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Oleoduto ainda está interditado

27/Julho/2000 - Lyrian Saiki jornal O ESTADO DO PARANÁ

A produção de óleo diesel, gasolina e gás de cozinha no Paraná está compromised. Interditado desde quinta-feira a pedido do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Ibama, o único oleoduto que abastece a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) não teve o funcionamento liberado, ao contrário do que previa a direção da Petrobras. Ontem, o próprio presidente em exercício da Petrobras, Albano de Souza Gonçalves, esteve reunido com re-presentantes do IAP e do Ibama. Na ocasião, foram apresentados pela Petrobras alguns documentos como plano de manutenção do duto, de contingência, inspeção, entre outros. Tais documentos, no entanto, não foram suficientes para liberar a volta do funcionamento do oleoduto.

"Com a interdição da ANP (Agência Nacional do Petróleo), na semana passada, aconteceu a mesma coisa. O que eles pedem são apenas esclarecimentos", tentou amenizar o diretor de dutos e terminais, Wong Loon. Segundo ele, a empresa dispõe de uma "malha logística" capaz de continuar abastecendo a refinaria com matéria-prima de outros Estados. "Periodicamente são feitas paradas para a manutenção. A última foi em 98, quando a refinaria chegou a ficar parada por 30 dias", lembrou o diretor. Nesse período, o Paraná foi abastecido por refinarias de outros Estados.

Responsável por 13% da produção nacional, a Repar processa cerca de 31 milhões de litros de petróleo por dia. Com a interdição, a produção baixou para aproximadamente 15 milhões. "Temos estoque para até amanhã (hoje)", lembrou o diretor-gerente de abastecimento-refino, Eider Aquino. Caso as previsões não se concretizem mais uma vez, a Repar estará recebendo diesel e gás de cozinha de Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul. Trazidos de navio até o porto de Paranaguá, os produtos chegariam até a refinaria através de dutos.

Os 117 quilômetros do oleoduto São Francisco - Araucária foram interditados anteontem, depois de técnicos do IAP e do Ibama concluírem que a empresa precisa apresentar uma série de documentos, inclusive no que se refere à questão ambiental.

Faltam 230 mil
De acordo com a direção da Petrobras, até ontem faltavam 230 mil litros de óleo para serem retirados. "O trabalho agora está mais difícil, por isso tiramos tão pouco de ontem para hoje", justificou Aquino, referindo-se aos 40 mil litros retirados de um dia para o outro.

"Acidente transfronteiriço"

A assinatura do Protocolo Ambiental do Mercosul, em discussão há 4 anos, é a principal reivindicação de uma declaração conjunta assinada pelas entidades ambientalistas WWF-Brasil e Fundación Vida Silvestre Argentina e encaminhada ontem aos ministros das Relações Exteriores da Fazenda e do Meio Ambiente, e aos representantes dos quatro países-membros do Mercosul junto ao subgrupo 6, de negociação ambiental do bloco econômico.

O documento afirma que a possibilidade de o óleo derramado pela usina da Petrobras nos rios Barigüi e Iguaçu, ou pelo menos seus resíduos, atingir território argentino coloca em evidência a dimensão transfronteiriça dessas atividades e reforça a necessidade de uma ação conjunta de países no que diz respeito à conservação de seus recursos naturais comuns. Além disso, pede a adoção de políticas ambientais comuns que visem preservar a qualidade e a integridade dos ecossistemas terrestres e aquáticos comuns aos países do Mercosul.

Limpeza
Órgãos ambientais da Argentina estão monitorando a qualidade da água que vem do Rio Iguaçu. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), porém, já informou que não há risco do óleo derramado chegar à Argentina.

Folhetos paraos ribeirinhos

A Defesa Civil do Paraná encerrou as atividades de coordenação dos trabalhos de limpeza e recuperação do Rio Iguaçu. A Defesa Civil atuou na fase emergencial, passando agora a acompanhar os trabalhos de recuperação que serão coordenados pela Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária.

Durante esta semana, as Comissões Municipais de Defesa Civil dos municípios ribeirinhos aos rios Barigüi e Iguaçu, de Araucária até União da Vitória, em conjunto com a Repar, farão um trabalho de conscientização à população. São mais de 400 pessoas que vão distribuir folhetos nas cidades.

Os folhetos vão explicar como as pessoas devem agir em relação à água do Rio Iguaçu. As instruções serão distribuídas nos locais onde houve contato com o óleo e também nas regiões onde não há mais perigo de chegada do óleo. O modelo do folheto que será distribuído traz orientações de como a comunidade pode utilizar ou não a água e de como pode colaborar com as autoridades públicas.

 

GAZETA DO POVO

Meio Ambiente

Sindipetro e Sindiquínica prometem acionar Repar e Ultrafértil por 10 acidentes, desde 1998

Terceirização na Repar seria causa de acidente

Pessoal pouco capacitado seria responsável pela manutenção

Jorge Javorski

A terceirização do serviço de manutenção nas empresas que representam o pólo petroquímico de Araucária - uma delas a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e a outra a Ultrafértil - seria a responsável pela ocorrência, desde 1998, de 10 acidentes nestas unidades. O resultado da medida, segundo sindicalistas, seria a contratação de pessoal pouco capacitado. São explosões, rompimentos de válvulas, vazamentos de gases altamente tóxicos e inflamáveis, que podem novamente provocar uma tragédia como a do dia 16 de julho, deste ano, na Repar. As denúncias são dos sindicatos dos petroleiros e dos trabalhadores na indústria química (Sindipetro e Sindiquímica), ambos de Curitiba, que nos próximos dias acionarão judicialmente as duas empresas.

"Uma sucessão de erros", segundo os sindicatos, têm resultado em vazamentos de gases e explosões de unidades. A tragédia do dia 16 de julho, por estes motivos, poderia ter ocorrido há mais tempo, prejudicando seriamente populações de cidades vizinhas como Araucária, situada a poucos quilômetros do pólo petroquímico.

O vazamento da mancha de óleo pelos rios Barigüi e Iguaçu ganhou inclusive repercussão internacional, segundo o Sindipetro, porque a Petrobrás não teve como esconder o acidente, diante da pressão exercida pela opinião pública. Antes do derramamento, porém, em maio deste ano um vazamento de gasóleo de petróleo já tinha causado incêndio na unidade de Destilação da Repar.

Ainda na Repar, em fevereiro deste ano, outro vazamento de gases ocorreu por causa do rompimento de uma tubulação. Ela pressurizou rapidamente e rompeu-se. Em novembro de 99 uma explosão no acendimento do setor de Destilação provocou uma nuvem de gás no interior do forno, gerando queimaduras de segundo grau em trabalhadores.

Na maioria dos acidentes ocorridos na Repar, segundo o Sindipetro, a refinaria tem dificuldades em conter as chamas. Possui apenas dois bombeiros exclusivos para o combate destes acidentes. Outros 12 que atuam nestas emergências foram treinados há dois anos para acumular também a função de operadores. Com isto, segundo o Sindipetro, passaram a ter mais dificuldades para planejar ações, treinar funcionários e se reciclar no combate a incêndios.

Procurada ontem pela reportagem, a assessoria de imprensa da Refinaria de Araucária informou que todas as atividades da Repar, no momento, estão voltadas ao controle do vazamento do óleo dentro da empresa. Assim, segundo a assessoria, a refinaria não tem prazo para avaliar e fazer estatísticas sobre outros acidentes ocorridos em sua unidade do Paraná.

Cronologia

  1. Ultrafértil - 10/98, vazamento de amônia, inflamável e tóxica

  2. Ultrafértil - 10/98, forte explosão ouvida em cidades próximas

  3. Ultrafértil - 1/99, problemas na manutenção provocam 44 acidentes

  4. Repar - 8/99, vazamento de nafta impede trabalho por 3 dias

  5. Ultrafértil - 1/00, quatro vazamentos liberam gás tóxico e corrosivo

  6. Repar - 2/00, tubulação se rompe provocando vazamento

  7. Ultrafértil - 3/00, uma unidade trabalha 20 dias com vazamento

  8. Repar - 5/00, incêndio na destilação é controlado com dificuldade

  9. Ultrafértil - 7/00, problemas na manutenção provocam 45 acidentes

  10. Repar - 7/00, vazam 4 milhões de litros de óleo; a pior tragédia

  11. Explosão na Ultrafértil em 1998 assustou moradores da região

Por pouco não ocorreu uma tragédia na empresa

Em outubro de 1998 uma explosão na Ultrafértil tirou da cama muitos moradores de Araucária. Foi ouvida inclusive em cidades mais distantes, como Curitiba e Campo Largo. O acidente teria resultado em tragédia se ocorresse de dia, quando o número de trabalhadores da unidade é bem maior.

O acidente de outubro é o pior já ocorrido na Ultrafértil e foi provocado por uma explosão na lavadora de uréia, altamente tóxica. O equipamento estava corroído e não tinha sensores que detectassem o estado de má conservação. Com a explosão, pedaços de concreto voaram em direção à Petrobrás, situada no terreno ao lado.

A empresa foi responsável ainda pela liberação de outros gases tóxicos e altamente inflamáveis em diferentes períodos porque, segundo o Sindiquímica, não conta com um programa de manutenção adequado e ainda pensa em terceirizar este serviço, o que pode resultar em riscos maiores de acidentes.

José Carlos Wageck, gerente industrial da Ultrafértil, diz que a terceirização não é "questão fechada". A medida só será tomada, segundo ele, se estiver acompanhada de ganhos de segurança e de mercado. Ele também discorda com as estatísticas de acidentes denunciadas pelo sindicato. Para um total de 1.600 pessoas trabalhando nos períodos de manutenção, diz que os números divulgados pelo sindicato são de pouca importância. Certos vazamentos também são "normais", para o gerente, diante da complexidade do sistema, que tem um parque de 350 bombas, e uma estrutura segura de brigada de incêndios, acrescenta.

 

Sindicatos querem equipes permantes para manutenção

 

Trabalho de reparos preventivos não seria confiável

 

A luta contra a terceirização pregada pelos representantes dos trabalhadores da Repar e da Ultrafértil tem como principal objetivo garantir a implantação, nestas empresas, de equipes de manutenção preventiva de qualidade. Atualmente, denunciam os sindicalistas, é arriscado um trabalhador atender a um chamado de socorro em uma unidade, sob o risco de perder a vida, uma vez que o trabalho de manutenção preventiva é pouco confiável, afirmam.

O Sindipetro cita como um dos exemplos desta situação, um acidente ocorrido meses antes deste do dia 16 na Refinaria da Petrobrás, em Araucária. Caso os trabalhadores tivessem atendido o apelo feito pelo rádio para que comparecessem ao local do acidente, teriam morrido, pois a unidade explodiu.

Os representantes do Sindipetro lembram que antigamente a Repar investia pesado na manutenção. Depois, passou a contratar empresas especializadas por meio de licitação. O problema, destacam, é que a rotatividade destas terceirizadas é grande.

Até que uma delas se adapte ao serviço vence o contrato firmado com a Repar, vem outra no lugar e tudo começa do zero. Enquanto isto, o Sindicato lembra que os profissionais mais capacitados em controle de qualidade estão dentro da própria refinaria ou foram demitidos apesar da experiência adquirida em anos.

 

Multa passa de R$ 150 milhões

 

A presidente do Ibama, Marília Marreco Cerqueira, confirma que o valor da multa aplicada à Petrobrás, pelo acidente na Repar, será superior a R$ 150 milhões. Marília esteve ontem em Curitiba para uma reunião com o diretor e presidente interino da Petrobrás, Albano de Souza Gonçalves, Instituto Ambiental do Paraná e Ministério do Meio Ambiente. "Sem o laudo oficial não posso dar um valor exato, mas certamente vai ultrapassar a casa dos R$ 150 milhões", diz Marília. O laudo técnico preparado pelo Ibama deve ser concluído hoje. Marília conta que a extensão do dano que o vazamento de óleo causou ao meio ambiente será a medida para o valor da multa.

O presidente interino da Petrobrás afirma que nos próximos dias a estatal deve discutir a possibilidade de conseguir descontos ou parcelar a multa de R$ 50 milhões, já imposta pelo IAP, na semana passada. "Até então nossa prioridade era o vazamento e suas conseqüências, agora devemos começar a pensar nas multas", diz Gonçalves.

De acordo com dados do Ibama, a Petrobrás pode conseguir descontos na multa. Se a empresa entrar com um termo de compromisso junto ao instituto garantindo que tomará medidas de recuperação do dano e fará investimentos que beneficiem o ecossistema, o desconto pode chegar a 90%. A multa também pode ser parcelada em até 16 vezes.

 

Meio ambiente

 

Petrobrás tem que apresentar plano de segurança e registro de licença ambiental da Transpetro

 

Duto da Repar deve ser liberado hoje

 

Se não houver liberação, refinaria vai precisar de rede alternativa de fornecimento

 

Lenise Aubrift Klenk e Patrícia Ribas

 

O duto que transporta óleo cru de São Francisco do Sul (SC) para Araucária, embargado na terça-feira pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deve ser liberado ainda hoje. A expectativa dos diretores da Petrobrás e da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) foi confirmada no final da tarde de ontem pela presidente do Ibama, Marília Marreco Cerqueira.

Depois de uma reunião com representantes da empresa, do IAP e do Ministério do Meio Ambiente, Marília estava convencida da boa vontade da Petrobrás em comprovar as condições de bombeamento de petróleo na linha São Francisco do Sul-Araucária. Ela disse que o duto deve ser desinterditado hoje à tarde.

Nenhum representante da subsidiária Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro) participou da reunião. Os órgãos ambientais consideraram a empresa responsável pelo duto de onde vazaram quatro milhões de litros de óleo há mais de dez dias. A Petrobrás, no entanto, prefere responder pelo assunto, sem fazer distinção entre as atividades de suas subsidiárias.

Entre as exigências feitas pelo IAP e o Ibama na reunião, estão a apresentação de um plano de segurança operacional, registro de licença ambiental da Transpetro e o relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que também suspendeu o bombeamento de óleo no duto por três dias depois do acidente. Segundo o diretor-gerente do Abastecimento e Refino da Petrobrás, Eider Aquino, a diretoria da empresa estaria reunida ontem à noite para analisar as exigências e entregar ainda hoje os documentos ao IAP para a liberação do duto.

O estoque da Repar é suficiente para manter as condições normais de abastecimento apenas até hoje. Se o duto de óleo cru não for liberado, a refinaria precisará acionar uma rede alternativa de fornecimento para abastecer o Paraná, Santa Catarina e parte dos estados do Mato Grosso e São Paulo. A produção de outras refinarias do Brasil seria intensificada para atender a demanda, assim como parte do abastecimento seria suprida por produto importado, que chegaria de navio ao Porto de Paranaguá. Nesse caso, o sentido do duto que leva derivados de petróleo de Araucária para Paranaguá seria invertido.

De acordo com o gerente da Divisão de Apoio à Produção, Paulo Rosa de Campos, a produção de outras refinarias tem condições de suprir a demanda da Repar - responsável por cerca de 12% da produção da Petrobrás. Campos diz que o sistema alternativo de abastecimento já foi utilizado pela refinaria em 1998, em uma parada planejada de um mês. Ontem, a produção diária da Repar estava reduzida de cerca de 31 milhões de litros para 15 milhões. O duto embargado é o único que leva até a Repar o óleo cru, matéria prima para a produção de óleo diesel, gasolina, gás de cozinha e óleos combustíveis.

 

Vazamento - Rumos da recuperação

 

A área de terra atingida pelo vazamento de óleo, em Araucária, deve ser avaliada no domingo para que sejam definidos os rumos do trabalho de recuperação. Esse era o prazo anunciado pela Repar para que a maior parte do óleo tivesse sido retirada do solo. Segundo o diretor-gerente de Abastecimento e Refino da Petrobrás, Eider Aquino, a avaliação é que vai determinar a quantidade de óleo que ainda poderá ser retirada e quanto deve passar pelo processo de biorremediação - técnica que utiliza bactérias para consumir o óleo.

Segundo a diretoria da empresa, já foram retirados 2,97 milhões de óleo dos rios e do solo e 230 mil litros ainda estariam na área de terra. A Defesa Civil concluiu a fase inicial de combate ao acidente e agora mantém na refinaria apenas um grupo de seis pessoas, entre elas um bombeiro. A limpeza inicial dos rios Barigüi e Iguaçu já foi concluída e agora deve começar a limpeza fina da lâmina de água, com uso de barcos. Representantes do Ministério Público Estadual e da Procuradoria da República percorreram e sobrevoaram a área ontem para verificar os trabalhos de recuperação.

Transpetro não tem titularidade
Petrobrás deve responder pelas atividades até haver aprovação da ANP

A Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro) ainda não tem a titularidade para a operação de dutos, mas é a empresa subcontratada pela Petrobrás que mantém em funcionamento o duto São Francisco-Araucária, de onde vazaram quatro milhões de litros de óleo. Na prática, a Transpetro é a operadora de grande parte dos dutos, mas a Petrobrás insiste em responder pelo acidente em Araucária, como detentora da titularidade.

O diretor de Dutos e Terminais da Transpetro, Wong Loon, é o representante da susbsidiária enviado a Araucária para acompanhar as ações de combate ao acidente. Segundo ele, a Petrobrás tem condições de fazer a subcontratação de serviços, mas continua respondendo pelas atividades nos dutos até que a titularidade pleiteada pela Transpetro seja aprovada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A lei federal 9.478, que quebra o monopólio do petróleo no Brasil, determinou que a Petrobrás constituísse uma subsidiária para operar dutos, terminais e embarcações. Em 1998, a Transpetro foi criada com essa finalidade, mas até agora, apenas as atividades de transporte marítimo foram transferidas para a subsidiária.

A operação de oleodutos e terminais dependia de regulamentação da ANP, concluída recentemente. Definidas as regras, a ANP precisa agora aprovar a transferência da titularidade dos dutos da Petrobrás para a Transpetro. Segundo Loon, essa manobra não é prioritária para a Petrobrás, já que pode continuar subcontratando a mão de obra da Transpetro para desempenhar a atividade.

Loon não soube dizer o número de dutos sob o controle terceirizado da subsidiária. O capital integral da Transpetro pertence à Petrobrás. A sede da subsidiária fica no Rio de Janeiro e é administrada por seu presidente, Mauro Campos, e três diretores.

"Temos toda papelada pedida"
Superintendente da Repar afirma que Petrobrás já tem documentos
Clarissa Lima

Passados onze dias do maior vazamento de óleo da história do Brasil, as informações prestadas pela Petrobrás sobre o acidente continuam desencontradas. Até ontem, a imprensa continuava sem acesso ao local onde o óleo se espalhou no solo, o chamado "ponto zero". Na terça-feira, o Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) finalizaram um relatório técnico que contradiz parte dos dados sobre o vazamento fornecidos pela Petrobrás e coloca em questão a segurança da rede de dutos da empresa em todo o país. Na entrevista que se segue, o superindentende da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Luiz Valente Moreira, tenta esclarecer um pouco estas contradições.

Gazeta do Povo
O IAP, o Ibama, a Defesa Civil e o governo do estado do Paraná estavam trabalhando junto com a Petrobrás desde o dia do acidente. Por que foi necessária uma medida drástica, de interdição do oleoduto? Por que não foi possível um acordo?

Luiz Valente Moreira - O ato, o documento de interdição é apenas um documento oficial, que formaliza alguma coisa, mas não revela desavenças, desacordos. O IAP, até por uma questão de satisfação à sociedade e à mídia, tem que mostrar sua atuação, e a forma dele mostrar é documentando. E nós vamos responder documentando também. Para nós isso é ótimo. Nós temos toda esta papelada que está sendo pedida, de uma forma estruturada, mas não entregue. Agora nós vamos entregá-la.

A entrega do auto de embargo do IAP seria então apenas uma operação formal?

Eu vejo assim. Eu não vejo nenhum tipo de atrito, nós estamos de pleno acordo. O IAP está cumprindo seu papel, e até indo além do papel dele, porque tem ajudado a gente tremendamente. E agora é um ritual de formalização. O governo está formalizando um pedido. Para formalizá-lo, o IAP vê por bem colocar a interdição. E nós também vamos responder formalmente, e eu acredito que tudo seja resolvido.

Como a Transpetro é uma empresa juridicamente constituída, esta não seria uma forma do Ibama conseguir aumentar o valor da multa, já que a Repar já foi multada pelo governo do Paraná?

Eu não saberia responder isto. Eu não pensei na questão por este enfoque.

O ministro do Meio Ambiente reafirmou esta semana que a multa pode chegar a R$ 150 milhões. Vocês já discutiram isto?

Isto está sendo discutido pela diretoria da Petrobrás e pelo ministro. Eu fico bem abaixo deste nível. Meu nível é operacional. Eu estou tratando apenas de recolher o óleo que a Petrobrás, infelizmente, derramou no meio ambiente.

Na Repar também há outros dutos. Quantos mais são?

Nós temos um duto de expedição para Santa Catarina, de derivados. Um duto de expedição de derivados para Paranaguá. Um duto de recebimento de petróleo do terminal de São Francisco do Sul. E temos o Gasbol (Gasoduto Brasil-Bolívia), que passa próximo da Repar, passa por dentro do terreno da Petrobrás, e vai embora rumo ao Rio Grande do Sul (Porto Alegre). E tem uma derivação deste gasoduto que alimenta a refinaria e nós utilizamos o gás da Bolívia.

Fora o oleoduto, os outros continuam funcionando normalmente?

Sim, o que está suspenso é apenas o oleoduto que vem de São Francisco do Sul. Os outros dutos não estão incluídos na interdição.

E você garante a segurança de todos?

A Petrobras garante a segurança de todos eles.

Apenas para se poder entender a diferenciação que o IAP faz entre Repar e Transpetro, existe um terreno da Petrobrás em Araucária, pelo qual passam os dutos da Transpetro, e dentro deste terreno uma área da Repar?

Não, toda a área é da Petrobrás. O acidente se deu dentro da área da Petrobrás, derramou o óleo da Petrobrás e a Petrobrás agiu no sentido de recolher este óleo.

Mas esta diferença de posionamento entre vocês e o IAP terá que ser resolvida, não é?

Qual diferença de posicionamento?

O IAP diz que a responsabilidade pelo acidente é da Transpetro, e que o óleo vazou fora do terreno da Repar. O IAP faz esta diferenciação.

Então o IAP pode esclarecer melhor esta diferenciação. Eu estou trabalhando pela Petrobrás e em nome da Petrobrás, por um acidente havido nas instalações da Petrobrás.

O monitoramento deveria ser conjunto, naquele dia do acidente, entre Repar e Transpetro?

O monitoramento da operação de bombeio precisa ser feito pela Petrobrás, e todos os bombeios são monitorados por ela.

Com a Repar e a Transpetro juntas?

Todas as empresas que constituem a holding Petrobrás estão envolvida nas operações da empresa.

Luiz Valente Moreira - O ato, o documento de interdição é apenas um documento oficial, que formaliza alguma coisa, mas não revela desavenças, desacordos. O IAP, até por uma questão de satisfação à sociedade e à mídia, tem que mostrar sua atuação, e a forma dele mostrar é documentando. E nós vamos responder documentando também. Para nós isso é ótimo. Nós temos toda esta papelada que está sendo pedida, de uma forma estruturada, mas não entregue. Agora nós vamos entregá-la.

A entrega do auto de embargo do IAP seria então apenas uma operação formal?

Eu vejo assim. Eu não vejo nenhum tipo de atrito, nós estamos de pleno acordo. O IAP está cumprindo seu papel, e até indo além do papel dele, porque tem ajudado a gente tremendamente. E agora é um ritual de formalização. O governo está formalizando um pedido. Para formalizá-lo, o IAP vê por bem colocar a interdição. E nós também vamos responder formalmente, e eu acredito que tudo seja resolvido.

Como a Transpetro é uma empresa juridicamente constituída, esta não seria uma forma do Ibama conseguir aumentar o valor da multa, já que a Repar já foi multada pelo governo do Paraná?

Eu não saberia responder isto. Eu não pensei na questão por este enfoque.

O ministro do Meio Ambiente reafirmou esta semana que a multa pode chegar a R$ 150 milhões. Vocês já discutiram isto?

Isto está sendo discutido pela diretoria da Petrobrás e pelo ministro. Eu fico bem abaixo deste nível. Meu nível é operacional. Eu estou tratando apenas de recolher o óleo que a Petrobrás, infelizmente, derramou no meio ambiente.

Na Repar também há outros dutos. Quantos mais são?

Nós temos um duto de expedição para Santa Catarina, de derivados. Um duto de expedição de derivados para Paranaguá. Um duto de recebimento de petróleo do terminal de São Francisco do Sul. E temos o Gasbol (Gasoduto Brasil-Bolívia), que passa próximo da Repar, passa por dentro do terreno da Petrobrás, e vai embora rumo ao Rio Grande do Sul (Porto Alegre). E tem uma derivação deste gasoduto que alimenta a refinaria e nós utilizamos o gás da Bolívia.

Fora o oleoduto, os outros continuam funcionando normalmente?

Sim, o que está suspenso é apenas o oleoduto que vem de São Francisco do Sul. Os outros dutos não estão incluídos na interdição.

E você garante a segurança de todos?

A Petrobras garante a segurança de todos eles.

Apenas para se poder entender a diferenciação que o IAP faz entre Repar e Transpetro, existe um terreno da Petrobrás em Araucária, pelo qual passam os dutos da Transpetro, e dentro deste terreno uma área da Repar?

Não, toda a área é da Petrobrás. O acidente se deu dentro da área da Petrobrás, derramou o óleo da Petrobrás e a Petrobrás agiu no sentido de recolher este óleo.

Mas esta diferença de posionamento entre vocês e o IAP terá que ser resolvida, não é?

Qual diferença de posicionamento?

O IAP diz que a responsabilidade pelo acidente é da Transpetro, e que o óleo vazou fora do terreno da Repar. O IAP faz esta diferenciação.

Então o IAP pode esclarecer melhor esta diferenciação. Eu estou trabalhando pela Petrobrás e em nome da Petrobrás, por um acidente havido nas instalações da Petrobrás.

O monitoramento deveria ser conjunto, naquele dia do acidente, entre Repar e Transpetro?

O monitoramento da operação de bombeio precisa ser feito pela Petrobrás, e todos os bombeios são monitorados por ela.

Com a Repar e a Transpetro juntas?

Todas as empresas que constituem a holding Petrobrás estão envolvida nas operações da empresa.

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