bóias marítimas num rio", comentou. "Esqueceram que o rio corre, essas bóias são inadequadas." Informado de que a Petrobras/Repar acaba de receber o certificado ISO 14001, reconhecimento internacional como "empresa que equilibra as necessidades de lucro e resultado com o atendimento de qualidade de vida de empregados e comunidade através da proteção ao meio ambiente e de práticas industriais seguras", Gabeira foi taxativo: "É preciso investigar a empresa ou instituição que concedeu esse certificado". O deputado acrescentou que o acidente poderia ser evitado, se a Petrobras utilizasse um software de controle automático de vazamentos. "Esse programa já existe no Brasil, é produzido em Sertãozinho, interior de São Paulo, e utilizado com sucesso no abastecimento de Fortaleza." O dispositivo possui sensores que detectam qualquer alteração de pressão, interrompendo o fluxo de óleo. "Infelizmente, a Petrobras preferiu economizar", resumiu. "Enquanto não existirem sistemas inteligentes em ação, continuaremos reféns de possíveis falhas humanas. Não dá para dizer que isso tudo não passou de mais uma fatalidade", concluiu Gabeira. Ironia Na quinta-feira passada, dia 12 de julho, a Petrobras participou de um Encontro Internacional de Meio Ambiente, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A empresa foi convidada para falar sobre o seu programa de excelência ambiental. (LP)
Meio ambiente Dezenas
de aves e peixes foram encontrados mortos ontem na região de Araucária Dezenas de aves e peixes foram encontrados mortos ontem por equipes que realizam o trabalho de resgate de animais em vários pontos do Rio Iguaçu atingidos pela mancha de óleo proveniente do vazamento na refinaria da Petrobrás em Araucária. Apesar de frágeis, as aves podem ser capturadas das barrancas do rio. Já capivaras, pacas, cutias, lontras e lagartos, entre outras espécies, aparecerão mortas na mata nos próximos dias, sem chances de resgate. Ontem, no posto da Petrobrás em Guajuvira, a 35 quilômetros de Curitiba, foi montado um serviço de atendimento improvisado para salvar aves recolhidas das águas. Hoje elas serão encaminhadas ao zoológico do passeio público, em Curitiba. Catarina da Silva, auxiliar de enfermagem residente em Guajuvira há 30 anos, foi a primeira a moradora da região a dar assistência às aves encontradas às margens do Iguaçu. Com um grupo de outras voluntárias, na segunda-feira à noite ela fez um trabalho de limpeza nos animais com sabão neutro e água morna, esquentando-os do frio em uma estufa que utiliza para criar faisões.
Muitas morreram O esforço dos voluntários para retirar o excesso de óleo cru que encobria o corpo diversas espécies de aves não impediu, porém, que dezenas delas acabassem morrendo. Caso as equipes da Petrobrás para apoio à comunidade tivessem chegado mais cedo ao local, segundo os moradores e voluntários, o trabalho de resgate poderia ser executado com maior sucesso. A chegada destes técnicos mais cedo, segundo agricultores, permitiria que os moradores da região estivessem melhor informados quanto aos riscos que podem estar expostos por causa da mancha. Silvio Furman, de 54 anos, há 30 morando em Guajuvira, diz que cria gado que bebe da água do Rio Iguaçu. O morador considera a situação caótica e afirma não saber o que fará em situações de seca, quando ribeirões próximos secam. José Marques Moreira Filho, que coordenou o trabalho de recuperação ambiental da Baía de Guanabara, é o responsável pelo mesmo tipo de serviço com a comunidade vitimada pelo acidente no Rio Iguaçu. Ele garante que o impacto ambiental causado pelo acidente a pessoas como Furman e outros moradores serão avaliadas criteriosamente. O coordenador não sabe quanto tempo levará para que a natureza permita a recuperação do Iguaçu, mas adianta que os danos são mais difíceis de se reparar, se comparados aos da baía de Guanabara, onde a mancha podia ser contida sem afetar de forma tão grave a fauna e a flora da região.
Dano poderia ser
controlado O vazamento de óleo da refinaria da Petrobrás, em Araucária, poderia ter sido controlado imediatamente se o Brasil tivesse um sistema de monitoramento para detectar e mapear manchas de óleo em rios, através de imagens de satélite. O autor do projeto do sistema de vigilância e pesquisador do programa de energia da Universidade de São Paulo (USP), Guido Luporini, chega hoje a Curitiba para avaliar o esquema de controle adotado pela empresa para conter o vazamento. O projeto do pesquisador foi apresentado durante tese de mestrado, na USP, em 1996 e é o primeiro modelo de sistema de vigilância de água doce do país criado para identificar vazamentos de óleo em tempo real. A rede utilizaria sensores para apontar os locais com óleo e mapear as manchas, auxiliados por um sistema de transmissão de dados, satélite e até aeronaves. A principal vantagem, segundo ele, seria a possibilidade de mapear a densidade da mancha, para onde está se alastrando e agir imediatamente para evitar um acidente ambiental de grandes proporções. O custo do projeto, segundo Luporini, gira em torno de US$4 milhões.
Especialistas constatam várias falhas Entre elas está a falta de um plano integrado de emergência
Mesmo antes de ter conhecimento dos detalhes do procedimento da Petrobrás para conter a mancha, o pesquisador em energia életrica da Universidade de São Paulo (USP), Guido Luporini enumera várias falhas, como a falta de técnicos especializados e de equipamentos adequados, além da falta de um plano integrado para ser adotado em casos de emergência. Segundo ele, várias alternativas mais eficazes do que as barreiras de contenção que foram colocadas nos rios Barigüi e Iguaçu, poderiam ser adotadas. "As barreiras são medidas tradicionais empregadas em vazamentos marítimos, onde a velocidade da àgua é mais lenta do que em um rio", compara Luporini. Outros técnicos da área também criticam o trabalho da empresa. Para o professor do programa de pós-graduação em energia elétrica da USP, Edimilson dos Santos, uma das soluções seria desviar a mancha para fora do rio e provocar um incêndio controlado às margens, barrando o óleo e evitando que ele afetasse outras áreas. Outra opção, apontada por ele, seria cavar uma vala ao lado do rio para jogar parte da mancha. Um maior número de barreiras de contenção também poderia retardar o avanço da mancha. Instaurado inquérito policial A Delegacia de Proteção do Meio Ambiente do Paraná abriu ontem inquérito policial para apurar as causas do acidente na Petrobras/Repar. Técnicos do Instituto de Criminalística estiveram sobrevoando a área afetada na tarde de ontem. De acordo com o delegado adjunto Naylor de Lima, os trabalhos devem ter início efetivo hoje, quando os técnicos estarão percorrendo e conhecendo a estrutura da Petrobras. "É preciso ver se houve negligência, omissão, enfim, o que aconteceu", comentou Lima. O prazo legal para a conclusão do inquérito, de acordo com o delegado, é de 30 dias. Também o Ministério Público Federal, o Estadual, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), algumas ONGs ambientais nacionais e estaduais deverão estar representados em uma comissão mista, que apurará os danos ambientais. "Poderemos até constatar outras infrações e aplicar outras multas com relação à reincidência e danos à flora e fauna", afirmou José Antônio Andriguetto, presidente do IAP. Nesse caso, além da multa de R$ 50 milhões, poderia haver outras com valores neste mesmo montante. "Nosso objetivo é que haja a transparência total. É obrigação da Petrobras assumir toda a responsabilidade", comentou. De acordo com Andriguetto, a Repar já havia sido multada no início do ano pelo mesmo motivo: vazamento de óleo. O valor da multa foi de R$ 200 mil. (Lyrian Saiki)
Capital vai exigir parque O prefeito Cássio Taniguchi disse ontem que Curitiba vai exigir da Petrobras um sistema definitivo de prevenção de acidentes para impedir novos danos ecológicos à região, tão logo termine a ação emergencial de retirada do óleo do rio e limpeza dos terrenos. A Prefeitura quer que a empresa construa um parque com lagoas de contenção - o Barigüi-Sul, no trecho de 5 km do Rio Barigüi, na divisa de Curitiba com Araucária, local afetado pelo vazamento de óleo da Refinaria Getúlio Vargas. O parque seria dotado de toda a infra-estrutura para conter eventuais vazamentos de óleo ou de outros poluentes. Caso ocorra um novo acidente, o sistema de contenção do parque funcionaria como uma barreira para evitar que o vazamento alcance a bacia do rio Iguaçu, que corta o Paraná em 800 Km de extensão. O projeto do novo parque inclui a criação de acessos rápidos para os municípios de Curitiba e Araucária, lagoas de contenção e a instalação de um sistema de segurança que inclui equipamentos e pessoas preparadas para dar resposta imediata em caso de acidente. Domínio público Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, a proposta de criação do parque deve ser encaminhada à Petrobras em duas semanas. "A idéia é fazer com que toda esta área seja passada para o domínio público dos municípios de Curitiba e Araucária. Temos uma equipe de técnicos trabalhando no levantamento topográfico de toda a região." O estudo inclui os custos da descontaminação, a delimitação do parque, o levantamento dos valores das áreas que deverão ser desapropriadas e o custo das obras. Nos próximos dias, a prefeitura de Araucária e o Instituto Ambiental do Paraná devem ser contatados para que participem do projeto.
"Faltou o plano de contigência"
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andriguetto, acusou ontem a Petrobras por não apresentar plano de contingência, o que poderia ter evitado o desastre ambiental. "Deveria ter. E se tinha, mesmo assim não foi possível conter o vazamento", criticou Andriguetto. Para o superintendente da Petrobras/Repar, Luiz Valente, no entanto, a empresa conta sim com o referido plano. "Se não houvesse, não teria como fazer essa mobilização em 48 horas", rebate. "Ontem (segunda-feira) havia faixas contínuas, mas hoje (ontem) apenas óleos esparsos", comentou Albano Gonçalves, diretor da Petrobras. Questionado sobre se a Refinaria não deveria contar com os equipamentos de contenção e absorção do petróleo, em caso de vazamento, Gonçalves foi taxativo. "É impossível ter todos os equipamentos em cada uma das refinarias. É por isso que mantemos o convênio com a Clean Caribbean Cooperation", defendeu, referindo-se ao contrato com a empresa canadense que trouxe equipamentos e técnicos para Araucária a fim de contornar a situação. (Lyrian Saiki)
Petroleiro culpa "enxugamento"
Alegando que a Petrobras vem adotando a "política de enxugamento" nos últimos anos, o presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Paraná e Santa Catarina, Helio Luiz Zaidel, acusa a empresa de dar margem para que acidentes como o que aconteceu em Araucária voltem a se repetir. "Essa tragédia poderia ter acontecido em qualquer uma das 11 refinarias", apontou. Segundo Zaidel, nos últimos 20 anos o número de funcionários da Repar diminuiu de 1,2 mil para 580. "Enquanto a empresa não rever esta política, não mudar, novos desastres vão estar acontecendo", denuncia. "Há dois anos havia um posto de trabalho que atuava na área do cru (onde aconteceu o vazamento), mas que foi extinta por `reestruturação da empresa" lembra Zaidel. "Se tivesse um operador trabalhando na área, tenho certeza de que o acidente poderia ter sido evitado", aposta. O número de funcionários no setor do cru, de acordo com Zaidel, baixou de 14 para 8. Outra falha apontada pelo presidente do Sindipetro diz respeito a uma válvula de segurança que, em condições de risco, deveria ser acionada. "É uma válvula automática. Se houvesse um funcionário encarregado dessa função, também poderia ter se evitado", aponta. Zaidel não descarta ainda que haja demissões logo depois de apurado o caso. "Eles vão acabar culpando os funcionários. Para a Petrobras, qualquer falha é sempre humana", lamenta.
Não procedem
Para o diretor da Petrobrás, Albano de Souza Gonçalves, no entanto, as informações fornecidas pelo presidente do Sindipetro não procedem. "A grande maioria dos acidentes é causada por falha humana", rebateu o diretor. "Um dos grandes benefícios da automação é o aumento da segurança", acrescentou. Segundo Gonçalves, 67% dos acidentes são causados por falha humana, enquanto outros 33% são por falhas de equipamentos. Quanto à extinção do posto, o superintendente da Repar, Luiz Valente Moreira, alega que "a responsabilidade de checar é da central de controle" e que o fechamento de um posto não chega a afetar o serviço dessa central. Com relação à válvula de segurança, Valente também nega que o acidente pudesse ter sido evitado, como alegou o presidente do Sindipetro. (Lyrian Saiki)
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