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| GAZETA DO POVO - 03/Agosto/2000 Superintende da Repar é exonerado do cargo Petrobras conclui sindicância interna e reponsabiliza 12 funcionários pelo vazamento em Araucária Empresa demite quatro funcionários da refinaria Lenise Aubrift Klenk e Agências A diretoria da Petrobras anunciou ontem, no Rio de Janeiro, quatro demissões, quatro exonerações, três suspensões e uma advertência a funcionários considerados responsáveis pelo acidente na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, de onde vazaram quatro milhões de litros de óleo em 16 de julho. O superintendente da Repar, Luiz Valente Moreira, foi um dos exonerados do cargo e dois operários da refinaria - um operador de painel e outro de campo - estão entre os demitidos. Também foi exonerado o superintendente da Dutos e Terminais do Sul (DTSUL), Marcos Benício Antunes. Ele comandava a subsidiária responsável pelo duto que leva óleo de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, para Araucária e onde ocorreu o acidente. Todas as punições são decorrência dos resultados de investigações feitas por uma comissão interna de sindicância. A punição a alguns funcionários encerra um ciclo de avaliações sobre um acidente de grandes proporções, que a Petrobras se limita a considerar apenas resultado de sucessivas falhas humanas. Foram punidos os responsáveis pelos projetos de troca de válvulas e os envolvidos nas operações de abertura de tanques durante o bombeamento de óleo para a refinaria. De acordo com avaliação de outra comissão de sindicância, que apurou as causas do acidente, o tanque que deveria receber o óleo não foi aberto e a pressão dentro do sistema fez com que uma peça se rompesse. O rompimento poderia ser evitado se uma válvula não tivesse sido substituída por um tampão. O óleo começou a vazar pela peça rompida, antes que a pressão fosse suficiente para que o problema acionasse o sistema de sinalização. A partir da avaliação inicial, foram responsabilizados os funcionários que definiram a troca da válvula, assim como aqueles que falharam na operação de bombeamento. Além da exoneração de Moreira e da demissão dos dois operários, a Repar foi punida com suspensões por 29 dias de um supervisor e um técnico e a exoneração do chefe do setor de manutenção de equipamentos estáticos. Na DTSUL, um engenheiro e um supervisor também foram demitidos, um engenheiro foi suspenso, um gerente de operação foi exonerado e outro engenheiro recebeu advertência. Segundo o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, essas são as punições mais drásticas já aplicadas a funcionários da empresa por falhas humanas. O superintendente da Repar exonerado do cargo não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto. Em entrevista concedida à imprensa na semana do acidente, Moreira fez um desabafo quando foi questionado sobre demissões. Ele não quis falar na possibilidade, mas disse que considerava injusto um acidente dessas proporções acontecer durante a sua gestão. "Duvido que haja nesta refinaria alguém que tenha falado mais em meio ambiente e segurança do que eu", disse Moreira. O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e de Santa Catarina (Sindipetro), Hélio Seidel, diz que mantinha um posicionamento oposto ao do superintendente, mas admite que a "bandeira" de Moreira fosse a segurança. Segundo Seidel, a categoria entende que a superintendência não tem gestão completa sobre as políticas da Petrobras. Tragédias Ontem pela manhã um helicóptero que presta serviço para a Petrobras caiu no município de Penha, a 95 quilômetros de Florianópolis (SC). Cinco pessoas morreram, incluindo o petroleiro Manasses Rodrigues Rangel, funcionário da Petrobras. O helicóptero havia decolado de Cubatão (SP) e tinha como destino o Aeroporto de Navegantes, em Itajaí. Os corpos dos ocupantes da aeronave foram encontrados mutilados e carbonizados. O petroleiro era operador da Bacia de Campos (RJ), mas trabalhava na plataforma de Merluza, em Santos, que pertence ao escritório da Petrobras em Itajaí. Na terça-feira à noite, trezentos litros de óleo foram derramados no mar catarinense durante operação de abastecimento de um navio por uma embarcação fretada pela Petrobras. O acidente ocoreu distante cerca de um quilômetro e meio da Ilha de São Francisco do Sul, na Baía da Babitonga. Técnicos do Ibama estiveram ontem no local para apurar a extensão do derrame. Há riscos do óleo atingir as praias da Região Norte catarinense. Petroleiros fazem greve Cerca de 35 operadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, iniciaram ontem à tarde uma greve de 24 horas, em protesto à demissão de dois funcionários da refinaria, responsabilizados pelo acidente ecólogico ocorrido no dia 16. Os operadores em greve negaram-se a fazer a troca do turno das 15h30. Como os sistemas de produção da refinaria não podem ser desativados de uma só vez, os funcionários que entraram pela manhã (7h30) continuaram em seus postos. Nem a direção da Repar, nem o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro), souberam explicar se estes mesmos operadores fariam também o turno da noite de ontem, com início às 23h30 - totalizando uma carga horária ininterrupta de 24 horas de trabalho. Para o presidente do sindicato, Hélio Seidel, a solução seria a Repar parar as atividades durante a greve. Ontem no começo da noite, o superindentende interino da refinaria, Paulo Rosa, afirmou que a área de refino funcionava a plena carga e não iria parar. A assessoria de imprensa da Repar disse que médicos acompanhariam o trabalho dos cerca de 15 operadores que permanceram em atuação. Eles monitoram todas as unidades que fazem o processo de refino do petróleo e transferência de produtos entre os tanques, as atividades de maior risco para os petroleiros. Hoje pela manhã, os petroleiros fazem um assembléia em frente à Repar, para discutir se a greve continua e se irá abranger também o departamento administrativo da empresa, além de engenheiros e técnicos. O Sindipetro deve ajuizar nos próximos dias uma ação trabalhista pedindo a reintegração dos operadores demitidos aos seus cargos. Revolta A demissão de dois operadores da Repar, que faziam plantão na refinaria na tarde de domingo, quando ocorreu o acidente, irritou os demais petroleiros. Para o presidente do Sindipetro, as demissões foram injustas e não resolverão o problema de falta de segurança nos sistemas da Petrobras e, conseqüentemente, o risco de que outras tragédias ecológicas ocorram. "Mais uma vez os operários é que foram penalizados." Seidel denuncia ainda que o clima entre os petroleiros é tenso desde que a Petrobras anunciou sua política de "tolerência zero" quanto a erros de operação de seus funcionários. O dirigente sindical afirma que as falhas - questionáveis muitas vezes, segundo ele - se tornaram mais recorrentes nos últimos anos devido à política "irresponsável" de enxugamento do quadro de pessoal da Petrobras. "Nisso a Petrobras não falou em nenhum momento na sindicância", disse. Segundo os dirigentes do Sindipetro, os dois operadores demitidos ontem estavam sobrecarregados. "Um deles tinha que monitorar um painel de controle com 30 a 50 operações ao mesmo tempo", conta Roni Anderson Barbosa, um dos diretores do sindicato. Segundo Barbosa, até mesmo o gerente da área já havia alertado a direção da Repar sobre o problema e a falta de condições de segurança com que os operadores trabalhavam.
Superintendente da Repar é exonerado etrobras pune 12 funcionários pelo vazamento de 4 milhões de litros de óleo Michelle Thomé
O superintendente da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Luiz Valente Moreira, foi exonerado do cargo ontem em punição pelo vazamento de 4 milhões de litros de óleo da unidade no último dia 16. Ao todo, 12 funcionários foram punidos: além de Moreira, a exoneração atingiu Marcos Benício, superintendente da Dutos e Terminais do Sul (órgão da Transpetro responsável pelo transporte de óleo) e outros dois funcionários, quatro trabalhadores da Repar estão demitidos, três suspensos (de cinco a 29 dias) e um advertido por carta. O anúncio foi feito no Rio de Janeiro pelo presidente da Petrobras, Henri Philippe Reischtul. Em protesto às demissões dos quatro colegas - entre eles o funcionário que deixou de acionar uma válvula do sistema, o que teria ocasionado o acidente - os grupos de dois turnos da Repar não entraram na refinaria ontem. Cinqüenta trabalhadores que deveriam assumir os postos às 15h30 ficaram do lado de fora da refinaria e o mesmo deveria acontecer com o turno da 0h30, segundo o presidente do Sindicato dos Petroleiros, Hélio Seidel. A direção do sindicato vai conversar com a superintendência hoje na tentativa de reverter as demissões. Falha gerencial - As punições foram decididas depois de uma sindicância da empresa sobre o acidente. De acordo com o Reischtul, os superintendentes foram exonerados apesar de seus nomes não estarem incluídos na sindicância. Segundo ele, a diretoria da empresa chegou à conclusão de que o acidente foi uma "falha gerencial". Os nomes dos punidos não foram divulgados. "O que houve foi falta de cumprimento dos procedimentos estabelecidos", justificou o superintendente de abastecimento da empresa, Albano de Souza Gonçalves. Ele disse que os quatro demitidos cometeram erros na operação e não seguiram as regras da empresa. Estatal decide sobre o pagamento da multas A Petrobras ainda não decidiu se recorrerá das quatro multas - três aplicadas pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e uma pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) - que somam R$ 218 milhões. O presidente da empresa, Henri Philippe Reischtul, disse ontem, no Rio de Janeiro, que em uma semana o departamento jurídico da empresa dará uma resposta. A multa do Ibama, de R$ 168 milhões é a maior multa já determinada pela instituição. O vazamento de 4 milhões de litros de óleo de um duto que transporta combustível do terminal de São Francisco do Sul, no Litoral de Santa Catarina, à Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, foi o mais grave acidente ecológico dos últimos 25 anos no País. O óleo derramado no dia 16 de julho atingiu os rios Barigüi e Iguaçu numa extensão de quase 50 quilômetros, ameaçando o abastecimento de água na região e destruindo a fauna e a flora. Técnicos do IAP, da Petrobras e do Ibama e trabalhadores contratados fizeram a retirada do óleo, tentando impedir principalmente que a mancha chegasse a União da Vitória, na divisa com Santa Catarina, onde há um ponto de captação de água, o que provocaria colapso no abastecimento da população. O duto foi interditado duas vezes: pela Agência Nacional de Petróleo e pelo IAP, mas agora está operando normalmente. (MT) Derramamento de combustível O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vão anunciar nesta quinta-feira as penalidades que serão aplicadas a América Latina Logística (ALL) pelo acidente ferroviário que provocou o derramamento de 25 mil litros de gasolina no município de Fernandes Pinheiro, na região Sul do Paraná. Segundo o presidente do IAP, José Antonio Andreguetto, o valor da multa será estipulado assim que for o relatório das equipes técnicas que acompanharam os trabalhos de contenção e limpeza da área atingida. "A partir disto vamos definir as novas penalidades que serão impostas à empresa", disse Andreguetto. Ontem, a ALL foi notificada pelo IAP e pelo IBAMA de que a operadora será multada pelo segundo acidente com vazamento de combustível em 10 dias. O vazamento de gasolina ocorreu na madrugada de terça-feira, depois que três vagões de um trem da ALL tombaram próximo a área central do município de Fernandes Pinheiro. Um dos vagões sofreu perfuração, provocando o derrame de 25 mil litros do combustível numa área de várzea do Rio Imbituva, considerada de preservação permanente e manancial de abastecimento do município de Irati. Segundo técnicos do IAP, não existe risco da gasolina atingir o rio. "De qualquer forma, vamos exigir da empresa um plano completo de recuperação ambiental", afirma o presidente do IAP. A mesma medida de recuperação está sendo adotada para o outro acidente ocorrido na semana passada envolvendo trens da ALL. O descarrilamento anterior ocorreu a seis quilômetros do acidente desta terça-feira e provocou o vazamento de 30 mil litros de óleo diesel. A multa aplicada pelo IAP neste acidente foi de R$ 80 mil.
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