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| O ESTADO DO PARANÁ - 26/Julho/2000 IAP embarga oleoduto da Petrobras Olavo Pesch O IAP embargou, às 15h30 de ontem, os 117 quilômetros do oleoduto São Francisco-Araucária, interrompendo novamente o fornecimento de matéria-prima para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. A decisão, segundo o presidente do IAP, José Luiz Andreguetto, foi tomada após a vistoria dos técnicos do IAP e Ibama concluir que o vazamento de óleo do último dia 16 aconteceu fora da Repar, mas em área que pertence à Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte do petróleo. O local do vazamento, em Araucária, foi lacrado pelos técnicos. Para retomar a operação, a Transpetro terá que apresentar ao IAP o plano de contingência do duto e os relatórios da ANP (Agência Nacional do Petróleo), que na semana passada embargou e, na seqüência, autorizou o funcionamento do oleoduto. Se o IAP e o Ibama aprovarem os documentos, a Transpetro assinará um termo de compromisso que garanta a segurança do oleoduto. Caso os documentos não sejam apresentados em dois dias, existe risco de desabastecimento de gás e combustível em Curitiba e Região Metropolitana, devido à falta de matéria prima na refinaria. "Temos a preocupação social e econômica do caos que o duto parado poderá causar. A opção é a Transpetro retomar a operação através de compromisso com o IAP e o Ibama", ressaltou Andreguetto. Segundo ele, o embargo é uma medida cautelar. "Podemos pecar pelo excesso, mas não podemos pagar pela omissão", declarou. Licença O presidente do IAP explicou que o oleoduto São Francisco-Araucária não possui licenciamento, porque entrou em operação em 1977, antes da entrada em vigor da legislação ambiental. A falta de licença transformou-se numa batalha jurídica entre Ibama e Petrobras. Após o acidente ambiental na Baía da Guanabara, em janeiro, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) aprovou a resolução 265, em 8 de fevereiro, que estipula o prazo até 5 de outubro para a Petrobras e outras empresas se habilitarem junto aos órgãos ambientais estaduais e federais para obter o licenciamento. Para se habilitar, é preciso apresentar plano de controle e auditoria ambiental. "Com o embargo, o IAP já se antecipou a isso", comentou Andreguetto. Turismo de Foz está apreensivo O secretário de Turismo de Foz do Iguaçu, Tibiriçá Boto Guimarães, está preocupado em recuperar a imagem turística da cidade, segundo ele abalada após o vazamento de óleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Ele conversou com a assessoria de Comunicação Social da Repar e ontem já tinha agendado entrevistas com agências internacionais de notícias. De acordo com o secretário, a preocupação surgiu quando um grupo de italianos telefonou para uma agência de turismo de Foz para perguntar se as passarelas das Cataratas do Iguaçu estavam abertas. Segundo os turistas, as informações na Itália, França e Espanha eram de que o óleo chegaria em quatro dias a Foz e a visita seria suspensa. "Estamos trabalhando para dizer que não há nenhum problema", disse o secretário. O Rio Iguaçu percorre cerca de 800 quilômetros, cruzando o Paraná, antes de chegar a Foz. Guimarães disse que a princípio pensou em acionar juridicamente a Petrobras, mas optou por uma solução administrativa. Ele telefonou para a assessoria de Comunicação Social, que prometeu levar a questão à diretoria da empresa e providenciou o contato com as agências internacionais de notícias. "Queremos que seja feita uma comunicação no exterior, porque a própria Petrobras estaria limpando seu nome", afirmou o secretário. Repar diz ter documentos Devemos entregar amanhã (hoje) pela manhã todos os documentos exigidos pelo IAP e pelo Ibama" anunciou ontem o diretor de abastecimento e refino da Petrobras, Eider Aquino. Segundo ele, apesar de a Repar não contar com licenciamento ambiental (já que a refinaria é de 1977, e a lei ambiental estadual foi criada em 1979, enquanto a federal apenas em 1981), ela dispõe de todos os documentos necessários para que volte a operar normalmente. "A previsão é que até amanhã (hoje) o oleoduto volte a operar normalmente", disse Aquino, otimista. A expectativa da direção da Petrobras é que ela e o IAP cheguem logo a um consenso. "O IAP está tentando antecipar o acordo", disse, referindo-se ao plano de controle e auditoria ambiental, uma exigência cujo prazo estipulado pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é até 5 de outubro. De acordo com Wong Loon, diretor de dutos e terminais da Petrobras, dois acordos no Rio de Janeiro e outros quatro na Bahia já foram assinados, na tentativa de obter de vez a licença ambiental. "Vamos justificar a demora, mas se o IAP quiser logo o acordo, poderemos fazer", garantiu. Estoque para três dias Caso a previsão não se confirme e o IAP não libere logo a operação no duto, a refinaria tem estoque suficiente para produzir combustível por até três dias. "Temos cerca de 60 milhões de litros de petróleo estocados", adiantou o diretor. Luiz Valente Moreira, superintendente da Repar, lembrou que a refinaria já ficou interditada por dois dias, na semana passada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas nem por isso a produção de combustível e gás de cozinha foi prejudicada. "A cidade não ficou desabastecida", lembrou. Se o IAP não liberar a licença de operação no prazo esperado, a Repar pretende trazer combustível de outros Estados, principalmente de São Paulo. Transpetro ou Repar? "As instalações do duto pertencem à Petrobras. A Transpetro é apenas uma subsidiária que está pleiteando, junto à ANP, autorização para responder juridicamente pelo transporte do óleo". A explicação do superintende Valente se refere à polêmica apontada ontem, durante coletiva no IAP, a respeito de quem deveria ser embargado e punido. Os dutos e terminais, lembrou Wong Loon, pertencem à Petrobras. "A Transpetro responde juridicamente apenas pelo transporte marítimo do petróleo", enfatizou. Até
ontem, de acordo com Eider Aquino, faltavam ainda 270 mil litros
de óleo para serem retirados. Explicação só em agosto Os requerimentos de audiência pública com o ministro de Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, e o presidente da Petrobras, Henri Reichstul, para explicarem o vazamento ocorrido na refinaria de Araucária, somente serão apreciados no segundo semestre. O primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara e vice-presidente da Comissão Representativa do Congresso deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), afirmou que não há tempo hábil para que os dois sejam ouvidos pela Comissão, e adiantou que ambos deverão ser convocados pela Comissão Permanente de Minas e Energia já no mês de agosto. Ubiratan Aguiar elogiou o plano de emergência anunciado pela Petrobras para evitar outros acidentes ambientais. O objetivo do plano é evitar acidentes como o ocorrido na refinaria de Araucária. ALL foi multada em R$ 80 mil Fernandes Pinheiro (Sucursal Ponta Grossa) - A empresa América Latina Logística foi multada pelo Instituto Ambiental do Paraná em R$ 80 mil pelo acidente ocorrido na noite de domingo (23) com a explosão seguida de vazamento de óleo diesel. O acidente aconteceu no distrito de Florestal, em Fernandes Pinheiro, próximo a Irati, por volta das 21h30, e envolveu duas locomotivas, com 36 vagões dos quais seis carregados com óleo diesel, que descarrilaram e incendiaram junto com um dos vagões. Houve vazamento de óleo, sendo que a metade entrou um combustão e ocasionou um incêndio com mais de vinte metros de extensão. O óleo que derramou dos vagões infiltrou no solo e atingiu a nascente de um rio a duzentos metros do local. O Instituto Ambiental do Paraná informou que o vazamento foi de 60 mil litros, e a ALL afirma que foram somente 15 mil litros. Segundo o órgão ambiental o vazamento não trará danos ao meio ambiente, já que o rio desemboca em um tanque de uma propriedade particular. A gerente de Patrimônio da ALL, Silvana Alcântara, estava ontem no local do acidente e deve dar maiores informações sobre a situação atual no trecho somente hoje. A assessoria da ALL informou que uma empresa especializada em questões ambientais está fazendo a retirada do óleo. (Rosângela Oliveira)
Retirada do óleo provoca enjôos Lyrian Saiki
Dez dias depois do vazamento de quatro milhões de óleo na Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), em Araucária, o cheiro de petróleo no ponto de contenção zero Ä na própria refinaria Ä continua bastante forte. Operários se revezam na tentativa de recolher os 270 mil litros de óleo que ainda restam na várzea, suportando o cheiro forte e a precariedade. Enquanto a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) recebe denúncias de funcionários que alegam atuar em condições inadequadas e de estar passando mal, com enjôos e desmaios, a refinaria nega que isso esteja acontecendo. Ontem um dos funcionários reclamava que estava com o nariz sangrando. "Deve ser por causa do sol", tentou justificar um dos supervisores do local. Segundo a DRT, são poucas as reclamações formais; a maioria apenas telefona ou procura outra forma de denúncia. Juvenal de Oliveira, 22 anos, preferiu procurar a delegacia para manifestar sua indignação. Ele sofreu um acidente na quinta-feira: o motor que suga o óleo escapou, e uma barra de ferro bateu em sua perna. Socorrido pelo Siate, Juvenal foi encaminhado ao Hospital do Trabalhador, de onde não recebeu nenhuma assistência adicional da empresa que o contratou. "No dia seguinte, eles me pagaram apenas a diária (R$ 54,00) e mais nada, nem os remédios", reclama. Ainda com a perna enfaixada, ele não conseguiu outro trabalho por causa disso. Segundo Juvenal, outro rapaz bateu a cabeça em uma pedra no mesmo dia. "Esses acidentes são normais por aqui", atesta João Aparecido de Paula, funcionário da TSL Sucção, que veio do Rio de Janeiro para trabalhar na operação da Repar. Segundo ele, tais acidentes de trabalho são bastante comuns. Direito trabalhista Em meio a denúncias e reclamações, a DRT enviou à Repar duas equipes para verificar se existem irregularidades: uma para a área de medicina e segurança e outra para a legislação trabalhista. Segundo o chefe da Divisão de Inspeção de Trabalho Substituto da DRT, Sérgio Rech, a Repar está dentro das normas no que se refere à medicina e segurança. A delegacia entendeu que as máscaras de proteção, uma das reivindicações de petroleiros e ambientalistas, não são necessárias, por ser uma atividade "a céu aberto". Quanto à legislação trabalhista, Sérgio conta que estão sendo exigidos documentos trabalhistas e registro dos trabalhadores das 29 empresas contratadas. "A lei de trabalho temporário (6.019/74) prevê que o trabalhador receba o mesmo valor que um funcionário da Petrobras, desde que seja da mesma função", explicou, referindo-se às denúncias de que haja pessoas trabalhando por um preço menor do que as outras. Quaisquer reclamações ou dúvidas trabalhistas deverão ser comunicadas à DRT, através do fone 323-2233. Petroleiros fazem protesto Cerca de duzentos trabalhadores da Petrobras e da Ultrafértil participaram ontem pela manhã do ato público realizado Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Refinação, Destilação, Exploração e Produção de Petróleo do Paraná Ä Sindipetro e pela Federação Única dos Petroleiros, em frente à Repar, em Araucária. Os petroleiros querem da Petrobras melhores condições de trabalho e segurança, além da contratação de mais funcionários. Segundo o presidente da Sindipetro, Hélio Luiz Seidel, a Repar, na década de 80, contava com 1.200 trabalhadores registrados. Em 1995, caiu para 800 trabalhadores e hoje são apenas 580. "Isso gera acúmulo de função, manutenção precária e aumenta o número de acidentes", ressaltou. O Sindipetro pretende discutir com a Petrobras a recomposição dos postos de trabalho. Para isso, eles irão entrar com uma ação civil pública junto ao Ministério Público para verificar qual o mínimo de trabalhadores necessário para trabalhar na empresa. Terceirização e mortes Embora não façam parte da base do sindicato, os direitos dos trabalhadores tercerizados também estão sendo requisitados. Somente na Repar estima-se que além dos 580 petroleiros contratados há aproximadamente 300 terceirizados. De acordo com a Federação dos Petroleiros, se o efetivo da Petrobras é de 34 mil funcionários, há cerca de 34 mil terceirizados. "Isso é sério porque muitas vezes o terceirizado trabalha em condições precárias, salários aviltados, sem treinamento e qualificação adequada", denuncia Maurício França Rubem, coordenador da Federação. O Sindipetro e a Federação denunciam que nos dois últimos anos tem aumentado o número de acidentes na empresa. Ocorreram neste período 61 mortes no Brasil no setor de petróleo, sendo que 56 correspondem a trabalhadores terceirizados. Os atos públicos dos petroleiros ocorreram em todo o País na sexta-feira, dia 21, com a participação dos vinte sindicatos filiados à Federação. No entanto, em Araucária o protesto aconteceu ontem em função do serviço de retirada de óleo. Segundo Maurício, dia 21 fez um mês da morte de um operador na Refinaria Landulfo Alves Ä Relam, no Rio, onde ocorreu o vazamento de propano. Apesar de o acidente ter ocorrido em 21 de junho, até agora a Petrobras não divulgou o relatório. (Joseane Martins) Após dispensa, as reclamações Após dispensa, as reclamações Durante o protesto dos petroleiros, ontem de manhã, em frente a Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, um grupo de homens que trabalha na limpeza do Rio Iguaçu aproveitou a presença da imprensa para reclamar das "condições desumanas" que enfrenta no recolhimento do óleo. As denúncias foram feitas após ser comunicada a dispensa de cerca de 150 homens. Contratados das empresas Perfil, DP e Econ diziam que trabalhavam sem equipamentos especiais, como máscara e óculos. "Nós ganhamos um macacão para usar todos os dias. Ficava encharcado de água e óleo e secava no próprio corpo", denunciou Rosemar Neves da Silva, 24 anos, da Perfil. Eles disseram que não podiam reclamar pois eram ameaçados de demissão. Valdecir de Souza Neves, 38 anos, também da Perfil, disse que chegou a ver algumas pessoas desmaiando devido ao forte cheiro do óleo. Outro fator que o deixou revoltado Ä disse Ä foi a diferença de valores pagos pelo mesmo trabalho. "Algumas empresas estavam pagando até R$ 50,00 por dia, enquanto a Perfil pagava apenas R$ 13,00/dia". Para Adilson da Silva, 22 anos, o trabalho de limpeza da Petrobras não está sendo realizado com segurança. "Está faltando capa, roupa certa para entrar no rio e máscara", disse. A maioria dos homens trabalhou em média cinco dias, descartando dessa forma o vínculo com as empresas. Entre as reclamações, alguns homens exibiam pernas e braços com sinais de alergia. Eles contam que trabalhavam das 8h às 18h, sem horário para almoço. Segundo eles, a marmita era entregue no próprio local do trabalho, próximo ao rio, e tinham que comer rápido para retornar ao trabalho. "E se a gente reclamasse eles ameaçavam", ressaltou Carlos Henrique, 35 anos, da empresa DP, que estava pagando R$ 25,00 por dia. Um dos funcionários contratados provisoriamente pela Econ, que não quis se identificar, chegou a mostrar uma camiseta cheia de sangue que saiu de seu nariz. (JM) GAZETA DO POVO Lenise Aubrift Klenk e Clarissa Lima O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) embargou ontem as atividades do oleoduto de 117 quilômetros que transporta petróleo cru de São Francisco do Sul (SC) para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. Um relatório de técnicos do IAP e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) defende que o acidente do dia 16, quando vazaram quatro milhões de litros de petróleo, não ocorreu na Repar, mas no duto que é de responsabilidade de outra subsidiária da Petrobrás, a Petrobrás Transporte S.A (Transpetro). A linha interrompida é a única a levar para Araucária o óleo cru, matéria-prima para produção de combustíveis como diesel e gás de cozinha, que abastecem os mercados do Paraná, Santa Catarina e parte de São Paulo. Esta é a segunda vez, desde que ocorreu o vazamento, que o oleoduto é interditado. Com a suspensão do recebimento de petróleo, a refinaria tem estoque suficiente para manter o abastecimento por mais três dias. Para reiniciar as atividades do oleoduto, o IAP e o Ibama exigem que a Transpetro apresente um plano de emergência para casos de acidentes na tubulação, o qual deve garantir as condições de segurança da rede. Os órgãos ambientais querem ter também conhecimento do relatório de vistoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP), feito na semana passada. O diretor gerente de Abastecimento e Refino da Petrobrás, Eider Aquino, disse que a empresa espera entregar esses documentos hoje pela manhã. Depois de apresentados os documentos, a empresa e os órgãos ambientais devem firmar um termo de compromisso, contendo um novo plano de monitoramento para o oleoduto. Segundo o presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, a determinação é uma medida preventiva, que possibilita aos técnicos vistoriar toda a extensão do duto. Para ele, não houve demora do instituto em determinar a suspensão. "Desde o primeiro dia estamos fazendo análises técnicas", afirma. A Petrobrás está tratando a questão sem distinção entre a Transpetro e a Repar. "A reponsabilidade é sempre da Petrobrás", disse o diretor Aquino. Wong Loon, diretor de Dutos e Terminais, disse ontem que a empresa continua a garantir as condições de segurança da rede de oleodutos. DocumentaçãoTranspetro não tem licença ambiental O embargo do duto São Francisco-Araucária antecipa o prazo para que a Transpetro apresente planos de controle para obter licença de órgãos ambientais. Em funcionamento desde 1977, o duto é anterior à legislação ambiental estadual, de 1979, e não tem licenciamento. A resolução 237 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, de fevereiro deste ano, determina que Petrobrás e outras empresas nessas condições se habilitem ao licenciamento até 5 de outubro. A apresentação dos planos de controle e da auditoria ambiental não tem prazo estabelecido pelo Instituto Ambiental do Paraná no termo de embrago, entregue ontem à Transpetro, às 15h30. Mas o restabelecimento da produção na Repar depende da rapidez na entrega dessa documentação. Meio ambiente Clarissa Lima Dos 61 petroleiros que morreram em acidentes de trabalho nas refinarias da Petrobrás, nos últimos dois anos, 56 eram funcionários terceirizados. A informação é da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro), que realizaram ontem pela manhã uma manifestação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. A manisfestação contou com a participação de cerca de 200 petroleiros. Segundo Maurício França Rubem, coordenador da Federação, trabalhadores terceirizados já são 50% do quadro de funcionários da Petrobrás em todo o país, que hoje é de cerca de 75 mil petroleiros. Na Repar, são 300, contra 580 funcionários contratados diretamente pela empresa. Na refinaria da Bahia, a proporção de terceirizados, em relação aos concursados, chega a quatro para um. O custo de um trabalhador terceirizado, segundo o coordenador, é três vezes menor para a empresa. Rubem explica que, ao adotar essa política, a Petrobrás economiza também em treinamento, já que investe bem menos em qualificação profissional. "Toda a sociedade perde, porém, ao ver acidentes como o de Araucária ocorrerem e petroleiros morrendo, por negligência da empresa com relação às normas de segurança no trabalho", afirmou durante o protesto. Rubem é técnico de química e trabalha há 24 anos na Petrobrás. Na federação que coordena, estão afiliados 20 sindicatos de petroleiros. "Estamos fazendo alertas como este do protesto há mais de dez anos", diz. Para ele, os índices de acidentes ambientais e de trabalho dos últimos anos não deixam dúvidas sobre o fracasso da política de redução de pessoal da Petrobrás. "Foi preciso que acidentes aumentassem visivelmente para que a sociedade e o próprio governo acordasse para a gravidade da situação", completa o coordenador. Além da baixa qualificação profissional dos terceirizados, o presidente do Sindipetro, Hélio Seidel, também denuncia o acúmulo de funções a que os trabalhadores estão sendo submetidos nos últimos anos. Na década de 80, a Repar possuía 1.200 petroleiros. Em 1995, este número caiu para 800 e, hoje, para 580. O petroleiro que falhou no domingo e contribuiu para o acidente tomava conta de 32 tanques de petróleo. Para Seidel, isso caracteriza uma multifunção. "Está provado que não existe tecnologia implantada para substituir os trabalhodores dispensados", afirma. Tanto Seidel como Rubem denunciam ainda que o governo federal, além dos dirigentes da empresa, é também responsável pelo estado em que a Petrobrás se encontra hoje. "Os orçamentos vêm sendo continuamente cortados e, o que sobra, é investido apenas na exploração do petróleo, não na área de refino e segurança", diz Rubem. JustiçaAção civil pública Nos próximos dias a Federação Única dos Petroleiros e o Sindipetro deve ajuizar uma ação civil pública pedindo que a Petrobrás volte a abrir os postos de trabalho que fechou nos últimos anos na Repar, em Araucária. Medida judicial nos mesmos moldes já teve sucesso em Campinas, no interior de São Paulo, onde a Justiça mandou a empresa admitir mais 260 trabalhadores, os quais iriam atuar em postos considerados fundamentais. A Petrobrás recorreu da decisão, que está sendo apreciada em segunda instância. Os líderes sindicais também estão preparando uma ação que será ajuizada em Brasília, abrangendo a empresa nacionalmente. Municípios discutem prejuízosReunião sobre o acidente foi realizada em União da Vitória Representantes de municípios da região ribeirinha do Rio Iguaçu estiveram reunidos ontem, em União da Vitória, com técnicos e com a Defesa Civil, para discutir o acidente ocorrido na refinaria da Petrobrás, em Araucária. Apesar de a mancha de óleo estar contida em Balsa Nova, eles querem a garantia de que o controle de qualidade do rio será constante. A Repar promete realizar trabalho de monitoramento pelos próximos oito meses na região. União da Vitória, situada a 237 quilômetros de Curitiba, foi escolhida como sede da reunião realizada pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP), porque é estratégica. Seus 70 mil habitantes e da cidade vizinha de Porto União (SC) dependem da água tratada que vem do Rio Iguaçu. Por enquanto, segundo o presidente da AMP, Sebastião Sérgio Steptjuk, existe a promessa da Sanepar de que a água que chega na região é de boa qualidade. A associação, segundo ele, quer mais garantias. Por esta razão, chamou também técnicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para realizarem testes de laboratório que ainda não foram concluídos. Como os municípios mais atingidos pela mancha de óleo são os de Araucária e o de Balsa Nova, existe a disposição das duas cidades de pedir ressarcimento dos prejuízos causados pela Petrobrás, por meio de ação cautelar. Agricultores das regiões do Iguaçu também realizaram reunião esta semana, na qual pedem maior empenho das autoridades para que sejam tomadas medidas urgentes de médio e de longo prazo por parte da Petrobrás. Ibama pode divulgar hoje valor da
multa O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) deve anunciar hoje o valor da multa que a Petrobrás deverá pagar pelo acidente na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Por ser reincidente, a empresa pode receber uma multa de até R$ 150 milhões, três vezes o valor máximo previsto na legislação ambiental. Além da pena imposta pelo Ibama, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já aplicou multa de R$ 50 milhões. Técnicos do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente passaram o dia de ontem reunidos para concluir o laudo de danos ambientais, que deve determinar o valor da nova multa. A consultoria jurídica do Ministério também participa da avaliação. Para o representante do Ibama no Paraná, Luiz Antonio Nunes de Melo, a questão deve produzir uma disputa judicial, em que a Petrobrás pode reivindicar o pagamento de apenas uma das multas. Para defender o pagamento integral - que pode chegar a R$ 200 milhões - os institutos defendem que as penas se referem aos danos causados ao Rio Barigüi - de domínio do Estado do Paraná e de reponsabilidade do IAP - e ao Rio Iguaçu - de domínio da União, sob responsabilidade do Ibama. Operários "driblam" o
frio para manter limpeza do rio à noite Patrícia Ribas Jornal dentro dos sapatos, não parar de caminhar, café quente, dúzias de agasalhos. Estas são algumas das estratégias que os operários que trabalham à noite no serviço de retirada de óleo e limpeza do Rio Iguaçu estão usando para driblar as baixas temperaturas deste inverno. Desde o acidente na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), há dez dias, centenas de pessoas passam todas as madrugadas nas margens do rio. Na noite de ontem, os termômetros chegaram a marcar 0oC e houve geada durante a madrugada, por volta das 3h. "O jeito é colocar saco plástico e jornal dentro da bota e seguir em frente", afirma Elias Evangelista, 30 anos, um dos 1.200 trabalhadores temporários contratados pela Petrobrás. "Tem que tentar esquecer que está geando e levar no bom humor, senão ninguém aguenta", diz Evangelista. Ontem, ele trabalhou no período da noite no quarto ponto de contenção instalado pela Petrobrás, no distrito de Guajuvira. Os trabalhadores são divididos em dois turnos, das 8h à 20h e das 20h às 8h. "A escuridão também incomoda um pouco", conta Leandro Pedroso Lacerda, 18 anos, que ontem fazia o turno da noite em Balsa Nova, sexto ponto de contenção do óleo instalado pela Petrobrás. "Como o lixo está muito misturado, fica difícil de enxergar direito", diz Lacerda. Para tentar diminuir este problema, os pontos de contenção contam com refletores, ligados à noite toda, direcionados aos locais de trabalho. "Entrar no barco para catar o lixo neste frio é complicado, mas a gente precisa", diz Paulo Fernandez, 24. Antes, ele trabalhava em uma empresa de construção civil, na montagem de torres de energia. "Nestas últimas noites o frio está demais, a melhor hora é a do jantar, quando dá para esquentar um pouco com a comida e café", conta Fernandez. À noite, de acordo com técnicos da Repar que coordenam as barreiras, o serviço é mais direcionado à manutenção da situação e coleta de lixo. "No escuro é mais perigoso entrar no rio, por isso não fazemos lançamento de barreiras, para não expor os trabalhadores", afirma o engenheiro da Repar, Almir Angeli, que ontem coordenava o turno da noite na estação de Balsa Nova. "Preferimos colocar o pessoal para encher as sacolas com lixo, serviços não muito arriscados", diz. O engenheiro da Repar, Edson Cavassin, que ontem à noite coordenava os trabalhos em Guajuvira, conta que, além de colocar muitos agasalhos e meias, uma das alternativas para não deixar o frio tomar conta é não ficar parado. "Aqui nos postos, por ser tudo em campo aberto, parece que é ainda mais frio", diz Cavassin. Durante a noite, o efetivo nos postos de contenção é reduzido a pelo menos a metade. Na madrugada de ontem, em Balsa Nova, trabalhavam 30 pessoas - durante o dia, são cerca de 150. Empresas contradas se reúnem com
DRT As 30 empresas terceirizadas pela Petrobrás para trabalharem na contenção do vazamento de óleo têm reunião hoje, às 13 horas, com representantes da Delegacia Regional do Trabalho do Paraná (DRT-PR). A maioria delas firmou contratos irregulares com seus funcionários e tem prazo até a próxima segunda-feira para legalizá-los. Caso contrário, podem ter suas atividades embargadas na região. As primeiras denúncias sobre problemas relacionados à falta de segurança a quem trabalha nas barreiras montadas pela Petrobrás surgiram de ambientalistas. Eles relataram que empresas estavam servindo almoço aos seus funcionários por volta das 17 horas e atrasando em mais de duas a chegada da condução até pontos distantes de contenção da mancha de óleo. Com isto, muita gente que deveria sair de ônibus de barreiras como a de Guajuvira, a 17 quilômetros de Araucária, por exemplo, fez este percurso a pé. Acabou chegando em casa de madrugada. Outros fatos mais graves que estão sendo apurados pelos técnicos da DRT foram acidentes ocorridos com dois trabalhadores, na base zero: um trabalhador teria batido com a cabeça numa pedra enquanto trabalhava e o de Juvenal de Oliveira, de São José dos Pinhais. Ele teve a perna atingida por um motor quando tentava tirá-lo de um atoleiro, junto com 12 homens. Oliveira foi conduzido ao Hospital do Trabalhador, em Curitiba, mas ninguém da empresa que o contratou o acompanhou para saber a gravidade do acidente. Os técnicos da Petrobrás enfrentarão problemas ainda com a parte burocrática dos contratos firmados. Na maioria dos casos, as agências que chamaram os contratados respeitaram apenas um critério: o de ordem de chegada, desconhecendo a capacidade de cada candidato para realizar um serviço de emergência, o que está previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho.
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