|
|
|
|
Gazeta
do Povo - 18/02/2001 Vazamento coloca em risco região de mangue Autoridades acreditam que volume de óleo seja superior ao divulgado Dez
barreiras de contenção foram colocadas nos rios que cortam a Serra do Mar
para evitar o avanço do dieesel
O vazamento de óleo diesel do poliduto da Petrobrás já atingiu as regiões de mangue no litoral do estado e a Baía de Paranaguá. O duto se rompeu na sexta-feira, na localidade de Carambiú, em Morretes, no trecho da Serra do Mar. O óleo está se espalhando rapidamente e, além do Rio do Meio, a presença do produto já foi constatada nos rios Carambiú, Sagrado e Nhundiaquara – o principal rio do município. As autoridades ambientais acreditam que o volume de óleo derramado seja bem superior ao que foi divulgado, em nota oficial, pela Transpetro – subsidiária da Petrobrás responsável pela operação do duto. A empresa informou que 1,2 mil litros de óleo diesel vazaram do duto. Entretanto, segundo o gerente do Terminal da Petrobrás em Paranaguá, Luiz Vicente Maurer Ferreira da Costa, o fluxo diário é de dez milhões de litros de derivados de petróleo. Estes materiais são transportados da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária – região metropolitana de Curitiba –, até o Porto de Paranaguá. Extensão Ao todo, são 96 quilômetros de extensão do poliduto entre Araucária e Paranaguá e o rompimento foi constatado no quilômetro 57,6. Costa afirma que no início do ano passado a Petrobrás fez um exame PIG-instrumentado – semelhante à uma ultrassonografia – para identificar possíveis furos e vazamentos ao longo do trecho do duto. A Petrobrás destacou cerca de 500 pessoas para trabalhar na contenção e remoção do óleo diesel. Pela manhã sete barreiras de contenção já tinham sido instaladas pela empresa, cinco delas no Rio do Meio e outras duas no Rio Sagrado. O secretário estadual de Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, determinou a colocação de pelo menos mais três barreiras durante a tarde de ontem. Mesmo assim, não foi possível evitar que o óleo se espalhasse. A película mais fina do diesel não chega a ser absorvida nas barreiras de contenção. Diversos caminhões de sucção estão sendo utilizados no trabalho, além de mangueiras de sucção e baldes para a coleta manual. Maré Apesar de não existir ligação entre o Nhundiaquara e os demais rios, o refluxo da maré acabou fazendo com que o óleo chegasse até lá. O secretário de Meio Ambiente de Morretes, Deimeval Borba, explica que a água dos rios Sagrado e Nhundiaquara deságuam na baía. Com a subida da maré, o óleo misturado à água acabou chegando ao Nhundiaquara. José Tadeu Motta, assessor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), relata que já foram identificados alguns peixes mortos ao longo do Rio Sagrado. Eles foram levados pela correnteza e pescadores da região constataram o problema. Óleo
diesel chega à Baía O secretário estadual de Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, sobrevoou a área ontem à tarde e, segundo ele, na Baía de Paranaguá e no Rio Nhundiaquara foi possível observar uma película – formada pelas cores do arco-íris –, fator que indica a presença do óleo no local. O secretário de Meio Ambiente de Morretes, Deimeval Borba, fala que oito comunidades existentes ao longo das margens dos rios do Meio, Carambuí e Sagrado estão sendo prejudicadas com o vazamento de óleo diesel. Cinco delas – Rio Sagrado de Baixo, Pitinga, Marta, Trinta e Dois e Rio dos Patos – sobrevivem da agricultura e da pesca nestes locais. Mais de 100 famílias estão impedidas de trabalhar, uma vez que utilizam a água para irrigar suas plantações.
|
|
|
|