Folha do Paraná - 19/02/2001

Petrobrás admite vazamento gigantesco

Ellen Taborda - Folha do Paraná - Curitiba

 

Vazamento Petrobras Os novos números divulgados no domingo pela empresa dão conta de um derrame de pelo menos 48 mil litros de óleo.

A Petrobras admitiu ontem que 48 mil litros de óleo já foram retirados dos rios atingidos pelo vazamento de um duto na Serra do Mar. Trabalho de limpeza deve terminar terça-feira e quantidade exata do vazamento será divulgada hoje.

O volume é pelo menos 40 vezes maior do que os 1,2 mil litros divulgados inicialmente pela empresa. A equipe de reportagem da Folha percorreu de barco os rios Sagrado, das Neves e Nhundiaquara, acompanhando uma equipe de especialistas em meio ambiente, e constatou que ainda existe um grande volume de óleo nos rios e muitos peixes mortos.

O Secretário estadual do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, suspenderá a audiência pública marcada para março com a direção da Petrobras. A empresa apresentaria estudos de impacto ambiental para obter permissão para a construção de uma termoelétrica a óleo em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Andreguetto sobrevoou a área do acidente ontem e detectou falhas nas barreiras montadas pela Petrobrás para a contenção do óleo. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já determinou maior eficiência na absorção do óleo.

Histórico

Em apenas um ano, a Petrobras foi responsável pelo vazamento de cerca de 5,9 milhões de litros de material poluente no Brasil. Os 19 acidentes registrados em 2000 despejaram nos rios e no Oceano Atlântico substâncias como petróleo, gasolina, álcool e óleo. Os dados são do relatório da Comissão Mista formada pelo Crea para investigar os acidentes envolvendo a empresa no Paraná.

O ano passado começou com o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía da Guanabara. No Paraná, foi registrado o maior acidente da Petrobras. Em julho, 4 milhões de litros de petróleo foram derramados nos rios Iguaçu e Barigui, devido ao rompimento de uma junta na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba.

Entidades cobram laudo de instalações da Petrobras
Os ambientalistas paranaenses querem que o governo fiscalize com maior rigor o estado das máquinas e equipamentos da empresa
Maigue Gueths - Folha do Paraná - Enviada a Morretes

    Ambientalistas do Paraná irão convocar uma reunião com os órgãos públicos do meio ambiente, como secretaria Estadual e Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para exigir que sejam tomadas sérias providências em relação à Petrobras. A intenção é exigir que o estado providencie um laudo confiável, feito por técnicos internacionais, para determinar as reais condições de funcionamento das unidades da empresa em todo o Brasil.

Os ambientalistas sugerem que o laudo seja pago com recursos das multas pagas pela Petrobras por ocasião dos acidentes. "Não dá para confiar nas informações da Petrobras, que já mostrou que não trata a questão do meio ambiente com nenhuma seriedade", diz o diretor da Sociedade de Pesquisa à Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Ricardo Borges. Para ele, de nada adiantam as discussões após os acidentes se restringirem ao estabelecimento de multas. "É preciso exigir que a empresa tome providências para evitar de fato os acidentes", diz.

O biólogo Tiaraju de Mesquita Fialho também cobra um compromisso maior da Petrobras com a manutenção dos equipamentos. "Não podemos ficar à mercê da Petrobras, que diz que vai providenciar um sistema de detecção de vazamentos a lazer, mas carece de um sistema de manutenção eficiente", diz. "Desta vez, o rompimento do duto coloca em risco os rios Nhundiaquara, a baía de Antonina. Não compromete o abastecimento de água. E se o vazamento tivesse acontecido no início do duto, na região do rio Pequeno em Piraquara, comprometendo 70% da região metropolitana", questiona.

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) só irá definir as penalidades à Petrobras depois de concluído o laudo técnico. Até agora, o IAP determinou a interdição do duto e notificou a Petrobras a comparecer ontem às 13 horas no órgão para prestar informações sobre o acidente. O secretário Estadual do Meio Ambiente José Antônio Andreguetto determinou ainda que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente instaure inquérito policial para apurar o caso.

IAP e Petrobras também estavam trabalhando junto à população local, orientando para o não consumo da água do rio e riscos de incêndio. Como muitos moradores usam água do rio, um carro-pipa está providenciando o abastecimento.

CONTINUA >

 

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