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Coletânea: SOS Petrobras O Estado de São Paulo -
16.03.2001 Explosão atinge plataforma da Petrobrás Três explosões seguidas, de madrugada, atingiram a maior plataforma semi-submersível do mundo, a P-36, na Bacia de Campos. Um funcionário da Petrobrás morreu, outro está em estado gravíssimo e nove estão desaparecidos, mas são poucas as chances de encontrá-los com vida. Sem a P-36, que adernou e ainda corrre o risco de afundar, o País deixa de produzir 80 mil barris diários de petróleo. IRANY TEREZA e PAULO CABRAL RIO - Três explosões, num intervalo de menos de 20 minutos, na plataforma Petrobrás-36 (P-36), na Bacia de Campos, causaram a morte de uma pessoa e deixaram um ferido em estado gravíssimo. Nove pessoas estão desaparecidas e, segundo a Petrobrás, as chances de elas terem sobrevivido são remotas. Esse foi o pior acidente em bases de produção de petróleo no Brasil desde a explosão da plataforma de Enchova, em 1984, quando 37 pessoas morreram. No momento do acidente, 20 minutos depois da meia-noite, 175 pessoas trabalhavam na plataforma, no campo de Roncador, a cerca de 125 quilômetros da costa, no litoral de Macaé. Especificações técnicas do equipamento determinavam o máximo de 115 funcionários. A segunda explosão, quatro minutos depois, foi a mais grave. O funcionário morto teve o corpo carbonizado e não pôde ser identificado. O operador de produção Sérgio Santos Barbosa, de 41 anos, teve 98% do corpo queimado e está internado no Hospital da Força Aérea do Galeão. A terceira explosão, entre 10 e 15 minutos depois, foi de menor proporção. O resgate durou cerca de nove horas e assim que a P-36 foi esvaziada, a brigada de incêndio deixou o local. Havia risco de o equipamento afundar. Seis barcos fizeram o transporte dos funcionários para a plataforma P-47. Ao fim do resgate, foi constatada a ausência de Adilson Almeida Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Sousa, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Sousa, Mário Sérgio Matheus e Sérgio dos Santos Souza. O gerente de Exploração e Pesquisa Sul-Sudeste da Petrobrás, Carlos Tadeu, informou que 20 embarcações (10 de apoio, 5 especiais e 5 de combate ao incêndio) e 10 helicópteros estavam trabalhando no local. Segundo Tadeu, os nove desaparecidos e o que morreu na explosão são funcionários da Brigada de Incêndio da Petrobrás. "Suas famílias já foram avisadas. Não sabemos nem se eles estão na plataforma ou se caíram no mar porque a explosão causou um rombo no solo." O presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou nota lamentando o ocorrido. Ocas - As explosões ocorreram em uma das "pernas" de sustentação da P-36. Um técnico que participou da construção da plataforma explicou que, como essas "pernas" são colunas ocas, em seu interior são normalmente instaladas bombas e vasos utilizados em drenagem. "Pode ter ocorrido um retorno de gás, ou seja, uma quantidade do gás extraído da bacia entrou por uma tubulação errada e explodiu no interior do tubo", disse o técnico, que preferiu não se identificar. "É prematuro falar sobre as causas do acidente", disse o presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul. A Petrobrás divulgou duas notas oficiais sobre o acidente. Numa delas, a direção da empresa afirmava que os danos às instalações estavam limitados à área da explosão. "A plataforma está assegurada", dizia a nota, divulgada no fim da manhã. À tarde, o presidente da Petrobrás já admitia o risco de o equipamento afundar, caso a inclinação, que agora é de 30 graus, se acentuar. A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) atribuiu o acidente à terceirização dos serviços da Petrobrás. Segundo o diretor da Aepet Argermiro Pertence Neto "se houve explosão é porque havia vazamento de gás, que não foi detectado nem pelos técnicos da área de operação nem pelos funcionários de manutenção". (Colaborararam Beatriz Coelho Silva e Isabel Braga)
“Chances de sobreviventes são baixíssimas” Presidente da Petrobrás admite dificuldade em encontrar 9 funcionários desaparecidos PAULO CABRAL MACAÉ – O presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, disse ontem que são “baixíssimas as chances” de haver sobreviventes entre os nove funcionários da plataforma desaparecidos. Reichstul explicou que o chefe da Brigada de Incêndio, ao deixar P-36, informou que poderia garantir apenas que havia um morto. “Mas há pouquíssima chance de que haja um sobrevivente entre os outros nove”, disse Reichstul. Ele também confirmou que o estado do funcionário ferido, que foi enviado ao Hospital da Base Aérea do Galeão, é “gravíssimo”. A família do operador de produção Sérgio Santos Barbosa, de 41 anos, veio ontem de Aracaju para o Rio, com despesas pagas pela Petrobrás. Ele teve 98% do corpo queimado na explosão da plataforma. Barbosa foi levado para o Rio de helicóptero e deu entrada às 6 horas de ontem no Hospital da Força Aérea do Galeão, cujo Centro de Tratamento de Queimados é considerado um dos melhores do País. Por volta do meio-dia, o hospital divulgou um boletim, informando que foi necessário utilizar “manobras de ressuscitação de queimados graves” em Barbosa. Três ambulâncias do Corpo de Bombeiro, cinco enfermeiros e um médico foram postos de prontidão no hospital. Medo – Um engenheiro de petróleo de 26 anos, que estava na plataforma, descreveu como “desesperador” o momento da explosão. “Dá muito medo um acidente desse tipo. A gente fica com medo de tudo explodir e sabe que não tem nem a opção de pular no mar, porque a morte seria certa.” O engenheiro, que não se quis identificar, trabalha para uma firma contratada pela Petrobrás. Ele disse que há dois anos visita com alguma regularidade plataformas da empresa e esta tinha sido sua segunda passagem pela P-36. “Depois disso não sei se vou querer voltar a embarcar em uma plataforma.” O engenheiro contou ainda que, além de várias pessoas desmaiadas, viu a assutadora cena de um homem pegando fogo, que ele acredita ser a vítima do acidente que está com 98% do corpo queimado. O engenheiro afirmou ainda que quando viu o alarme de emergência, à 0h20, acreditou que se tratava de simulação. “Só quando houve a segunda explosão e o teto do alojamento cedeu é que percebi que a coisa era séria.” Rescaldo – O presidente da Petrobrás explicou que possivelmente a entrada na plataforma só ocorrerá na manhã de hoje. “Temos um problema de luz. Depois das 18 horas, fica muito escuro para podermos entrar numa plataforma acidentada.” Reichstul avaliou a possibilidade de resgatar a plataforma. “Ela está adernada com uma inclinação de 30 graus. Estamos com equipe observando a P-36. Se a inclinação se estabilizar, poderemos entrar na plataforma para avaliar as condições e recuperá-la.” Reichstul informou que, no caso de a plataforma acidentada afundar, pode ocorrer um vazamento de 1.500 metros cúbicos de petróleo no mar. Nota – O presidente Fernando Henrique Cardoso tomou conhecimento do acidente no início da manhã. Logo depois, a Secretaria de Imprensa da Presidência divulgou a seguinte nota: “O presidente lamenta profundamente a ocorrência de vítimas e manifesta sua integral solidariedade às suas famílias, nesse momento de aflição e dor”. A Petrobrás também divulgou nota, lamentando o ocorrido: “Neste momento, nossas atenções estão voltadas para as famílias das vítimas.”(Colaborou Beatriz Coelho Silva) Para especialista, prioridade é deixar plataforma estável Inclinação de 30º é muito acentuada e preocupante, observou Segen Estefen CLARISSA THOMÉ RIO - A estabilidade da plataforma P-36 deve ser a prioridade da Petrobrás para evitar o agravamento das conseqüências do acidente da madrugada de ontem. A recomendação foi feita pelo diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal (Coppe-UFRJ), professor Segen Estefen, especialista em estruturas oceânicas. Estefen informou que a explosão ocorreu na região boreste/proa e afetou a parte estrutural da plataforma, próximo à coluna que dá estabilidade. "O que nós temos ali é chamado de `perda de estabilidade em avaria', que ocorre quando a estrutura se rompe e sofre um alagamento. Se esse alagamento for progressivo, a plataforma vai afundar", disse o especialista. A informação, divulgada pela Petrobrás ontem à tarde, de que a plataforma havia adernado 30º, preocupou ainda mais o diretor. O professor da Coppe Tiago Lopes estava na P-36, no momento do acidente, e havia dito a Estefen que a plataforma estava inclinada cerca de 20º, às 2 horas. "Isso que dizer que a inclinação foi acentuada. Isso é muito grave: poderá haver descontrole do óleo, vazamento". Tiago Lopes estava embarcado para instalar um alarme que avisa sobre a necessidade de reparos preventivos. Ele foi retirado às 2 horas da P-36 e transportado para a plataforma P-47, a 12 quilômetros de distância, com outros 174 funcionários. "Foi a pior experiência da minha vida", disse. Rota - O professor de oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) David Zee disse que caso a plataforma P-36 afunde e haja vazamento de óleo dificilmente o combustível chegará à costa. A tendência do óleo é ficar na superfície, onde pode atingir a base da cadeia alimentar local. Segundo o pesquisador, a direção dos ventos é que vai determinar a rota do combustível, em caso de derrame. O oceanógrafo alertou que as 48 horas após qualquer vazamento são as mais críticas, porque 30% a 40% do óleo evapora, restando a fração mais pesada, que pode aglutinar-se e afundar. "Se isso ocorrer, o vazamento deixa de ser visível e pode causar sérios problemas no fundo do mar". Apreensivas, famílias buscam notícias de desaparecidos Parentes de trabalhadores que não estão na lista são os mais preocupados ROBERTA PENNAFORT e RODRIGO MORAIS RIO – O clima entre as famílias dos trabalhadores da plataforma era de medo e apreensão ontem em Macaé. Muitos passaram o dia em busca de informações sobre os desaparecidos. “Meu cunhado trabalha há 12 anos na Petrobrás e sempre fez contato conosco. Mas não ligou nem ontem nem hoje”, disse Carlos César Mendonça dos Santos, que buscava notícias do operador de produção José Carlos Chaves da Silva. A dona de casa Jovenilda Cirilo, de 48 anos, soube do acidente por volta das 9 horas, mas até as 17 horas não havia encontrado o irmão, Genílson Cirilo, de 47 anos. “Desde que ele começou a trabalhar na plataforma, há um ano, sempre teve medo de que ocorresse um acidente. Graças a Deus, soube que nada lhe aconteceu.” O técnico em instrumentação Flávio Fernandes presenciou as inspeções e foi retirado da Plataforma P-36 às 13 horas, no primeiro grupo levado de volta ao continente. “Fiquei muito assustado quando percebi que a plataforma estava tombando”, disse. O engenheiro Eduardo Ruiz também testemunhou o acidente. Segundo ele, o pior momento foi o da recontagem dos funcionários. “Fiquei desesperado ao perceber que alguns amigos não estavam lá”, afirmou. O diretor-executivo do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Hélio Guerra, considerou “satisfatório” o atendimento dado pela Petrobrás às famílias. A empresa está custeando a estada das famílias das pessoas desaparecidas. “A empresa colocou assistentes sociais à disposição dos parentes.” Segundo ele, a Petrobrás permitiu que três diretores do sindicato acompanhassem os desdobramentos do acidente na base da empresa. Problemas já haviam chamado a atenção do Ministério do Trabalho Em fevereiro foi aberto inquérito para apurar 36 mortes ocorridas em plataformas desde 1998 RIO - Os constantes acidentes na Bacia de Campos nos últimos três anos já haviam chamado a atenção do Ministério do Trabalho. No mês passado, os procuradores do Trabalho abriram inquérito civil para apurar as responsabilidades pelas mortes de 36 trabalhadores em 92 acidentes ocorridos em plataformas da Petrobrás na Bacia de Campos desde 1998. Das vítimas, 31 eram prestadoras de serviço. Novo inquérito será aberto para investigar o acidente de ontem. Para os sindicatos, os acidentes têm ocorrido porque a Petrobrás demitiu 22 mil funcionários experientes nos últimos cinco anos e passou a contratar empreiteiras. "Os terceirizados não têm experiência ou treinamento e seu contrato vence em um ano", disse o diretor de comunicação da Associação de Engenheiros da Petrobrás, Argemiro Pertence. "Em 25 anos de Petrobrás, fiz 33 cursos pagos pela empresa. Como alguém que fica só um ano pode se preparar?" Ação - Segundo a Petrobrás, o número de prestadores de serviço na Bacia de Campos subiu de 20 mil em 1997 para 29 mil em 2000. Há só 6.900 empregados da estatal na bacia. Uma ação, ajuizada há dois anos pelos procuradores do Trabalho e ainda não julgada, pede que a Petrobrás seja proibida de ter terceirizados em plataformas. Os contratados por empreiteiras recebem cursos de segurança de 48 horas e não têm as mesmas garantias de atendimento dos concursados, em caso de acidente. Foi o caso de Otávio Mariano Marins, de 43 anos. Ele foi contratado pela empreiteira Engeman Equipamentos e Manutenção para atuar no tráfego de carga. Em 19 de janeiro de 2000, ele teve a perna esmagada, na plataforma de Garoupa. "Eles me levaram até o aeroporto de Macaé e informaram que a responsabilidade da Petrobrás terminava ali", conta Marins. País terá prejuízo diário de US$ 2,08 milhões Valor corresponde à importação de 80 mil barris diários, produção da plataforma P-36 JACQUELINE FARID RIO – Com o acidente ocorrido na madrugada de ontem, a Petrobrás corre o risco de perder a maior plataforma de produção de petróleo do mundo, que custou US$ 354 milhões. Além de deixar de produzir 80 mil barris de petróleo por dia, a empresa terá de importar esse volume, equivalente à atual produção da P-36, o que vai causar um déficit adicional de US$ 748,8 milhões na balança comercial neste ano – ou US$ 2,08 milhões por dia. A conta foi feita pelo analista de um grande banco que preferiu não se identificar, justificando que a situação da plataforma ainda está “indefinida”. Ele levou em conta uma cotação média do barril a US$ 26. Em conversa com técnicos da Petrobrás, o analista descobriu que há três situações possíveis para o problema: a plataforma volta a operar em seis meses ou seria criada uma ligação entre o campo de Roncador (local da P-36) até Albacora para manter a retirada do óleo. Ainda há dúvidas se isso seria tecnicamente viável. A terceira hipótese seria a perda da plataforma. Neste caso, serão necessários dois anos e meio para que uma nova seja instalada. A estimativa do analista é que a P-36 chegaria ao fim do ano com uma produção de 100 mil barris diários de petróleo, volume que seria ampliado para 180 mil barris diários em dois anos. Ações – Ontem, o preço das ações da Petrobrás esteve em queda na Bolsa de Valores de São Paulo. No caso das ações ordinárias, o recuo foi de 4,63%. Já as preferenciais acumularam baixa maior, de 6,75%. Analistas acreditam que uma queda na receita da empresa por conta da paralisação da produção da P-36 faça com que os investidores alterem suas perspectivas de ganho com a ação, o que explica as quedas no valor do papel agora. Segundo cálculos de Fábio Silveira, coordenador de estudos setoriais da Tendências Consultoria, se a plataforma ficar inativa durante seis meses, a Petrobrás terá de importar mais petróleo em cerca de US$ 360 milhões. “Essa é uma despesa inesperada, que pode ficar ainda maior se a plataforma ficar inativa por um período superior a seis meses”, avalia. “Já alteramos o preço-alvo da ação de R$ 78,00 para R$ 72,00 num período de um ano”, afirmou ontem o diretor de renda variável da BankBoston Asset Management (BAM) Júlio Ziegelmann. Mas ele mantém a recomendação para a compra dos papéis da empresa. “A notícia não deixa de ser ruim para a empresa, mas já foi incorporada ao preço das ações, o que significa que as cotações não devem cair muito mais. Além disso, a Petrobrás tem bons fundamentos e boas perspectivas de lucro. Considerando que ação é um investimento recomendado para o longo prazo, o cenário para o investimento não mudou”, avaliou Alexandre Malfitani, do Deutsche Bank Investimentos. No caso dos Fundos Mútuos de Privatização Petrobrás – com recursos próprios e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – a queda no rendimento será equivalente ao recuo das ações ordinárias, ou seja, de 4,63%. Mas desde que foram criados, em 17 de agosto de 2000, eles já se valorizaram entre 23,86% e 54,81%. “Ainda é uma valorização bem significativa”, avalia Malfitani. (Colaborou Cláudia Ribeiro) P-36 foi construída em 1994 e enfrentou todo tipo de problemas Equipamento teve projeto alterado e passou por modificações em estaleiro que faliu IRANY TEREZA RIO - A P-36 foi cercada de problemas desde o projeto. Foi construída em 1994, na Itália, como uma unidade de perfuração e de produção, com o nome original de Spirit of Columbus. O equipamento foi comprado pela Mitsubishi e arrendado pela Petrobrás em 1997, com a intermediação da Marítima, empresa que está em litígio judicial com a Petrobrás por causa do valor da obra. Inicialmente, a P-36 seria levada para Marlim Sul, mas, em 96 foi descoberto o campo gigante de Roncador, a maior reserva da Bacia de Campos. Para acelerar a produção, a Petrobrás decidiu modificar a P-36 e ampliar sua capacidade. A conversão foi feita num estaleiro no Canadá, o Davie, que pediu concordata em 1998 e faliu no meio da obra. Em junho de 1999 a Petrobrás decretou intervenção nas obras de aperfeiçoamento da Plataforma P-36, entregue à Petromec, subsidiária da Marítima. A intervenção foi causada por dificuldades financeiras da Petromec. Depois de uma disputa entre a Marítima e a Petrobrás, a obra chegou ao fim com parte do financiamento feita pela própria Petrobrás. Em novembro de 99, a plataforma chegou ao Brasil e ficou fundeada na Baía de Guanabara por quatro meses, para o trabalho de "comissionamento", durante o qual todos os equipamentos são testados para verificação da segurança. Em abril, a P-36 começou, enfim, a operar. Projetada para perfurar e produzir petróleo em lâmina d'água de 100 a 500 metros, a unidade foi transformada numa plataforma de produção capaz de operar em lâmina d'água de até 1.360 metros. Para isto, todo o equipamento de perfuração e a maior parte do equipamento de produção foram retirados. Uma planta de produção foi instalada com capacidade para processar 180 mil barris de petróleo por dia. O equipamento, que pesava 23,1 mil toneladas, ganhou mais 8,3 mil toneladas. Em Campos, foram adicionadas mais 5,2 mil toneladas de carga vertical, chegando a um total de quase 40 mil toneladas. Britânicos têm 2 acidentes com morte por ano JOÃO CAMINOTO LONDRES - A Health & Safety Executive (HSE), órgão do governo britânico que responde pela segurança dos 19 mil trabalhadores do setor, registra por ano dois acidentes fatais. O último ocorreu em fevereiro, no Mar do Norte, quando um trabalhador caiu no mar. Em 1991, 13 pessoas morreram, onze delas num acidente com um helicóptero. Foram registrados no ano passado 144 acidentes, sendo que 52 foram considerados graves. Os mais comuns envolvem manejo de equipamentos. O porta-voz da HSE, Mark Wheller, diz que a guarda-costeira é a principal responsável pelo socorro às vítimas de acidentes e pelo combate a incêndios. Mas as empresas dispõem também de uma frota de embarcações que permanecem na área para atender casos de emergência. Muitas plataformas contam ainda com equipes de paramédicos. Uma das grandes preocupações da HSE é o grande número de vazamentos de gás registrado nas operações offshore na Grã-Bretanha, que podem causar explosões e acidentes gravíssimos. "Estamos tentando diminuir esse tipo de ocorrência com uma forte fiscalização." No ano passado, por exemplo, uma empresa foi multada em cerca de R$ 1 milhão por um vazamento. "Não houve explosão nem feridos, mas o simples fato de os funcionários terem sido expostos a uma situação de risco justifica a multa." A HSE verifica as conseqüências de eventuais cortes de pessoal. "Se constatarmos que houve uma redução de pessoal que coloque em risco a segurança, a empresa pode ser multada ou a plataforma em questão pode ser interditada." (Agência Estado) Imagem da empresa convive com abalos Tragédias marcam sua história desde que foi criada e a perseguem até os dias de hoje Incêndios, vazamentos, explosões e tragédias nunca permitiram que a Petrobrás fosse a empresa que ela sempre quis ser. Fatalidades ou coincidências que marcaram a história da estatal desde o início. Dois anos depois de criada por Getúlio Vargas, em 1955, três pessoas ficaram feridas em um incêndio antes mesmo da inauguração da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão. Em 1961, no mesmo local, um tanque é incendiado após ser atingido por um raio. Em março de 1975, um petroleiro fretado pela empresa derrama 6 mil toneladas de óleo na Baía de Guanabara. O dano ambiental é monstruoso. Cinco anos depois, já extraindo petróleo no mar, um incêndio na plataforma de Garoupa interrompe a produção por seis meses. Em 1984, uma tragédia: 93 pessoas morrem na Favela Vila Socó, em Cubatão. Os barracos estavam sobre um barril de pólvora. Por baixo do mangue em que foi erguida a favela, passavam dutos da Petrobrás. No mesmo ano, outro acidente trágico. Na plataforma Enchova, o maior poço de petróleo na época, houve um vazamento de gás, seguido de uma grande explosão. Houve 37 mortes. Isso apenas quatro meses depois de o presidente João Figueiredo comemorar a produção diária de 500 mil barris de petróleo. Nos anos seguintes, novas explosões em plataformas da Petrobrás: Zapata, Pampo, Enchova e Pargo I. Os dutos de terminais marítimos também minaram a imagem da empresa. Em 1994, 2,7 milhões de litros de óleo vazaram de um terminal em São Sebastião e 18 praias foram atingidas. Episódio que se repetiu nos anos seguintes. Em janeiro de 2000, a Baía de Guanabara foi tomada por uma mancha negra de 40 km2. Quase 1,5 milhão de litros de óleo vazaram da refinaria Duque de Caxias. Sete meses depois, 4 milhões de litros de óleo poluem o Rio Iguaçu, o principal do Paraná. Neste ano, uma missão de especialistas da Petrobrás foi às Ilhas Galápagos para ajudar na limpeza de um acidente ambiental. Nada fizeram, porque o óleo já havia sido retirado. No mês passado, 50 mil litros de óleo vazam em Morretes (PR), reserva da biosfera mundial. AS MANCHAS DA EMPRESA 3/1975 - cargueiro fretado pela Petrobrás derrama 6 mil toneladas de óleo na Baía da Guabanara 6/1980 - explosão fere 23 em navio-sonda na Bacia de Campos (BC) 3/1981 - incêndio em tambor com 7 mil litros de álcool em Barueri (SP) 10/1983 - 3 milhões de litros de óleo vazam de oleoduto em Bertioga 2/1984 - 93 mortes e 2.500 desabrigados na explosão de um duto na Favela Vila Socó, Cubatão 8/1984 - gás vaza do poço submarino de Enchova: 37 mortos e 19 feridos 5/1986 - duas explosões na plataforma Zapata fere 12 10/1987 - incêndio na plataforma Pampo, na BC, provoca queimaduras em 6 4/1988 - incêndio na plataforma Enchova 10/1991 - 2 operários saem gravemente feridos na explosão em Pargo I, na BC 6/1992 - vazamento de 10 mil litros de óleo em área de manancial do Rio Cubatão 5/1994 - 2,7 milhões de litros de óleo poluem 18 praias do litoral norte paulista 10/1998 - 1 milhão de litros de óleo vazam de duto em São José dos Campos 11/1999 - explosão fere 2 na plataforma P-31, na BC 1/2000 - 1,3 milhão de litros de óleo vazam na Baía de Guanabara 7/2000 - 4 milhões de litros de óleo vazam de e atingem o Rio Iguaçu (PR) 11/2000 - 86 mil litros de óleo vazam de cargueiro e poluição atinge praias de São Sebastião e 6 de Ilhabela 1/2001 - oito técnicos da empresa vão às Ilhas Galápagos para ajudar na limpeza do vazamento do navio Jéssica. 2/2001 - uma mancha de 15 quilômetros de óleo (50 mil litros) atinge Morretes (PR)
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