GAZETA DO POVO - 20/Julho/2000

Refinaria pode perder certificação IS0-14001

Consultor propõe que a certificadora faça uma nova auditoria

A refinaria Presidente Getúlio Vargas poderá perder o certificado ISO14.001 se a empresa responsável pela certificação concluir, através de análise, que houve negligência nos procedimentos adotados pela empresa no caso do vazamento do óleo. A análise é do consultor Mário Alberto Mendes, que presta assessoria para empresas que querem obter o certificado.

O consultor destaca que a ISO 14.001 significa que a empresa possui requisitos mínimos de qualidade ambiental, mas isso não significa excelência. "Se o certificado fosse sinônimo de excelência, a Petrobras teria que perder o ISO porque mostrou que não tem um plano de emergência nos moldes do que é exigido para certificação", observa ele, citando o caso de uma empresa de Curitiba, sem revelar o nome, que teve o certificado ISO 9000 cancelado depois de uma auditoria feita pela empresa de certificação.

Segundo Mário Mendes, só existem 6 empresas do Paraná com certificado ISO 14.001, concedidos por 15 organismos de certificação. Ele acredita que se a Refinaria não tivesse o certificado, os prejuízos seriam maiores, mas isso não a isenta de culpa. O consultor sugere que o organismo responsável pela emissão do ISO inicie uma investigação para verificar se a Repar está colocando em prática um sistema de gestão ambiental para prevenir a poluição e evitar acidentes.

Meio Ambiente Repar já recebeu notificação do Ministério Público para prestar depoimentos
Mancha de óleo é contida em Balsa Nova
Presidente da Petrobras nega que redução de pessoal tenha sido causa de acidente

Lenise Aubrift Klenk

O óleo que vazou no domingo do duto da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, não ultrapassou o sexto dos oito pontos de barreiras instalados nos rios Barigüi e Iguaçu. De acordo com técnicos que trabalham na contenção da mancha, a maior parte do óleo está concentrada em General Lúcio, a 28 quilômetros do local do vazamento. O último ponto onde o resíduo chegou foi em Balsa Nova, a 44 quilômetros da refinaria.

O presidente da Petrobrás, Philippe Reichstul, fez ontem a segunda visita à área atingida desde o acidente. Segundo ele, embora o avanço da mancha de óleo tenha sido contido entre Araucária e Balsa Nova, duas novas barreiras foram instaladas como medida de segurança em Porto Amazonas e São Mateus do Sul.

De acordo com a Defesa Civil, a velocidade da mancha pelo rio, que já chegou a ser de 800 metros por hora, está entre 300 e 500 metros por hora. Segundo a diretoria da Repar, dos quatro milhões de litros de óleo cru que vazaram, 816 mil litros foram recuperados e ainda restariam cerca de 300 mil litros no leito do rio. Dois terços do total - cerca de 2,6 milhões de litros - teriam ficado retidos na refinaria.

Pelo menos 1.600 homens já foram contratados pela Petrobrás para trabalhar na contenção da mancha e na recuperação do rio, prevista para estar concluída até quarta-feira. A empresa não divulgou os prejuízos e gastos com a operação. Segundo Reichstul, os negócios com o mercado ainda não foram prejudicados porque o abastecimento continua com o estoque mantido pela Repar. Reichstul garante que não haverá economia de recursos para possibilitar a reparação integral dos danos causados.

A Repar já recebeu notificação do Ministério Público para prestar depoimentos. O presidente da Petrobrás diz que vê com "naturalidade" as ações de órgãos públicos como Polícia Civil e Ministério Público para investigar a responsabilidade pelo acidente. "Cada órgão tem seu papel institucional e devemos respeitar a lei ambiental em vigor", afirma.

Reichstul disse que a empresa recebeu na terça-feira notificação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre a multa de R$ 50 milhões, mas não comentou a possibilidade do valor ser aplicado em dobro, conforme declarações do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Sobre as causas do acidente, Reichstul nega que alguma falha possa ter ocorrido como conseqüência de redução de pessoal. Segundo o presidente da Petrobrás, as ações de contenção de gastos feitas pela empresa não incluem o corte de funcionários.

Meio-ambiente Ministério Público pede perícia para identificar todos os danos
Prejudicados devem ser indenizados
Procuradores já protocolaram ação contra a Petrobrás na Justiça Federal

Clarissa Lima

O Ministério Público Federal no Paraná e a Promotoria do Meio Ambiente em Curitiba ajuizaram ontem na Justiça Federal uma ação cautelar, requerendo a produção de provas que possam ser usadas, nas próximas semanas, como base para uma ação civil pública contra a Petrobras. A ação cautelar é assinada ainda pela promotora Stella Maria Flores Floriani, da 1.ª Promotoria de Justiça de Araucária.

Stella explica que o juiz irá indicar um perito para a produção das provas necessárias. Estas provas serão usadas no preparo de uma ação civil pública, que, além de buscar os responsáveis pelo vazamento de quatro milhões de litros de petróleo no Rio Iguaçu, também deverá concentrar pedidos de indenizações de pessoas e empresas que tiveram prejuízo com o acidente. Segundo Stella, concentrar os pedidos numa só ação torna mais rápido o resultado. "A Petrobras pode firmar um termo de compromisso que poderá abreviar o processo", explica.

Para o procurador João Gualberto Garcez Ramos, do Ministério Público Federal no Paraná - que assina a ação cautelar -, além da antecipação da produção de provas, a ação ajuizado ontem permite que desde já fique estabelecido o foro federal para ações envolvendo o acidente. "O Rio Iguaçu é interestadual e também internacional, pois banha ainda a Argentina", justifica.

Ontem, o governador Jaime Lerner disse que o governo estadual irá pedir, através de uma comissão formada por órgãos do governo, ongs e o Ibama, que o Ministério Público ajuize uma ação civil pública. Esta comissão ainda não esteve reunida.

Tanto Stella como o procurador Ramos sustentam que a Petrobras mostrou despreparo para evitar e conter o vazamento. Eles dizem que sobrevoaram o local do acidente e notaram a demora e a falta de um plano de ação pronto para ser usado após o acidente. A ação também exigirá que a Petrobras execute um plano de recuperação da área atingida.

Inquérito criminal é instaurado
O Núcleo de Investigações Criminais do Ministério Público Federal no Paraná instaurou também ontem uma investigação criminal sobre o vazamento de óleo na Repar. Os promotores do Núcleo já haviam requisitado à Polícia Federal, no início da semana, a instauração de um inquérito policial. O resultado do inquérito criminal irá subsidiar uma eventual ação pública por crime ambiental.

Um outro inquérito, desta vez civil, foi instaurado ontem pelo procurador, para investigar as causas, responsabilidade e extensão dos danos do desastre ecológico. O inquérito civil público também poderá gerar os elementos necessários para a propositura da ação civil.

A Delegacia de Meio Ambiente de Araucária já havia instaurado um inquérito policial para apurar as responsabilidades sobre o acidente. Hoje, às 14 horas, a diretoria da Repar deverá comparecer ao Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente, em Curitiba, para apresentar documentos que foram requisitados pelo Ministério Público.

Nova técnica combate a poluição
Engenheiros aprovam a descoberta de professor da PUC/PR

O médico curitibano Victor Bauer Jr., 40 anos, cirurgião cardíaco do Hospital Cajuru, procurou, logo após o acidente na Repar, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para demonstrar uma idéia criada por ele para ajudar a conter o óleo no Rio Iguaçu. Ontem à tarde, Bauer esteve apresentando sua invenção para técnicos e biólogos do IAP. À noite, os técnicos do órgão iriam tentar uma demonstração para os engenheiros da Petrobras, que estão trabalhando na contenção do acidente da Repar.

Bauer, que já foi professor de física e química, resolveu investir numa solução biológica para conter o óleo. Ao invés de caros produtos importados dos Estados Unidos e Canadá, ele provou que penas de aves são bastante eficientes para conter o avanço do petróleo, tanto em rios como no mar. "A pena é um ótimo absorvente. Faz o produto escoar mais lentamente, não deixando que ele se dilua, afunde ou fique aderido ao fundo do rio e nas árvores", explica o médico.

José Tadeu Motta, biólogo do IAP, considerou a idéia de Bauer "bastante interessante" e possível de ser colocada em prática. "Só não sabemos se ainda será necessário usar este sistema no Rio Iguaçu, mas, de qualquer forma, pode ser uma boa idéia para ser levada adiante pela Petrobras", diz. Motta disse que as maiores vantagens de se usar as penas na contenção do óleo é que o material é natural, barato e de fácil obtenção, já que o Brasil possui várias granjas e abatedoros de aves.

Victor Bauer explica que as penas podem ser jogadas na água de forma confinada, "invólucras em redes de pesca".

Argentina preocupada com derrame
O temor é de que o óleo atinja as cataratas

Buenos Aires (AFP) - As autoridades argentinas manifestaram ontem a sua preocupação com a possibilidade de que o vazamento de petróleo ocorrido no estado do Paraná chegue as famosas Cataratas do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina.

Marcelo López Alfonsín, secretário executivo de Parques Nacionais, afirmou à imprensa que "a velocidade" com que avança o petróleo derramado é "preocupante" e exige a adoção de "medidas imediatas". Os quatro milhões de litros de petróleo que vazaram da refinaria da Petrobrás, em Araucária seguem pelo rio Iguaçu em direção às Cataratas, declaradas Patrimônio Natural da Humanidade. López Alfonsín disse que o governo argentino espera que o Brasil detenha a água contaminada fechando uma das quatro represas que tem no rio Iguaçu, para permitir os trabalhos de limpeza.

Ontem à tarde a situação já estava sob controle, e definitivamente as autoridades brasileiras tranquilizam os argentinos mostrando que o óleo não vai chegar até as cataratas.

Ocorrência de chuva preocupa ambientalistas
Aumento do nível do rio pode levar óleo às margens, atingindo animais

A partir de domingo pode chover em todo o Paraná. A previsão é do canal internacional de televisão especializado em meteorologia Wheather Channel. Apesar de a chuva não prejudicar os trabalhos de contenção da mancha de óleo, pode trazer prejuízos sérios à fauna das margens do Iguaçu, na opinião de ambientalistas, porque o aumento no nível da água fará a mancha de óleo atingir braços do rio até então protegidos, atingindo os animais.

A Petrobrás afirmou ontem que até a próxima quarta-feira deve ter a mancha de óleo sobre controle em toda a extensão do Rio Iguaçu, mesmo com a previsão da chuva para o próximo domingo. Ambientalistas acreditam que isto seja realmente possível porque o óleo não dispersará de forma mais intensa pelo leito do rio.

José Paulo Loureiro, engenheiro agrônomo especialista em recuperação ambiental, diz que o prejuízo à fauna e à flora do Iguaçu serão notados rapidamente com a chuva, porque o maior nível da água atingirá várzeas até então protegidas da poluição. Com as chuvas, segundo o ambientalista, aves e outros animais poderão aparecer com o corpo coberto de óleo ou mortos também nestas regiões, que antigamente serviam como filtros biológicos da natureza.

Kátia Fernandes, meteorologista do Wheather Channel, que transmite o tempo para todo o mundo a partir de Atlanta, nos Estados Unidos, lembra que uma frente fria atingirá a região Sul do Brasil no sábado, entrando no Paraná por Santa Catarina. Em Curitiba e outras cidades do Sul e Sudoeste do estado o tempo pode se tornar instável já no domingo. É impossível se prever, entretanto, quando choverá neste período.

Meio ambiente Prejuízos à natureza causados pelo vazamento de óleo da Repar deverá permanecer ainda por muito tempo
Monitoramento do Iguaçu deve ser feito por seis meses
Relatório sobre os danos só fica pronto depois de concluída a recuperação imediata do rio

Jorge Javorski

O Rio Iguaçu deve ser monitorado constantemente por ambientalistas nos próximos seis meses. Este é o período para que eles tenham um relatório mais completo sobre os danos provocados pelo vazamento da mancha de óleo, da refinaria da Petrobrás, em Araucária, à fauna e à flora da região. Os prejuízos reais provocados pela tragédia para peixes, mamíferos, aves, insetos e toda flora, porém, ainda não podem ser calculados. Os detalhes de como será feita a operação foram discutidos ontem à tarde, em reunião de biólogos e outros ambientalistas com o governador Jaime Lerner.

Diversas organizações não-governamentais estarão envolvidas no trabalho de recuperação do Rio Iguaçu. O trabalho precisa, segundo ambientalistas, contar com todo o apoio da Repar e inclusive da comunidade de cada região atingida pelo acidente. Desta forma, o bicho que for resgatado em condições de tratamento nos postos alternativos montados nas localidades recebem atenção de voluntários e técnicos. Aqueles que apresentarem quadro de saúde mais grave são levados para o zoológico do Passeio Público ou para o Centro de Triagem de Animais Silvestres da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Mortandade
Luiz Cesar Machado, coordenador geral deste centro de triagem, adverte que a médio prazo serão notados importantes problemas no ecossistema do Iguaçu por causa do vazamento de óleo. E num período de tempo ainda desconhecido, para o biólogo, aparecerão situações mais graves, com a mortandade de diversas espécies que constituem a cadeia alimentar dos animais das águas do Iguaçu.

Fazem parte desta cadeia alimentar, servindo de alimento para muitos animais de habitat aquático, segundo o biólogo, pequenos moluscos, insetos, muitas espécies de invertebrados e inclusive espécies vegetais que, contaminadas, empobrecerão o ecossistema do Iguaçu, segundo Cesar Machado.

Tentar resgatar estes animais é um desafio que muitas vezes acabará frustrado, segundo Cesar Machado, mesmo quando as pessoas já não se lembrem mais do acidente sem precedentes ocorrido no Rio Iguaçu. Por isto, acrescenta, o mapeamento do rio deve começar sem perda de tempo.

Fauna
São várias as espécies de peixes que vivem no Rio Iguaçu.
As mais comuns são: lambaris, bagres, traíras e carás.
Os mamíferos que vivem nas proximidades do rio também podem ser prejudicados pelo óleo.
As espécies de mamíferos que vivem na região são: pacas, cutias, lontras e capivaras.
Algumas aves também podem ser afetadas pela contaminação do Rio Iguaçu.
As espécies mais comuns na região são: martim-pescador, socós, patos selvagens, garças, tesourinhas, biguás.
Outras espécies animais que vivem no rio: lagartos, aranhas, caranguejos, mexilhões e baratas d'água.

Voluntários resgatam animais e orientam a população
Representantes de organizações não-governamentais percorreram a área afetada de barco

Patrícia Ribas

Vazamento PetrobrasUm grupo de 19 organizações não-governamentais iniciou ontem um trabalho de resgate de animais e orientação da população que vive nas regiões afetadas pelo vazamento de óleo da Repar no domingo. No início da tarde, 40 voluntários, divididos em oito equipes, percorreram em barcos todo o trecho do Rio Iguaçu atingido pelo acidente, desde a primeira barreira de contenção, ainda na área da refinaria, até a quinta barreira, em General Lúcio - um dos pontos de maior concentração de óleo. Até ontem, a mancha de petróleo estava contida em Balsa Nova e, de acordo com técnicos da Petrobrás e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), possivelmente já controlada.

Na busca de ontem, os voluntários recolheram 10 animais - duas tartarugas e oito aves. Os animais, apesar de cobertos de óleo, estavam vivos. Eles receberam um atendimento de emergência ainda no local onde foram recolhidos e em seguida foram enviados ao Zoológico de Curitiba. "A cidade toda deveria estar aqui ajudando a limpar o rio", afirma a médica veterinária Mariângela Gusso Gralik, uma das voluntárias. Ela diz que o trabalho de retirada e limpeza dos animais é difícil, mas gratificante. "A situação do acidente é triste demais, toda assistência que pudermos dar é válida", afirma Mariângela.

FOLHA DO PARANÁ
Briga Prejudica Resgate dos Animais
Uma disputa política envolvendo ONGS ambientalistas, Petrobrás e Ibama, está atrasando e comprometendo os resultados das operações de resgate de animais atingidos pelo vazamento de óleo da Repar. Enquanto estas três facções disputam o controle da coordenação do trabalho, aves e mamíferos de pequeno porte continuam morredo nos Rios Barigui e Iguaçu.

A principal causa da disputa foi a assinatura de um contrato entre a estatal Petrobrás e a organização não governamental Instituto Ecoplan, entidade criada pelo Deputado Federal Luciano Pizzatto, presidente da frente ambientalista parlamentar. A medida desagradou as Ongs ambientalistas paranaenses.

Foi uma manobra para apresentar Pizzatto como salvador da pátria, disse à FOLHA um ambientalista que não quis se identificar. As entidades consideram a Ecoplan sem "história e competência" para coordenar uma operação de resgate de animais.

O Instituto Ecoplan já recebeu R$ 500 mil para esta tarefa.

Ribeirinhos
De acordo com o presidente da Ecoplan, associação que deu apoio operacional aos voluntários, Marco Aurélio Ziliotto, além das pessoas que trabalharam ontem, já há mais 50 voluntários inscritos interessados em trabalhar na recuperação das áreas afetadas com o acidente. "A procura realmente nos surpreendeu, creio que as pessoas querem mesmo ajudar, estão sensibilizadas com a questão", diz Ziliotto.

Além de recolher animais, os voluntários distribuíram questionários à população ribeirinha. A intenção do grupo é descobrir quais as principais dúvidas destas comunidades quanto ao vazamento e a partir daí direcionar programas de orientação e educação ambiental a essas pessoas. "Notamos muitas crianças próximas às áreas contaminadas com óleo, muitas destas famílias não fazem idéia de como isso pode ser perigoso para a saúde", afirma Ziliotto. Ele também afirma que o grupo notou vários incêndios ao longo do rio. "A população não sabe que isso os coloca em risco", diz. "É para isso que buscaremos um perfil destas comunidades, para orientá-los da melhor maneira". Ontem, o grupo distribui 100 questionários.

Hoje eles seguem novamente o trajeto de barco, desta vez dando mais atenção à quarta, quinta e sexta barreira, áreas onde a concentração de óleo é maior. As organizações também devem montar um espaço para atendimento emergencial de animais em Balsa Nova. Ziliotto afirma que não há dinheiro da Petrobrás envolvido nos trabalhos, mas que os grupos estão arrecadando todas notas fiscais envolvidas nas ações e que posteriormente devem pedir um ressarcimento à estatal.

95% dos animais resgatados morreram nos últimos dois dias
Biólogo da Polícia Florestal diz que maioria morre por hipotermia

O biólogo da Polícia Florestal Luiz Carlos Cardoso de Lima afirma que cerca de 95% dos animais resgatados do Rio Iguaçu ontem e na terça-feira morreram. Ele diz que os animais contaminados pelo petróleo, especialmente as aves, são retirados do rio muito fracos e a maioria morre em função de problemas de temperatura - a temperatura dos corpos cai demais e eles sofrem hipotermia.

"Uma das maiores preocupações durante o trabalho de resgate é manter os animais aquecidos", afirma Lima. Ele conta que o processo de salvamento começa assim que o animal é recolhido do rio. Ainda no barco onde está a equipe, tenta-se retirar o máximo de petróleo possível com esponjas e pedaços de tecido, principalmente nas regiões próximas às narinas dos bichos. Depois disso, antes de serem encaminhados para o Zoológico de Curitiba, onde recebem atendimentos mais especializados, eles são lavados com água morna e um tipo apropriado de detergente. Em seguida é aplicado óleo vegetal - está sendo usado canola - nos animais, para retirar últimos resíduos de petróleo.

"O processo é complicado porque a maioria dos animais chega encharcado de sujeira", afirma Lima. Ele conta que para a limpeza de uma ave suja de petróleo, por exemplo, gasta-se cerca de 200 litros de água. Hoje um novo tipo de detergente, trazido dos Estados Unidos, será testado nos animais resgatados.

O médico veterinário Manoel Lucas, do Zoológico de Curitiba, afirma que cinco das nove aves levadas na terça-feira para o zoológico morreram pouco depois de chegarem. Ele explica que manter a temperatura dos bichos constante é uma tarefa bastante difícil. "Eles chegam muito debilitados, é quase impossível que resistam", justifica o biólogo.

Moradores
Desde tera-feira, técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Polícia Florestal e Polícia Civil percorrem as margens do Rio Iguaçu na busca por animais intoxicados pelo óleo ou mortos. Na terça-feira, eles recolheram nove bichos, que foram encaminhados para o zoológico. Ontem, a equipe teve problemas com os barcos e precisaram interromper as buscas. "Nosso trabalho deve continuar por pelo menos mais dez dias", afirma o biólogo Lima, que participa das operações.

A cozinheira Neusa da Silva Leite, moradora do jardim Ana Cristina, área próxima à terceira barreira de contenção colocada pela Petrobrás, em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), ontem acompanhava o trabalho de resgate de animais feito pelos técnicos do IAP e da Polícia Florestal. Ela diz que desde domingo não viu mais nenhum dos pássaros que costumavam povoar a região. "Aqui tinha muita garça branca, biguás, achei uma tragédia o que fizeram com os bichos", lamenta Neusa.

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18070004.gif (1014 bytes)Veja matéria do vazamento causado pela PETROBRÁS no Rio de Janeiro

 

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