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Folha do Paraná - 17/02/2001 IAP interdita oleoduto que vazou em área de preservação
Delegacia do Meio Ambiente vai investigar as causas desse novo vazamento da Petrobras no Paraná
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) determinou na tarde desta sexta-feira a interdição do poliduto da Petrobras que leva combustível da refinaria presidente Getúlio Vargas, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, até o porto de Paranaguá. A tubulação se rompeu pela manhã, provocando o vazamento de óleo diesel em um córrego na região de Morretes. A Secretaria do Meio Ambiente também pediu que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente abra imediatamente um inquérito para investigar as causas do derramamento de óleo diesel da Petrobrás na Serra do Mar. "Estas medidas são importantes, mas precisamos nos concentrar agora é na contenção o vazamento e evitar que o óleo polua os rios do litoral", disse o secretário do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto. O IAP deverá divulgar neste final de semana um laudo preliminar dos danos causados pelo segundo vazamento provocado pela Petrobras em menos de um ano. Ainda na tarde de sexta, uma equipe da secretaria sobrevoou o local do derramamento para saber o tamanho dos estragos causados e também coletou amostras do óleo. A Defesa Civil estadual também foi acionada para auxiliar o pessoal da Petrobras na contenção do óleo. Foram instaladas barreiras ao longo do córrego atingido pelo vazamento para evitar o avanço do combustível derramado. Segundo as primeiras informações, o vazamento foi detectado as 11h30 da manhã de sexta. O IAP foi informado rompimento do poliduto às 12h45 e imediatamente mobilizou uma equipe para acompanhar as ações de recuperação da área atingida. IAP
contesta crítica de engenheiros O diretor-presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Mário Sérgio Rasera, rebateu as críticas do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), que pôs em dúvida a ação do instituto ao fiscalizar a Petrobras. Na quarta-feira, o Crea divulgou um relatório sobre o derramento de 4 milhões de litros de óleo cru sobre os rios Barigüi e Iguaçu. O vazamento aconteceu no dia 16 de julho do ano passado, da tubulação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, Região Metropolitana. Rasera entende que o órgão estadual vem realizando o seu papel de controlar as empresas poluidoras. "No caso da Petrobras, diversas multas foram aplicadas antes do vazamento", disse. O diretor cutucou o Crea ao dizer que também os profissionais que realizam os projetos das empresas precisam ser responsabilizados por seus atos. Efeito
Repar pode tornar leis mais rígidas O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) defende a criação de uma lei que obrigue a existência de grupos de gerenciamento de riscos perto das zonas industriais de todo o Estado. A proposta integra o relatório que o conselho - junto com outras 30 entidades da sociedade civil - está concluindo sobre o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo ocorrido na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), em julho do ano passado. O presidente do Crea, Luiz Antonio Rossafa, disse que a proposta de gerenciamento de riscos ganhou corpo em função das deficiências levantadas no caso da Petrobras. A Folha procurou a Repar para se pronunciar sobre o assunto. Mas a assessoria de imprensa informou que a direção da refinaria não faria isso, por desconhecer o teor do relatório. "O vazamento na Repar mostrou que a empresa não tinha um plano para combater um incidente daquele porte", afirmou Rossafa. "E também não sabia como lidar com o problema que atingia as comunidades próximas e poluiu o meio ambiente", acrescentou. A comissão comparou laudos técnicos de várias instituições e levantou 2,5 mil páginas de documentos, que originaram um relatório preliminar de 75 páginas. O documento vai ter o texto final fechado dentro de duas semanas. No relatório preliminar, a falta de equipamentos e pessoal qualificado foram considerados como fatores que permitiram que o óleo ultrapassasse o terreno da empresa. Além disso, a ausência de técnicos especializados em recuperar o meio ambiente teria provocado um alto índice de morte de animais. Cerca de 64% dos animais atingidos pelo acidente morreram por causa dos efeitos do petróleo. Um dos pontos ressaltados é o "sucateamento do quadro funcional da Petrobras". No documento, o Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetro) mostra que houve uma grande redução do quadro funcional da Repar. Em 1995, trabalhavam 281 empregados na área de operação, 36 no setor de segurança industrial e 103 na manutenção. No final do ano passado, esses números caíram para 217 na produção, 17 na área de segurança industrial, sendo que na manutenção ficaram 69 funcionários. Também foi posto em xeque a inadequação da Repar e dos dutos da Petrobras com a legislação ambiental. Até a época do acidente, os dutos não tinham licenciamento ambiental. Porém, a refinaria contava com autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para funcionar. O presidente do Crea, Luiz Rossafa, criticou a falta de critérios da fiscalização do IAP. A Folha procurou a direção do instituto no final da tarde, mas não encontrou quem pudesse rebater a crítica do Crea. Rossafa defende que os órgãos ambientais indiquem para a sociedade os pontos de riscos industriais existentes no Paraná. "A comunidade precisa saber como deve se proteger de acidentes ou poluição gerados pelas indústrias", disse. documento das 31 entidades será encaminhado ao Ministério Público. O teor do material levantado pelo Crea é similar aos argumentos que embasam a ação do MP, que cobra da estatal indenização de R$ 2,3 bilhões pelo acidente. Atualmente, o processo está protocolado na 4ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba. Crea
aponta erros em acidente na Repar Deficiências no gerenciamento e excesso de demissões na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), são apontados como alguns dos principais motivos do acidente que causou o vazamento de 4 milhões de litros de óleo nos rios Barigui e Iguaçu, em julho do ano passado. Essas e outras possíveis causas do acidente serão apresentadas hoje, às 15 horas, pela comissão mista formada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR). A comissão comparou laudos técnicos de várias instituições, como a Sanepar, que analisou a qualidade da água após o vazamento, e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que avaliou os danos ambientais da região atingida. O vazamento foi considerado o maior acidente ecológico já ocorrido no estado. Baseada em cerca de 2,5 mil páginas de documentos, a comissão elaborou um relatório de 75 páginas. O coordenador da comissão mista do Crea, Ismael Alves de Moraes, diz que não pode adiantar a conclusão do relatório. "Alguns números ainda estão sendo checados hoje (ontem)", explicou. O relatório começou a ser preparado há 180 dias, com o objetivo de apurar as causas, responsabilidades, consequencias ambientais e ainda indicar ações que visem reparar danos e cobrar a instalação de medidas de prevenção de acidentes e o controle social de emprendimentos de risco ambiental. Após aprovado por todos os membros da comissão - formada por 30 entidades - o documento será encaminhado ao Ministério Público para integrar as investigações sobre o acidente.
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