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| O Estado do Paraná - 21/02/2001 Chuva atrapalha retirada do óleo Lyrian Saiki
A forte chuva que caiu na tarde de ontem acabou atrapalhando a retirada do óleo diesel que vazou na Serra do Mar, na última sexta-feira, principalmente na região onde houve o rompimento do duto. Os mais de trezentos operários que trabalhavam naquele local foram dispensados por volta das 16h, por risco de desmoronamento de um morro. A expectativa da Petrobras era finalizar a retirada do óleo dos rios ainda ontem, enquanto a Defesa Civil acredita que o trabalho se estenda até sexta-feira. Segundo o agente da Defesa Civil, Leonel de Oliveira, foi aberta uma fenda no morro próximo ao local onde os operários estavam trabalhando, medindo quase um palmo, o que poderia causar um desabamento. "A dispensa foi mais por precaução", garantiu Oliveira. Hoje os operários devem voltar ao trabalho. O presidente da Petrobras, Henri Phillippe Reichstul, não confirmou se a empresa pagará, sem recorrer, a multa de R$ 150 milhões aplicada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), relativa ao vazamento dos 50 mil litros de óleo. "A multa foi enviada ao nosso departamento jurídico, que vai examinar o assunto", comentou. No ano passado, a Petrobras pagou multa de R$ 40 milhões ao IAP, pelo vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru nos rios Barigüi e Iguaçu. Mas está recorrendo da multa de R$ 168 milhões aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo mesmo acidente. Danos ambientais
Proibida pesca nos rios atingidos O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) baixaram ontem portaria proibindo, por tempo indeterminado, qualquer modalidade de pesca nos rios do Meio, Sagrado, dos Neves e Nhundiaquara, na Serra do Mar (de responsabilidade do Estado), bem como a baía de Antonina (de responsabilidade da União), todos atingidos pelo óleo diesel. Assim como a pesca, o IAP também reforçou na portaria a proibição de qualquer tipo de queima em vegetação, mesmo as controladas, numa distância inferior a 200 metros de largura das margens dos rios que foram comprometidos pelo óleo. Os rios citados na portaria também ficam interditados para prática de esportes aquáticos e não podem ser utilizados como balneários. A medida proíbe ainda a retirada das águas para consumo humano, animal ou para irrigação de lavouras. Na baía de Antonina, fica proibida também a captura e comercialização de caranguejo-uça, todas as espécies de camarões e demais animais aquáticos oriundos das áreas afetadas. São medidas preventivas que têm por objetivo principal evitar algum tipo de acidente ou dano à população local", explica o presidente do IAP, Mário Sérgio Rasera. (LS) Duto interditado pela ANP A Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou ontem a interdição do duto Araucária-Paranaguá (Olapa), onde ocorreu o vazamento de óleo diesel. Na sexta-feira, quando aconteceu o acidente, o IAP já havia interditado o oleoduto. Segundo o auto de interdição da ANP, a Petrobras está impedida de operar o duto até que sejam identificadas e sanadas as causas da ocorrência e feitos os reparos necessários. A desinterdição do duto dependerá da análise desses relatórios pela Agência Nacional. O duto onde ocorreu o acidente foi construído há 26 anos. (LS) Caveira contra o desastre
Neto aproveitou para levar os dois filhos, a sobrinha e um vizinho aos rios atingidos pelo óleo. "São eles, que ainda são novos, que têm que ver isso. Os adultos já estão anestesiados".
Portaria do IAP proíbe pesca nos rios atingidos pelo óleo O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) baixou nesta terça-feira (20) uma portaria que proíbe, por tempo indeterminado, qualquer modalidade de pesca nos rios do Meio, Sagrado, dos Neves e Nhundiaquara, na Serra do Mar. A medida vale desde a foz do rio Nhundiaquara até 500 metros acima do encontro com o rio do Neves. Os rios foram atingidos, na semana passada, pelo derramamento de óleo do poliduto da Petrobras que leva combustível da refinaria presidente Getúlio Vargas, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, até o porto de Paranaguá. Assim como a pesca, o IAP também reforçou na portaria a proibição de qualquer tipo de queima em vegetação, mesmo as controladas, numa distância inferior a 200 metros de largura das margens dos rios que foram comprometidos pelo óleo. Os rios citados na portaria também ficam interditados para prática de esportes aquáticos e não podem ser utilizados como balneários. A medida proíbe ainda a retirada das águas para consumo humano, animal ou para irrigação de lavouras. "São medidas preventivas que têm por objetivo principal evitar algum tipo de acidente ou dano à população local", diz o presidente do IAP, Mário Sérgio Rasera. Limpeza
Até o início da tarde desta terça-feira foram retirados 50 mil litros de óleo dos rios. A previsão é de que os trabalhos continuem até a próxima sexta-feira. "Acreditamos que poderemos retirar grande parte do óleo até o final de semana para iniciar os trabalhos de recuperação da vegetação e das margens dos rios", explica o capitão. Gazeta do Povo - 21/02/2001 Todas as instalações da empresa de petróleo no Paraná podem ser vistoriadas O Instituto Ambiental do Paraná está estudando em conjunto com oito ONGs (organizações não governamentais) ambientais que fazem parte do Conselho Estadual do Meio Ambiente a realização de uma auditoria independente em todas as unidades da Petrobrás no Paraná. A auditoria teria o objetivo de levantar a situação das instalações da empresa para prevenir contra futuros acidentes como o ocorrido na Serra do Mar. A realização dela, segundo o secretário estadual do Meio Ambiente (SEMA) e diretor do IAP, José Antônio Andreguetto, dependeria de recursos financeiros e da definição do que seria auditado. “Não adianta, por exemplo, fazermos uma auditoria administrativa na empresa”, salienta lembrando que de acordo com a resolução nº 265 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, do ano passado, auditorias ambientais se tornaram obrigatórias em empresas que comercializam petróleo. “Pela resolução, seria a Petrobrás quem contrataria uma empresa para auditoria e apenas nos entregaria o laudo. A nossa intenção é contratar a empresa e acompanhar todo o processo”, explica Andreguetto que, no entanto, pretende antes disso realizar uma avaliação mais completa sobre os impactos causados pelo vazamento de sexta-feira. Risco Na opinião de Clóvis Borges, presidente da SPVS, até que a auditoria independente seja feita nas instalações da Petrobrás em todo o estado, os riscos de um novo acidente continuarão existindo. “A empresa não tem mais nenhuma credibilidade, seja com o governo ou com a sociedade”, afirma Borges, que tratou do tema ontem com a SEMA. Levada adiante, a auditoria seria realizada na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária; na Usina do Xisto, em São Matheus do Sul; em um campo de produção de gás, em Pitanga; quatros bases de distribuição de derivados de petróleo; no poliduto Oscpar - de São francisco do Sul em Santa Catarina até Araucária - e no óleoduto Opasc, no sentido contrário. |
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