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Gazeta do Povo - 17/02/2001

Óleo atinge a Serra do Mar

DANIELLE BLASKIEVICZ E FERNANDO MARTINS

 

Barreiras de contenção são usadas para evitar o avanço do líquido

Cerca de 1,2 mil litros de diesel vazaram com o rompimento de um duto

 

Operários tentam conter o óleo que vazou do duto da Petrobras num afluente do Rio Sagrado, em Morretes.

O vazamento de cerca de 1,2 mil litros de óleo diesel, na localidade Carambuí, em Morretes, está colocando em risco parte da fauna e da flora na região da Serra do Mar no Paraná. O episódio ocorreu exatamente na data que marca os sete meses do vazamento de óleo da empresa que atingiu o Rio Iguaçu, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Um poliduto da Petrobrás, que transporta derivados de petróleo da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, até o terminal da empresa no Porto de Paranaguá se rompeu na manhã de ontem, atingindo o Córrego Sumidouro, afluente do Rio Sagrado, um dos principais de Morretes.

O local atingido fica dentro da Área de Interesse Turístico do Marumbi, que é uma unidade de conservação estadual. Além disso, o Paraná é o estado brasileiro com maior área de Mata Atlântica ainda preservada.

A Transpetro – empresa subsidiária da Petrobrás responsável pela operação do duto – estima que o volume de óleo diesel não ultrapasse os 1,2 mil litros. Entretanto, por dia circulam dez milhões de litros de derivados de petróleo, segundo o gerente do Terminal da Petrobrás em Paranaguá, Luiz Vicente Maurer Ferreira da Costa. Ele explica que há três dias não havia movimentação no duto, mas mesmo assim o local estava cheio de óleo diesel. "O vazamento poderia ter sido muito maior se o líquido estivesse circulando", comenta.

Prejuízos

Dez caminhões-tanque que trabalham para a Petrobrás foram acionados pela empresa, caso necessitasse fazer o transporte do óleo. Costa afirma que somente nos próximos dias será possível fazer um levantamento mais preciso dos prejuízos e da quantidade de óleo derramado. Uma das possíveis causas do acidente seria um defeito em uma das bombas do oleoduto. "Mas só vamos ter certeza disso depois das perícias técnicas", salienta o gerente.

Vários funcionários da Petrobrás foram acionados para ajudar a conter o vazamento, que já tinha se espalhado por aproximadamente três quilômetros na região da Serra. O acidente ocorreu por volta das 11h15, mas o secretário estadual do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, informa que as autoridades ambientais só foram avisadas por volta das 13 horas.

Contenção

Cinco barreiras de contenção foram montadas ao longo do Rio do Meio, a uma distância média de um quilômetro entre elas, para evitar que o óleo diesel chegasse ao Rio Sagrado. A última barreira colocada ontem estava nas proximidades do quilômetro 31 da BR-277 (sentido Paranaguá-Curitiba). Porém, como se trata de óleo diesel, que é menos denso que a água, o produto se espalhou com bastante rapidez.

Integrantes da Defesa Civil Estadual e do Corpo de Bombeiros do litoral foram acionados para coordenar os trabalhos na região. O capitão Luiz Henrique Pombo, comandante do Corpo de Bombeiros em Paranaguá, sobrevoou a área e relata que o Rio do Meio foi bastante atingido pelo óleo diesel. "Vamos torcer para que não chova, porque em algumas regiões o líquido não tem força para descer", ressalta.

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