PETROBRÁS ATACA NOVAMENTE!

Óleo diesel vaza na Serra do Mar

O Estado do Paraná - 17/02/2001

Anselmo Meyer

Vazamento PetrobrasMais um vazamento de óleo diesel ontem num poliduto da Petrobras, que leva combustível da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, até o porto de Paranaguá, causou muitos danos à AIT (Área de Interesse Turístico) e APA (Área de Proteção Ambiental de Guaratuba), localizadas na região de Morretes. Cerca de 1.200 litros, segundo a Petrobras, foram despejados, em ambos os locais que são totalmente cobertos por Floresta Atlântica e de preservação ambiental na Serra do Mar.

O problema começou por volta das 10h da manhã, quando a tubulação se rompeu, provocando o vazamento. O óleo atingiu primeiramente a cabeceira do Rio Carambiú. Em seguida, se estendeu para os rios do Meio e Sagrado, os quais deságuam no Nhundiaquara. Porém nenhum deles, segundo a Petrobras, abastece as cidades da região.

Segundo o gerente do terminal de Paranaguá e comandante das operações no local, Luís Vicente Ferreira da Costa, não se sabe ainda exatamente as causas do problema. "Não avaliamos ainda, pois, devido ao terreno estar úmido e com perigo de desmoronamento, não conseguimos chegar até a tubulação que está a dois metros do solo". Ele afirmou que o vazamento foi estancado imediatamente após o alarme recebido pela empresa. "Soubemos disso por volta das 10h30 e uma hora depois já havia um técnico no local". Além dessas atitudes, de acordo com a Transpetro, subsidiária da empresa, logo após a constatação do acidente foram acionados o Plano de Combate a Emergência e o Centro de Defesa Ambiental, em Itajaí (SC).

Vazamento Petrobras

O gerente assegurou que a prioridade agora será conter a mancha que atingiu os rios. "Além disso, vamos recolher e limpar o óleo derramado, com barreiras e recolhedoras especiais". Para isso a Petrobras destinou 150 homens, um helicóptero e, aproximadamente, dez caminhões para esta operação. "Vamos trabalhar ininterruptamente, até controlar o problema", explica, garantindo que os serviços durarão mais de uma semana. A Transpetro também formou uma comissão de sindicância para apurar as causas do vazamento.

Antecedentes

Vazamento PetrobrasEste é o segundo problema de vazamento da Petrobras, em menos de seis meses, no Estado do Paraná. Em 16 de julho do ano passado, vazaram cerca de 4 milhões de litros de óleo de um duto dentro da área da Repar, atingindo os rios Barigüi e Iguaçu. Na época foi determinada a interdição do duto, que liga a refinaria ao Porto de São Francisco do Sul (SC), também operado pela Transpetro.

A Petrobras pagou uma multa de R$ 40 milhões ao IAP e contesta judicialmente outra penalidade, de R$ 168 milhões, aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Alerta logo no início da manhã

GuardiãoApesar de a Petrobras assegurar que o vazamento começou às 10h da manhã, o guardião da Transpetro no local, Luís Carlos Firmin, disse que logo no começo da manhã já haviam sinais de óleo vazando.

Segundo ele, por volta das 9h já havia ligado para a subsidiária avisando do acidente. "Estava na casa de um amigo e quando saímos notamos que havia óleo no chão, com isso telefonei para pessoal de Curitiba", detalha.

Porém ele garante que o vazamento não foi muito grande. "Não aparecia muito, mas nós ficamos muito preocupados com isso, pois é o nosso trabalho."

Ele confirmou que a água do Rio Carambiú, primeiro a ser atingido, não é ingerida por ninguém, entretanto muitas pessoas que habitam a região a utiliza de uma outra forma. "O pessoal usa essa água para regar as hortas, principalmente de chuchu, mas agora eles devem parar de fazer isso com esse problema." (AM)

Relatório deve ser entregue hoje

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi avisado do vazamento somente, às 12h45. Equipes do órgão ambiental e da Defesa Civil seguiram para o local, a cerca de 50 quilômetros de Curitiba, próximo ao km 36 da BR-277. O IAP interditou o poliduto e notificou a Petrobras, para que, até às 13h de hoje, entregue um relatório com todas as especificações do acidente. Neste documento deverão constar o volume de óleo vazado e as causas do problema.

A Secretaria do Meio Ambiente também pediu que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e ao Instituto de Criminalística para que abram imediatamente um inquérito para investigar as causas do derramamento de óleo diesel da Petrobras na Serra do Mar. "Estas medidas são importantes, mas precisamos nos concentrar agora é na contenção o vazamento e evitar que o óleo polua os rios do litoral", pede o secretário do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto.

Segundo o chefe de fiscalização do IAP, José Luiz Bolicenha, que sobrevoou a região, disse acreditar que o problema pode ter ocorrido em uma bomba. "Deve ter havido pane nessa bomba, que estourou e provocou o vazamento", explica. Ele garantiu ainda que a estatal deverá receber uma grande multa por esse derramamento. "O problema é que eles já são reincidentes e atingirão um local de preservação ambiental", explica, dizendo que não se pode comparar este vazamento com o de julho, em Araucária. "Não sei qual das duas foi pior, pois são locais diferentes". (AM)

 CONTINUA >

 

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